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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 374 | Julho de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Entrevista

Otimismo moderado no mercado de grãos

Expectativa para comercialização da soja e do milho na temporada 2008/2009 é positiva, diz analista André Pessoa

Conferencista para mais de 32 países, o analista de mercado André Pessoa, faz uma análise positiva do mercado futuro para a soja e o milho. Durante o encontro da Coamo que comemorou o Dia Internacional do Cooperativismo, Pessoa comentou sobre o comportamento do mercado futuro de grãos. Ele orientou os cooperados a manter um otimismo moderado em relação aos preços. Por mais de duas horas ele falou do cenário para os mercados de commodities e respondeu as dúvidas dos co-operados. E ao final do evento concedeu uma entrevista do Jornal Coamo:

Jornal Coamo – André Pessoa: pela sua experiência, qual é o cenário de preços para os grãos no Brasil?

André Pessoa – A expectativa, hoje, é positiva tanto para a soja quanto para o milho nesta temporada 2008/2009. Muito em decorrência dos fatos recentes verificados no mercado internacional, como os problemas climáticos sérios na safra americana. O ex-cesso de umidade e até mesmo as enchentes em muitas regiões produtoras já significaram perdas de algumas de áreas plantadas e ainda coloca sobre a safra americana uma ameaça muito grande de quebra de produtividade nos próximos meses. E isso fez com que os preços internacionais tomassem um fôlego ainda maior do que já vinham tendo nos últimos meses. E há também uma situação desfavorável aos investimentos em ações e outras moedas em função da perda de valor da moeda americana, o que gera uma inflação em dólar. Então há uma migração de recursos para os mercados de commodities, tanto agrícolas quanto minerais, o que ajuda a elevar os preços.

JC – O momento é promissor?

AP – Hoje sim, porque há 30 dias, antes desses problemas, algumas regiões do Brasil vinham enfrentando uma expectativa de rentabilidade reduzida em 2009, em comparação com 2008. Isto porque os custos de produção subiram em demasia este ano, notadamente fertilizantes, que em alguns casos a alta da matéria-prima passa de 100%. Agora os patamares foram ajustados. A rentabilidade deve ser mais ou menos a mesma, ou até um pouco maior, em alguns casos. Mas é bom lembrar que o risco aumentou, porque para alcançar a mesma rentabilidade os produtores têm que investir muito mais na lavoura. Esta condição traz como conseqüência uma redução da disponibilidade de crédito no sistema como um todo, tanto por parte das indústrias fornecedoras de insumos quanto, principal-mente, das tradings, financiadoras da produção de boa parte do Brasil. Isso não afeta todo mundo da mesma maneira. Vale ressaltar, por exemplo, a importância que tem o sistema cooperativista e uma cooperativa como a Coamo, que permite aos produtores terem essa disponibilidade dos insumos na hora que precisam com um custo ainda razoável na comparação com aqueles hoje alcançados no mercado para quem ainda não comprou os insumos, e com uma diferença enorme no final. Não só do ponto de vista da tranqüilidade que o produtor pode ter para fazer a sua programação financeira e de plantio, mas faz diferença também na garantia do abastecimento, porque hoje do jeito que estão os mercados de fertilizantes e defensivos, arrumar o dinheiro para fazer a aquisição já é um problema. Agora, esta não é toda a solução, porque em alguns mercados já existe desabastecimento de alguns produtos. E uma cooperativa forte tem essa possibilidade de dar essa segurança para os seus produtores.

JC – Cooperativa forte, produtor forte?

AP – Exatamente! No caso do Mato Grosso, por exemplo, os produtores, neste ano, certamente terão que se desfazer da sua safrinha de milho muito rapidamente sem ter a possibilidade de esperar pelos melhores preços, que devem vir mais para o final do ano, porque precisam fazer caixa para comprar os insumos ainda da próxima safra de verão. E isso é uma condição que não precisa ser a mesma no Paraná por causa da presença das cooperativas, principalmente nesta região que a Coamo atende.

JC – O comportamento do produtor associado da Coamo, qual deve ser então, considerando todas essas variáveis e fatores que irão influenciar diretamente os preços no mercado?

AP – Eu diria que deve ser de um otimismo moderado. Otimismo tem que estar presente sim, porque a fase é boa, a rentabilidade esperada nas lavouras é bastante satisfatória, mas cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém. Então, eu penso que tem que fazer muita conta. O custo de produção subiu demais e o agricultor tem que estar atento às condições de uso de tecnologias. Não pode relaxar na tecnologia, porque é comum o produtor enxergar o custo de produção subindo muito e ficar pensando em cortar custos. Enxugar é importante, mas não o custo total. Temos que sempre pensar no custo médio de cada saca que vai ser produzida.

JC – E com essas ações vai se buscar a sustentabilidade dos negócios no campo?

AP – Isso mesmo! Então se você conseguir manter um custo médio de produção da sua safra com um bom uso de tecnologia e uma boa produtividade, dentro de patamares aceitáveis, quando comparados aos níveis de preços que estão sendo praticados, a rentabilidade fica assegurada no patamar elevado e a sustentabilidade do negócio acontece. Eu penso que este tem que ser o foco dos produtores, como tem sido nos últimos anos, com a orientação que a Coamo vem dando e a prestação de serviços que ela faz. Eu penso que aqui estamos numa região que é privilegiada, apesar de alguns problemas climáticos que acontecem, como o caso das geadas recentes. No entanto, quando a gente faz a avaliação do ano como um todo, da safra agrícola inteira, vemos que o resultado vai ser muito satisfatório e compensará para os produtores.

JC – André Pessoa, qual foi o grau de satisfação sua palestrando para 500 líderes que representaram todos os cooperados da região de atuação da Coamo?

AP – A minha satisfação de vir aqui a Campo Mourão e à Coamo é sempre muito grande. Em particular, eu comentava isso com o presidente Gallassini, que eu acho que esse investimento que está sendo feito na formação de novos líderes é o melhor investimento que a cooperativa faz. É um investimento em capital humano que garante a preservação do negócio e da estabilidade econômica e social desta região, no futuro. É a formação de pessoas que possam trazer as suas responsabilidades, a suas competências e o trabalho para continuar essa história de sucesso que a Coamo vem escrevendo ao longo das últimas três décadas. Então vocês estão de parabéns!