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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 351 | Junho de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Alternativa/Novidade

Plantio de mandioca na palha

Cooperado de Araruna acerta ao fazer a opção pelo cultivo da raiz no sistema de plantio direto

A importância econômica da cultura da mandioca está na produção de raízes que representa o valioso alimento. Muito utilizada na fabricação de produtos alimentícios ou de aplicação industrial e até mesmo produção de álcool, hoje em dia o cultivo da mandioca é explorado em todo o território brasileiro, em todos os países sul e centro-americanos e até nas Antilhas.

Há cerca de 40 anos essa cultura faz parte da vida do cooperado José Custódio Oliveira, de Araruna, região Centro-Oeste do Paraná. Ele conta que depois de ter experiências com o cultivo do café e arroz, entre outras, optou pela mandioca e desde então sempre trabalhou com a cultura, que tem sido o ponto de equilíbrio na propriedade. De alguns anos para cá José Oliveira faz uma espécie rotação de mandioca e soja e os resultados são significativos.

A importância da mandioca no sítio do cooperado é tanta que ela tem sido, de forma indireta, a principal fonte de renda de toda a família, entre filhos e irmãos. Antes ele e os irmãos plantavam mandioca e vendiam para as farinheiras da região. Hoje, junto com dois irmãos, ele possui sua própria fábrica e toda a produção é industrializada na propriedade, onde está instalada a farinheira da família. Eles produzem além da farinha o polvilho doce e azedo.

Mas os irmãos são sócios apenas na farinheira, as lavouras cada um conduz a sua. Nos 50 alqueires de plantio de lavoura comercial, José Oliveira também cultiva soja, no verão. Nesta safra a oleaginosa foi plantada em 20 alqueires, enquanto que a mandioca ocupou o restante da área. A propriedade ainda possui uma área de eucalipto e pastagem, para algumas cabeças de gado, além da área de reserva.

Plantio direto - Uma novidade para o cooperado neste ano é a implantação da lavoura de mandioca em plantio direto, sugerida pelo Detec. “Comecei plantando dois alqueires em para efeito de experiência. O resultado foi tão interessante que neste ano plantei 30 alqueires e, como previsto, a lavoura se desenvolveu muito bem”, comemora.

O cooperado vem colhendo uma média de 40 a 50 toneladas de mandioca por alqueire. Produtividade está que se comparada com o preço da soja, no momento, torna o plantio da mandioca mais vantajoso, diante do fato de que,  a mandioca cobre os custos de produção e ainda paga à defasagem da soja.

Colheita facilitada - Oliveira revela que o novo sistema de implantar a mandioca facilitou, inclusive, a colheita, uma vez que a raiz acaba se desenvolvendo em menor profundidade, em razão de o solo estar mais descompactado, exigindo menos esforço na hora de arrancá-la. “A sugestão foi muito boa, facilitou a vida todos nós aqui. Nunca mais vou revirar meu solo. A assistência da Coamo me ajudou muito”, agradece o cooperado.

Desmistificado - O engenheiro agrônomo Alvimar Castelli, do Detec da Coamo, lembra que há bem pouco tempo plantar mandioca no sistema de plantio direto era um mito para os produtores da região. Hoje, a história em bem diferente. “Temos o solo bem equilibrado aqui, o que facilita bastante na produção. Até mesmo a mandioca, ao contrário do que muitos pensam, precisa de nutrientes e através de analises e um bom acompanhamento, estamos fazendo essa adubação que se soma ao plantio direto e outras tecnologias que estamos implan-tando, por isso o resultado é positivo”, finaliza Castelli.

Pesquisadores defendem volta do MIP

Praticamente esquecida pelos produtores rurais, a uso da tecnologia de Manejo Integrado de Pragas (MIP) deveria ser estimulada pelo governo. A volta do MIP é defendida pelos pesquisadores Antônio Ricardo Panizzi e Flávio Moscardi, da Embrapa, além de Lauro Morales, da Emater do Paraná.

Panizzi afirmou que, quando começou a ser utilizado no Brasil em soja, o MIP reduziu imediatamente cerca de 50% dos estragos causados pelas pragas. Mas atualmente poucos agricultores acreditam nas vantagens e estão usando a tecnologia. De acordo com Panizzi, para que esse quadro mude “é preciso que o processo do MIP avance sob a ótica do produtor”. Na visão do pesquisador, os agricultores se queixam de que a tecnologia chega até eles de uma forma pronta, que muitas vezes desconsidera sua realidade.

A criação de um fórum, em forma de reuniões ou encontros periódicos, é uma alternativa para tentar fazer com que o MIP volte a ser praticado por mais pessoas. Para Moscardi, não adianta discutir com os diversos setores (pesquisa, extensão rural e agricultores) se não houver recursos financeiros para a implantação das soluções que podem revigorar a tecnologia no país.

Embrapa lança Manual de identificação de pragas da soja

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária lançou o “Manual de identificação de insetos e outros invertebrados da cultura da soja”. A publicação promete facilitar a campo a identificação das pragas que afetam a cultura da soja. A identificação da espécie, facilitadas pelas imagens da publicação, permite obter informações adicionais existentes sobre as pragas, facilitando a decisão de controle. A publicação reúne informações sobre 36 pragas e pode ser adquirida na Embrapa Soja, por R$ 10,00, pelo telefone (43) 3371-6119.