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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 374 | Julho de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Agricultura / Pecuária

Integração vista de perto

Cooperados de Roncador conhecem flexibilidade do sistema durante a segunda edição do tour que demonstrou a alternativa na região

Um dia inteiro vendo e debatendo as várias possibilidades de implantar, com sucesso, o projeto de integração agricultura/pecuária na propriedade. Este foi o propósito do entreposto da Coamo em Roncador, no Centro-Oeste do Paraná, com a realização do II tour que demonstrou a alternativa na região. O evento aconteceu no dia 26 de junho. Dezenas de co-operados visitaram áreas que receberam o projeto nos últimos anos e conheceram a flexibilidade do sistema, que se adapta a qualquer tipo de atividade e tamanho de área.

Alternativa de inverno – O veterinário Alcides Kintaro Mitsuka, do Detec da Coamo em Roncador, foi um dos organizadores do encontro. Ele revela que o projeto integração agricultura/pecuária surgiu praticamente dentro da Coamo e vem ganhando campo na área de ação da cooperativa. “A finalidade do nosso tour é mostrar exemplos que deram certo dentro do sistema. São propriedades que não tinham alternativas de produção no inverno, pela região ser bem complicada na questão climática”, explica Mitsuka, considerando que o sistema favorece para o produtor rural maximizar os resultados da sua propriedade em termos de produção e rentabilidade.

Menor risco – O agrônomo Marcelo Sumiya, responsável pelo Detec da Coamo em Roncador, diz que o produtor busca em alternativas como a integração da agricultura com a pecuária o aumento da rentabilidade do sítio. “Eles percebem que além de ser uma boa opção de renda existe, também, o menor risco no inverno, sem comprometer a estrutura da propriedade”, destaca.

Sobre o esquema de visitação às propriedades onde o sistema já funciona, o técnico justifica: “é interessante ver para crer; levar o cooperado para mostrar a prática do sistema, na linguagem que ele entende”. Sumiya ressalta que a função do Detec da Coamo é apresentar alternativas de aumento de renda para os cooperados. “Estamos programando outros eventos como este, com mais resultados para os agricultores, oferecendo opções tanto o inverno quanto para o verão, sempre buscando a evolução”, salienta.

Professores da área – Personagens ilustres entre os convidados para o evento, os professores Aníbal de Moraes e Adelino Pelissari, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), fizeram questão de prestigiar os resultados do trabalho pelo segundo ano consecutivo. Os dois estão entre os grandes nomes da pesquisa brasileira quando o assunto é integração agricultura/pecuária. “Eu sempre digo que boi não morre no inverno, nem com geadas e nem com granizo”, brinca Pelissari. Para ele, este é o grande sucesso da integração. “É uma forma efetiva de ter sustentabilidade econômica na propriedade, desde que o produtor ingresse na atividade com todo o critério técnico necessário”, alerta.

Segundo o pesquisador, o cenário da região está se modificando com o surgimento de novas alternativas de exploração do solo em áreas bem manejadas. “Este é um projeto economicamente viável e sustentável, social-mente justo, culturalmente aceito e éticamente correto. Portanto, está inserido no papel do produtor rural do futuro: ter a mesa farta de boa comida e boa bebida, e a natureza preservada”, acentua Pelissari.

Unidas também na integração

As irmãs Dulce Boiko e Judicéia Boiko de Andrade, que possuem propriedade na região de Mosquiteiro, em Roncador, acompanharam o tour pelo segundo ano consecutivo. No ano passado, elas conheceram a alternativa e gostaram. Agora, aproveitaram o evento para confirmar as informações acerca do projeto e decidiram: vão destinar uma área da propriedade para implantar a pastagem de verão. “O projeto já está praticamente pronto e, com a pastagem formada, a idéia é colocar os primeiros animais no mês de janeiro de 2009”, adianta Judicéia.

Cautelosa, ela faz questão de ressaltar que todas as decisões tomadas na propriedade são frutos de planejamento. “Não tem como ser diferente. Assumimos a propriedade há pouco mais de dois anos, mas a experiência nos mostra que a organização é a base para o sucesso de qualquer negócio”, assegura a cooperada.

Mais renda – A bovinocultura de corte está sendo incorporada à propriedade das irmãs Boiko por uma razão bem simples: o aumento da rentabilidade. “E pelo que observamos, esta é uma forma segura e viável de ampliar a renda da fazenda”, garantem. A idéia das cooperadas é ganhar mais nos dois períodos do ano. “Temos de desmistificar essa tríade de soja, milho e trigo, e tirar maior proveito da terra que temos”, consideram.

A “pequena fazenda” dos Greczyczyn

Vida nova para os dois irmãos de Roncador. A bovinocultura leiteira mudou a realidade da propriedade de 3,7 hectares

Vinte vacas no verão e dez no inverno em 1,3 hectare de área, e 400 litros de leite por dia de média anual. A terra é a mesma, mas pequeno o sítio dos irmãos Vilson e Eugênio Greczyczyn, na comunidade Cancan, em Roncador, é outro. Há oito anos eles trocaram as incertezas do trabalho como “bóias-frias” pela bovinocultura leiteira. Tiveram um início difícil, com apenas duas vacas, mas venceram com dedicação e muito, mas muito trabalho. Hoje, os dois vivem uma nova realidade na propriedade, cuja área total é de 3,7 hectares. O que antes era um sonho agora é uma agradável realidade.

A “pequena fazenda”, como costuma brincar Vilson Greczyczyn, não poderia ser mais rentável. “Começamos com duas vacas leiteiras e sabemos que os resultados só dependem de nós mesmos. Descobrimos isso enquanto passávamos dificuldades na vida, trabalhando para os outros. Hoje, nosso trabalho tem valor. Só temos a agradecer. Sinto que não posso pedir mais nada a Deus, porque tudo o que eu preciso já conquistei”, confessa.

Manejo alimentar – A falta de comida para as vacas não é mais problema para os Greczyczyn, que apostaram num sistema de super-aproveitamento da pastagem, disponibilizando comida de qualidade aos animais o ano inteiro. O pasto de verão é formado pela grama Tifton. Bem adubado, ele ocupa 13 mil metros quadrados de área, dividida em 40 piquetes. No inverno, a mesma área recebe uma sobre-semeadura de aveia, azevém e ervilhaca, em diferentes épocas. “Os animais são mantidos basicamente a pasto, o ano todo”, garante o produtor, que recebeu o grupo de cooperados durante o tour de integração agricultura/pecuária promovido pela Coamo em Roncador. Para garantir que a comida não falte no inverno o cooperado prepara silagem de milho e fornece um concentrado no cocho para as vacas.

Uma das estratégias dos cooperados para manter o pasto sempre verde é a irrigação. “Aqui chove todos os dias”, comemoram, apontando para a água que caía sobre parte dos piquetes. Hoje, o grande negócio da família é a produção de leite na pequena área de pastagem. Eles também plantam soja, mas admitem que a produção do grão está guardada para ser usada em novos investimentos na propriedade.

Apoio da Coamo – Vilson Greczyczyn faz questão de dizer que todo o processo de mudança da sua propriedade foi implantado com apoio da Coamo. “A porteira do sítio sempre esteve aberta para a cooperativa. Os técnicos aqui de Roncador têm me ajudado muito”, reconhece.

Os dois admitem que o segredo é cuidar bem da propriedade. “Fazer uma boa estratégia de pasto-reio do gado e não descuidar da adubação”, orientam. A produção média por vaca é de 20 litros por dia. “Algumas chegam a 40”, contabilizam. O último mês de trabalho dos Greczyczyn foi fechado com 23 vacas em lactação e cerca de 15 mil litros de leite.

Estrutura – Com os resultados do trabalho dentro da nova atividade, os cooperados estruturaram a propriedade. Compraram trator e plantadeira. Os maquinários facilitaram o trabalho e possibilitaram um melhor aproveitamento do tempo livre para atender as necessidades de vizinhos. “Continuamos trabalhando para fora, mas agora sem depender direta-mente disso para viver”, frisam.

Entre os novos projetos da família estão a melhoria da sala de ordenha, para facilitar a retirada do leite, e até a contratação de um funcionário para ajudar nas tarefas diárias do sítio. “O leite mudou, realmente, a nossa vida. Agora temos dinheiro todos os dias, de manhã e à tarde. E com o apoio da família, então, fica melhor ainda, porque quando a família está bem tudo fica melhor: a mulher fica mais contente e o filho cresce mais bonito”, enfatiza Vilson.

Quando a pastagem é de qualidade

Renovação ou reforma da forrageira de verão são investimentos rentáveis, garante cooperado Nery Thomé, de Roncador

A Fazenda Santa Maria, do cooperado Nery José Thomé, foi outra propriedade visitada durante o tour de integração agricultura-pecuária, em Roncador. Thomé possui um trabalho diferenciado com a renovação e reforma de pastagens de verão, com a experiência de quem está a oito anos no sistema. “Nesse esquema o produtor tem que lançar mão de uma boa pastagem no verão. Assim, o casamento da assistência técnica com insumos modernos que a tecnologia proporciona nos faz evoluir ano após ano, mostrando o caminho para o aumento da produtividade e da rentabilidade, tanto da lavoura quanto na pecuária”, destaca.

Agrônomo por formação, Thomé orienta que o processo de reforma de pastagem, para quem atua com a pecuária, é uma ferramenta que não pode mais ser desconsiderada. “Tenho observado que a produtividade das lavouras de verão são superiores nas áreas onde o gado pastoreia no inverno. Tanto é, que hoje eu trabalho essa metodologia em toda a minha propriedade”, revela.

A inclusão do gado no sistema de produção da propriedade, segundo o cooperado, ajuda no processo de melhoria da resposta do solo. “O pé do boi não compacta. Eu trabalho com áreas de aveia/azevém bem adubadas e com cobertura nitrogenada, e nunca houve problema. Inclusive na safra de milho deste ano eu consegui fechar com 432 sacas por alqueire, numa área que foi pastoreada integralmente no inverno com aveia e azevém. Você só tem que tomar os cuidados que os técnicos recomendam. Fora isso, não há nenhum problema”, assegura Thomé.

Investimento rentável – O custo para a recuperação da área de pastagem é encarado pelo cooperado como um investimento rentável. Ele diz que as áreas degradadas onde é possível mecanizar são mais fáceis de serem recuperadas. “Neste caso, você entra com uma lavoura de verão e com uma adubação boa você tem a produtividade que abrevia o custo de reforma do pasto. Você sai, inclusive, tendo lucro”, afirma. “As áreas mais declivosas dão um pouco mais trabalho, com investimento maior. Mas para as duas existem tecnologias disponíveis. E compensa. Tanto a satisfação pessoal de ver a propriedade bonita, quando do ponto de vista da rentabilidade”, garante.

Palavra de produtor – O cooperado elogiou a iniciativa da Coamo em promover eventos que ajudam a difundir tecnologias como a de integração agricultura/pecuária. “E a partir do momento que o homem do campo tem um referencial para trocar experiências e tirar dúvidas é muito importante, porque o agricultor sempre gosta de ouvir a palavra de outro agricultor ou pecuarista, além do técnico, é claro. E isso também serve como motivação”, valoriza.

Na propriedade de Thomé a pastagem de verão é formada, basicamente, pela grama Estrela Africana Porto Rico, que tem respondido bem à lotação de animais dentro do esquema de produção da fazenda. No inverno os animais são mantidos no consórcio aveia/azevém. O ganho médio de peso é de 850 gramas/dia, levando em conta o ano todo.