Opinião     



Editorial:

Medidas emergenciais já!

ENGENHEIRO AGRÔNOMO JOSÉ AROLDO GALLASSINI, DIRETOR-PRESIDENTE DA COAMO

A agricultura brasileira está enfrentando uma das suas piores crises, motivada pela grande estiagem da safra deste ano que afetou principalmente as lavouras do Sul e Centro-Oeste, e também pelo forte aumento nos custos de produção, queda nas cotações de commodities, descapitalização e endividamento dos produtores.

Para sensibilizar o Governo Federal participamos no dia 31 de maio em Londrina, juntamente com lideranças do estado, de uma grande mobilização que reuniu 12 mil produtores paranaenses. A Coamo esteve presente com cerca de mil cooperados representando todas as regiões da sua área de ação. Na oportunidade foi elaborado a ‘Carta do Paraná’ reivindicando medidas emergenciais para enfrentar a crise no campo relacionadas aos efeitos da seca, desvalorização do dólar e queda nos preços das commodities agrícolas, além de recursos escassos para o crédito agrícola.

Os agricultores estão vivendo grandes dificuldades este ano em função do elevado custo de produção, já que adquiriram seus insumos com o dólar a R$ 3,20 e hoje estão comercializando sua produção com o dólar a R$ 2,37, não havendo necessidade de maiores explicações quanto aos reflexos que essa situação está ocasionando em relação aos preços e as exportações do agronegócio brasileiro.

Em virtude dessa situação caótica, a Coamo possibilitou a prorrogação de débitos aos cooperados com dificuldades sem juros subsidiados do Governo Federal. Prorrogação que foi realizada de acordo com a política de acerto de contas definida pela Diretoria da Coamo, evitando-se assim a inadimplência dos produtores. Mas, reafirmamos novamente aos cooperados que havendo a liberação por parte do governo de recursos com taxas de 8,75% ao ano e prazos de alongamento definidos - estamos lutando muito para que isso aconteça, faremos o repasse ao quadro social respeitando-se a proporcionalidade dos recursos que vierem a ser contratados.

“A Coamo sempre esteve e estará ao lado dos seus cooperados, seja nas horas boas ou ruins, buscando sempre o melhor para o sucesso das suas atividades”

Realizamos também o parcelamento dos débitos vencidos em até 5 vezes para os cooperados que têm produção entregue na Coamo e pretendem esperar por melhores preços para comercializar sua produção, além dos EGF´s normais liberados pela cooperativa.

Assim, seguindo a sua filosofia e o compromisso de estar sempre ao lado dos seus cooperados a Coamo implantou essas medidas especiais visando a prorrogação dos débitos com análise ´caso a caso´. Não temos conhecimento que alguma outra cooperativa ou empresa tenha efetuado medida como esta realizada pela Coamo. Um benefício que privilegia aqueles cooperados que precisam acertar seus débitos e possuem produtos depositados na cooperativa, aguardando a melhor opção de venda para saldar seus compromissos. Porém, como não se consegue agradar a todos, infelizmente, alguns produtores não reconheceram esta iniciativa da diretoria da Coamo, por alguns motivos, como por exemplo, devido ao seus níveis de endividamento acima das suas capacidades, oriundos de arrendamentos.

Precisamos resolver estes problemas e começar a pensar na nova safra, porque o que sabemos fazer e bem é plantar e produzir alimentos para o Brasil. O Governo Federal anuncia para breve o plano safra 2005/2006 e o agronegócio aguarda por volumes e políticas que apóiem e incentivem a retomada e a recuperação da atividade em face dos prejuízos contabilizados. Aguardamos também pelo mercado de insumos, cujos preços não reduziram na mesma proporção que a queda do dólar; esperamos que os custos dos insumos sejam de acordo com os preços dos produtos para que não haja a repetição do que aconteceu neste ano com custos elevados e preços baixos. Assim, é preciso que os custos sejam compatíveis com a realidade do mercado da produção.

Esperamos que haja sensibilidade por parte do Governo Federal em atender e implantar medidas emergenciais para a agricultura brasileira, já que as medidas anunciadas não saíram do papel e necessitam de ajustes para que seja efetivamente implantada em prol dos produtores necessitados. Nesse sentido, estaremos junto com os cooperados da Coamo e também com os produtores de todo o Brasil e entidades representativas da cadeia produtiva no ‘Tratoraço – Marcha a Brasília’ no dia 29 de junho para pressionar o Governo Federal visando resolver os problemas do setor e mostrar mais uma vez a nossa força e importância da nossa atividade para a economia nacional.

Desta forma, estamos fazendo a nossa parte reivindicando e lutando incessantemente por dias melhores como tem sido ao longo dos 35 anos de existência da Coamo. A diretoria tem trabalhado fortemente em prol dos mais de 19 mil cooperados, sempre esteve e com certeza estará sempre ao lado dos cooperados seja nas horas boas ou nas horas ruins como estas que estamos enfrentando, buscando o melhor para o sucesso dos cooperados nas suas atividades.


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