Bovinos:
Olho vivo na mineralização
SAIS MINERAIS PROTÉICOS E ENERGÉTICOS
SÃO PRODUTOS QUE PODEM FAZER A DIFERENÇA NO
REBANHO

A grande dificuldade observada em nosso país de
clima tropical, para a produção de carne em
sistema de pastejo, é a ocorrência da estacionalidade
fisiológica das plantas forrageiras perenes de verão.
São verificadas grandes oscilações
de produtividade no decorrer do ano, onde observa-se no
período da primavera e verão altas produções
de forragens, e no outono e inverno redução
de produtividade chegando à 20% do período
das chuvas. Esta ocorrência, normal devido a estacionalidade
das forragens perenes de verão, influenciam de forma
primordial na produção animal, causando o
efeito escada, engorda no período das chuvas e emagrece
no período da seca.
Além do déficit em quantidade de forragem,
no período seco do ano, que vai de final de abril
até início de outubro, temos um outro grande
problema que é a queda dos valores nutricionais das
forrageiras de verão devido a sua sazonalidade, pois,
o ideal seria uma constância na quantidade e digestibilidade
de alguns ingredientes indispensáveis para os animais,
como por exemplo o teor de proteína ser sempre acima
de 7% da total de matéria seca alimentar ingerida
e que a relação entre os nutrientes digestíveis
totais e a proteína bruta do alimento seja sempre
abaixo de 7. Isto porque os microorganismos existentes no
rúmen (câmara fermentadora e disponibilizadora
de nutrientes para o bovino) só são eficientes
quando chegam até eles alimentos com níveis
de proteína bruta superiores a 7%, pois, necessitam
deste teor de proteína para realizarem a digestão
enzimática das forragens ingeridas e assim consequentemente
disponibilizarem proteína e energia para a mantença
e desempenho dos animais.
As pastagens tropicais, no período seco do ano, não
suprem as exigências descritas acima para que se tenha
linearmente no decorrer do ano uma produção
satisfatória na pecuária de corte, ocasionando
o costumeiramente visto, animais com idade avançada
ao abate, fêmeas apresentando idade avançada
ao 1° parto, aumento do intervalo entre partos, desmama
de bezerros leves, etc.
Para contornarmos este problema de déficit nutricional
sazonal, uma das alternativas é lançarmos
mão do uso da suplementação de misturas
protéicas e energéticas, que possuam em suas
formulações teores de 30 a 60% de equivalência
protéica. Estes suplementos irão equilibrar
o déficit nutricional do período.
Algumas ressalvas devem ser observadas antes de se utilizar
uma formulação de sal mineral protéico
e energético, as quais são: disponibilidade
de forragem para ser ingerida, pois, a microbiota ruminal
precisa não só de proteína mas também
de energia para utilizar esta proteína e disponibilizar
os nutrientes para o bovino; quantidade suficiente de cochos
(10 cm. lineares/cabeça); palatabilidade da mistura
mineral.
Notamos que vários fatores interagem entre si nos
dando informações para a correta utilização
da suplementação em questão.
De acordo com a estrutura da pastagem (quantidade) e área
linear de cochos iremos optar por uma mistura mineral protéico
e energética com 30% ou 60% em equivalência
protéica, e com valores altos ou baixos em nutrientes
digestíveis totais. Se a pastagem está com
pouca disposição de massa, deve-se optar por
um sal mineral com teor alto de energia, mas, quanto à
infra-estrutura, deverá ter quantidade suficiente
de cochos, pois, os animais irão ingerir uma quantidade
maior da mistura, podendo chegar a 500 gramas/dia. Caso
a pastagem tenha boa disposição de massa,
que supra a quantidade de nutrientes digestíveis
totais necessários para a microbiota ruminal, opta-se
por um sal mineral com teor baixo de energia, onde os animais
irão ingerir em torno de 80 a 130 gramas/dia, e poderá
utilizar cochos com 2 cm. lineares/cabeça.
Quanto ao equivalente protéico da mistura mineral,
se o utilizado for a mistura mineral com ingestão
de 500 gramas/dia, poderá esta mistura ter 30% de
proteína bruta e caso a ingestão seja de 130
gramas/dia, opta-se por mistura com teores de até
60% de proteína bruta.
Ao realizar o planejamento da utilização da
mistura mineral protéico energética para o
seu rebanho, deverá o produtor avaliar com cuidado
em sua propriedade os itens de observação
descritos acima para obter os benefícios que a suplementação
estratégica traz, pois, este benefício almejado
dependerá de um grupo de fatores que se interagem
entre si, sendo eles, o produto correto a ser utilizado,
as condições de fornecimento deste, a disponibilidade
de forragem e qual o manejo de pastejo será utilizado.
Seguindo-se estes parâmetros técnicos, o observado
será desde a manutenção de determinadas
categorias animais até ganhos de peso ao redor de
500 gramas/animal/dia, viabilizando desta forma o ciclo
de produção da atividade de pecuária
de corte no período crítico do ano.
Hérico Alexandre Rossetto, médico- veterinário
do Detec da Coamo em Campo Mourão
Abelardo Luz:
Leite com sabor de vitória
PRODUZINDO, COM O APOIO DA COAMO, O COOPERADO VALNI
TACCA SENTIU O DOCE GOSTO DO SUCESSO
Nas horas difíceis, quando por falta de apoio técnico
a lavoura não rendia e a produção leiteira
era pequena, o cooperado Valni Basílio Tacca, de
Abelardo Luz (Extremo-Oeste de Santa Catarina), sempre recorreu
a uma atividade extra-campo para garantir a sobrevivência
da família. Foi como leiteiro que ele começou
a mudar a realidade da propriedade. Ao observar, diariamente,
o trabalho dos demais agricultores que faziam parte da sua
linha de coleta Tacca tomou uma decisão: buscar apoio
técnico para verticalizar os resultados das atividades
do sítio.
A virada aconteceu há 5 anos. Na época, os
32 alqueires do cooperado já eram explorados com
agricultura e a pecuária de leite. Porém,
sem muita eficiência. “A produtividade das lavouras
eram baixas, assim com a produção leiteira.
Faltava informação e recursos para investir”,
lembra Tacca. Com um total de 15 vacas, a produção
não passava de 220 litros de leite por dia. “Não
havia como aumentar o plantel e muito menos a produtividade
dos animais. Faltava comida”, completa o cooperado.
DO PROBLEMA À SOLUÇÃO –
A primeira visita que o médico veterinário
Tarcisio Spring de Almeida, do Detec da Coamo em Abelardo
Luz, fez à propriedade de Tacca foi para solucionar
um problema reprodutivo nos bovinos. “Nem imaginava
que aquele contato seria a solução para o
meu sítio”, revela o cooperado. O técnico
constatou que a maior dificuldade do produtor estava no
fornecimento de comida aos animais. “A orientação
foi para que ele fizesse uma adubação nas
pastagens, já que o maior problema era o verão,
nas áreas de pastagem perene”, conta Almeida.
Com apoio da Coamo, Tacca financiou o equilíbrio
da fertilidade das áreas de pastagem e ficou surpreso
com o resultado: “poderia pagar o financiamento, se
quisesse, depois de 3 meses que apliquei os corretivos,
só com o aumento da produção leiteira”,
ressalta o produtor.
Quando viu o resultado prático, o cooperado se animou
e resolveu partir para melhorar o solo de todo o sítio.
“Orientamos para esta atitude, uma vez que a nossa
idéia, que hoje está se tornando realidade,
era implantar aqui um ponto de referência na aplicação
da tecnologia de integração agricultura/pecuária,
com o leite”, revela o engenheiro agrônomo José
Carlos de Andrade, do Detec da Coamo em Abelardo Luz. Assim,
como Almeida, ele acompanha todos os passos de Tacca, desde
então, e tem planilhado os bons resultados do cooperado
na pecuária e na agricultura. “A produtividade
média das lavouras também cresceu nos últimos
anos, chegando a atingir 120 sacas de soja e 400 de milho,
por alqueire”, salienta Andrade.
ESTRATÉGIA – Hoje o cooperado
pensa diferente. Ele entende que a diversificação
de atividades exige investimentos para oferecer lucro. Assim,
foram montadas as áreas de pastos de verão
com variedades como o capim elefante pioneiro; trevo branco,
vermelho e cornichão; e gramas tifton e hermátria
(Flórida branca). “Buscamos atender todas as
necessidades dos animais, nas várias fases da produção”,
explica o veterinário Tarcisio Almeida.
No inverno os animais são manejados para se alimentar
de aveia e azevém, cultivados na área destinada
às lavouras. O cooperado também oferece aos
animais um complemento de silagem de milho e ração
específica.
PLANTEL DOBRADO – Da área
total do sítio (35 alqueires), dez são destinados
à pastagem perene de verão. E o espaço
que antes abrigava apenas 15 animais hoje supre as necessidades,
com folga, de 75. “São 35 vacas em lactação
e o restante são novilhas”, informa Valni Tacca,
que hoje chega a retirar, diariamente, 700 litros de leite
do seu plantel. “O plantel cresceu, mas a média
de produção por animal também foi incrementada,
em 50%”, comemora. A meta do produtor é abrigar
50 vacas em lactação, na mesma área
de pastagem, e atingir uma produtividade média diária
de mil litros de leite.
MANEJO EFICIENTE
PRODUZINDO, COM O APOIO DA COAMO, O COOPERADO VALNI
TACCA SENTIU O DOCE GOSTO DO SUCESSO
Depois que a propriedade passou a ganhar mais em eficiência
a parceria do cooperado Valni Tacca com a Coamo só
fortaleceu. Hoje, todo o manejo do rebanho e as decisões
sobre os cultivos do sítio são tomadas com
base em um bate-papo aberto com os profissionais do Detec
da cooperativa. “Tudo é planejado para que
as atividades possam alcançar o máximo de
resultados e rendimento”, esclarece Tacca.
Com o crescimento da atividade leiteira, o produtor teve
que investir também na estrutura do sítio.
Construiu uma nova mangueira, com sala de espera e ordenha
mais adequadas ao conforto dos animais. Também implantou
um conjunto de ordenha mecânica com canalização
direta do leite para o resfriador, aumentando a qualidade
do seu produto.
Além da família, o cooperado emprega outras
quatro pessoas no sítio. E apesar do sucesso ele
não abandonou a atividade de coleta de leite. Pelo
contrário, também incremento a alternativa.
Comprou outro caminhão e abriu uma nova linha de
coleta, empregando mais uma pessoa. Ao todo, Tacca transporta
uma média de 6,5 mil litros de leite por dia, o que
garante a ele uma renda extra no final de cada mês.
VISITAS – A nova visão de
trabalho, implantada pelo cooperado com apoio da Coamo,
também tem despertado interesse de outras pessoas,
que vão até a propriedade para verificar as
mudanças feitas na prática e adotar o projeto
como modelo. São visitas de estudantes, profissionais
da assistência técnica pública e privada,
além de outros agricultores. A propriedade de Tacca
acabou se transformando em referência para a região.
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