Crise na agricultura:
Mobilização do campo reúne 12 mil em Londrina
PRODUTORES DE TODO O PAÍS PROMOVEM “TRATORAÇO”
DIA 29 DE JUNHO, EM BRASÍLIA, PARA SENSIBILIZAR GOVERNO
FEDERAL

Com o slogan “Mobilização do Campo pela Produção
e pelo Emprego”, cerca de 12 mil agricultores e lideranças
do setor produtivo paranaense se reuniram no dia 30 de maio, em
Londrina (Norte do Estado), no Parque de Exposições
Ney Braga, com o objetivo de alertar a sociedade sobre a gravidade
da crise da agricultura em conseqüência da estiagem.
O evento, que aconteceu em vários estados, reuniu em Londrina
uma grande concentração de caminhões, colheitadeiras,
tratores e automóveis no posto do pedágio de Arapongas,
e pronunciamento de diversas lideranças pedindo atenção
dos governos federal e estadual para as dificuldades que os produtores
enfrentam.
Os presidentes da Sociedade Rural do Paraná, Edson Neme
Ruiz, da Ocepar – Organização e Sindicato
das Cooperativas do Paraná, João Paulo Koslovski,
e da Faep – Federação da Agricultura do Estado
do Paraná, Ágide Meneguette, entidades responsáveis
pela organização desta mobilização,
em conjunto com cooperativas e sindicatos da região, se
pronunciaram pedindo medidas urgentes. A Coamo participou através
da presença do seu presidente José Aroldo Gallassini,
do diretor-secretário Ricardo Accioly Calderari e de mil
associados de várias regiões do Estado. Também
estiveram do evento, o senador Osmar Dias, o deputado federal
Abelardo Lupion, e os deputados estaduais Hermas Brandão
e Luiz Nishimori.
Durante
o encontro, foi aprovada a “Carta do Paraná”,
enviada posteriormente as autoridades estaduais e federais pedindo
providências. As reivindicações estão
relacionadas aos efeitos da seca, desvalorização
do dólar e queda nos preços das commodities agrícolas,
além de recursos escassos para o crédito agrícola.
MEDIDAS INSUFICIENTES – Para o presidente
da Ocepar, João Paulo Koslovski, as medidas anunciadas
recentemente pelo governo são insuficientes. Duas delas
tem sua eficácia questionada pela Ocepar. Uma diz respeito
ao financiamento para integralização da cotas partes
das cooperativas. Trata-se de um financiamento para capitalização
e que proíbe a sua utilização para o pagamento
dos débitos dos cooperados. A questão, é
que o produtor continua com débitos vencidos e os agentes
financeiros alegam não ter recursos financeiros disponíveis
para essa linha de crédito.
A segunda medida, que consiste na utilização de
recursos do FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador), foi disponibilizado
apenas para municípios em estado de emergência, que
no Paraná são apenas 40. O governo liberou recursos
do FAT para que os fornecedores de insumos possam prorrogar o
prazo para a quitação das dívidas dos produtores.
Porém, enquanto o produtor teria mais prazo, até
2 anos, para pagar sua dívida com juros de 8,75% ao ano,
o fornecedor estaria pagando 9,75%, mais TJLP e o spread bancário.
E o fornecedor resiste em arcar com o ônus da equalização
desses juros e do spread. “Tanto as cooperativas como também
os produtores não têm recursos para sustentar o preço
dos produtos, por falta de crédito para a comercialização
da safra”, explica Koslovski.
RECURSOS INSUFICIENTES – O presidente da
Ocepar lembra que o governo federal prorrogou o vencimento dos
contratos de custeio e dos investimentos. Mas o problema, ressalta
o dirigente, é que essa decisão contempla apenas
o crédito rural, enquanto que a maior parcela do plantio
é custeada com recursos de mercado. “O que o governo
fez foi no âmbito do financiamento agrícola, os demais
produtores ficaram descobertos. Precisamos ter, o mais rápido
possível, liberação de recursos suficientes
para que atendam tanto aos produtores como as cooperativas”,
lembra Koslovski.
TRATORAÇO
Com o objetivo de demonstrar ao poder público e
a sociedade os problemas enfrentados pelo setor do agronegócio,
produtores rurais de todo o Brasil planejam uma marcha a
Brasília. Será um protesto contra a falta
de ações e de apoio contra a crise que atinge
atualmente a agropecuária brasileira. Centenas de
cooperados da Coamo também estarão presentes
em Brasília, juntamente com a diretoria da Coamo,
pressionando o Governo Federal no dia 29 de junho.
Esta manifestação, batizada por “Tratoraço
- Marcha a Brasília”, acontecerá com
uma grande carreata pelo Eixo Monumental, passando pelo
Palácio do Planalto e chegando em frente ao Congresso
Nacional. |
OCB e OCE’s pedem medidas emergenciais


A Organização das Cooperativas Brasileiras
(OCB), com a participação dos presidentes
das organizações estaduais de cooperativas,
realizarou uma importante reunião no dia 20 de junho
quando, juntas, elaboraram um documento reivindicatório
de pleitos em socorro da agricultura que foi enviado aos
ministérios da Agricultura, Fazenda e do Planejamento,
à Comissão de Agricultura da Câmara
dos Deputados e à Frencoop (Frente Parlamentar do
Cooperativismo). As lideranças cooperativistas reivindicam
a adoção de medidas emergenciais de apoio
à produção e comercialização
agropecuária. Estão entre os principais pleitos,
a criação de uma linha de crédito destinada
às cooperativas agropecuárias, com recursos
do MCR-6.2, para capital de giro com juros de 8,75% ao ano.
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