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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 374 | Julho de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Meio Ambiente

Nascentes recuperadas em Moreira Sales

Cooperados dão exemplos de consciência ambiental e compromisso com as futuras gerações ao investir na qualidade da água

A água que sai das torneiras nas casas das 110 famílias que vivem na comunidade Vila Gianello, em Moreira Sales (Noroeste do Paraná), não é mais a mesma. Depois que a mina d’água que responde por 90% do abastecimento da localidade foi recuperada, a qualidade da água consumida pelos moradores aumentou muito. “Agora, a água tem um novo sabor: de pureza”, garante o cooperado Luiz Marques Magalhães, proprietário da área que abriga a nascente. Ele diz que a iniciativa de recuperar a mina partiu da própria comunidade, com apoio da Prefeitura Municipal. Uma atitude que propiciou a continuidade do aproveitamento da água, livrando-a da contaminação pelo acesso direto dos animais e insetos ao olho da nascente.

Aumento na vazão – “É um trabalho que além de bonito serve de exemplo. A conservação das nascentes é a garantia da nossa água de amanhã”, afirma Magalhães, explicando que hoje a comunidade sabe aproveitar bem melhor a água que a natureza fornece não só para a família dele, mas também para as outras que vivem na região e também dependem da mina. O cooperado lembra, ainda, que além da baixa qualidade, antes tinha o problema da baixa vazão de água. “A mina não atendia toda a comunidade e com a recuperação da nascente os dois problemas foram solucionados”, destaca, informando que a mina foi se escondendo por causa da terra que caía sobre ela, interrompendo a passagem da água pelo canal. “Hoje a vazão é grande e forte – ao redor de 5 mil litros por hora, porque nada mais está impedindo a passagem da água”, declara Magalhães.

Com maior volume d’água, a mina deu um fôlego ao poço artesiano que foi furado recentemente na comunidade para ajudar a atender a demanda local. “Reduzimos o tempo de funcionamento da bomba do poço, economizando energia para o município”, destaca o cooperado.

Mutirão da limpeza – O trabalho de recuperação da mina d’água na propriedade do co-operado rendeu muito serviço. Houve até um mutirão para a mão-de-obra, já que a limpeza do local durou vários dias. “A mina foi, praticamente, redescoberta”, revela Hélio dos Anjos Britto, que coordenou a equipe. Ele é funcionário público municipal e aproveita as horas de folga para dar a sua contribuição, muitas vezes voluntária, à preservação e recuperação do meio ambiente.

O grupo de trabalho, além de limpar e lacrar a entrada da mina, permitindo apenas a passagem dos canos d’água, também ajudou a cercar o terreno e a plantar árvores nativas ao redor da área. Hoje, a própria comunidade faz o controle da qualidade da água e se encarrega do seu tratamento, quando necessário, à base de cloro e água sanitária.

O valor da iniciativa

“Em geral, o gasto médio do produtor para recuperar uma nascente é R$ 50,00, chegando ao máximo de R$ 100 reais”, contabiliza Hélio Britto. O primeiro passo, segundo ele, é diagnosticar a situação. Depois é feita a limpeza em volta da mina. Em seguida, a escavação e a limpeza do canal até chegar ao barranco onde, originalmente, a mina tem início. Na seqüência, são assentadas pedras com um preparado de solo-cimento e colocados os canos. Depois é só lacrar a parede da mina, evitando a entrada de insetos e o acesso de animais.

Respeito à natureza, aos 83 anos de idade

O cooperado Olívio Adamo, do sítio Bom Retiro, na comunidade Palmital, em Moreira Sales, também é exemplo de cidadão consciente do seu papel diante da preservação da natureza. Aos 83 anos de idade, ele lembra que chegou à região em 1966 e, desde então, aproveita a água da mina que brota na sua propriedade para o abastecimento das casas e para o fornecimento aos animais. O produtor admite que sempre se preocupou com a qualidade da água, mas até o ano passado não conhecia o projeto para recuperação das nascentes. “Quando descobri que tínhamos esse trabalho aqui na região não pensei duas vezes. Tratei logo recuperar a mina aqui do sítio. Afinal, com a nossa vida não se brinca”, salienta Adamo.

Como acontece em todas as nascentes recuperadas, a qualidade da água que chega hoje às casas do sítio é outra, além da vazão da mina, que dobrou, atingindo a capacidade de 6 mil litros por hora. “Agora temos água limpa e de qualidade, sem contar o controle sobre a mina, já que antes não só eu e minha família tomávamos essa água. Animais também passavam por aqui. Era tudo aberto”, lembra o cooperado.

Lugar especial – O lugar em que a mina ficou instalada agora é ainda mais especial para o co-operado Olívio Adamo. A nascente está sob uma grande moita de bambu e a área ao redor foi cercada de árvores nativas. Cerca de 10 mil mudas de goiabeiras, ipês, amoras e arueiras-pimeiteiras crescem bonitas nas proximidades da mina.

“Sem trabalho não se tem nada. E hoje o nosso trabalho tem que ser feito pensando sempre no futuro, porque a nossa história é feita de gerações”, filosofa o cooperado.