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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 351 | Junho de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Gestão Rural

Nova geração de agricultores

Mais profissionais, jovens cooperados mudam conceitos e atitudes para o desenvolvimento das suas atividades no campo

Neste cenário de globalização, a administração rural, com ênfase para o planejamento, é fator fundamental para o desenvol-vimento da atividade agro-pecuária. Neste contexto, os produtores têm a consciência de que a propriedade rural deve ser encarada como uma empresa, com forte preocupação para a redução de custos e o aumento da lu-cratividade, pensando e agindo como empreendedores rurais.

Assim, uma nova geração de agricultores começa a despontar no campo. Mais profissionais, eles mantém o foco no controle de custos e planejamento racional das ações do sítio, buscando uma maior eficiência no negócio.

É o caso do  cooperado Leandro Hoppen, que se associou à Coamo em 1991 no entreposto de Mangueirinha. Ele é um jovem determinado e empreendedor que acredita na força do trabalho, da união e do gerenciamento empresarial como ferramentas do sucesso na atividade agrícola. Neto de alemães e terceira geração da família Hoppen, Leandro está no comando dos negócios da Fazenda Chopin, localizada em Honório Serpa, região de Coronel Vivida, no Sudoeste do Paraná.

Ele é um dos bons exemplos desta nova geração de agricultores que vem fazendo um bom planejamento, visando bons resultados na agricultura. Há 16 anos formou-se engenheiro agrônomo e desde então está a frente da propriedade, onde cultiva  soja, milho e trigo numa área de 600 hectares, além de erva-mate e eucalipto. Sua propriedade conta com uma área de 27% de reserva legal e outros 13% são de preservação permanente.

Cultura - A propriedade dos Hoppen é gerenciada como uma empresa. Há distribuição de tarefas entre os familiares e reuniões semanais para prestação de contas e apresentação das atividades desenvolvidas. “Faço parte de uma cultura alemã que nos ensina que devemos acompanhar as ações e fazer o trabalho com cautela”, explica.

Habitualmente, o cooperado faz o levantamento, o controle e o acompanhamento dos custos da sua propriedade. “Faço isto para saber, detalhadamente, o custo da minha produção e estabelecer o tamanho do meu lucro. Assim, posso  vislumbrar a viabilidade da fazenda”, acredita.

Para Leandro Hoppen, que integrou a 7ª turma do curso de Formação de Jovens Líderes Cooperativistas da Coamo, em 2003, os produtores brasileiros convivem com uma economia de muita oscilação, ora para cima, ora para baixo. “Desta maneira, comercializo a minha produção em função de custos, para buscar uma boa média ao final da safra”, recomenda.

Exemplo - Leandro Hoppen lembra que o começo de tudo deve ser a educação, que é a base para um melhor aprendizado e estruturação social e profissional. Filosofia que ele aprendeu com o seu avô, Laurindo, que aos 82 anos ainda acompanha de perto os negócios da família. “Meu avô tem um computador na cabeça. Ele sabe quanto entrou de produto na 1ª safra, quanto temos de estoque e quanto custou. É fantástico!”, considera, justificando de onde vem a sua inspiração para atuar como produtor e empresário rural.

O cooperado tem na assistência da Coamo o apoio necessário para condução das suas atividades, o que faz questão de destacar. “Tenho na Coamo um exemplo de empresa. Ela é séria e nos fornece tudo o que precisamos”.

Para superar a crise, o produtor deve trabalhar com tecnologia e se possível, com diversificação na sua propriedade. “É muito importante a diversificação, assim quem gosta de pecuária tem que criar gado, suíno e aves. Mas o segredo é gostar da coisa. No meu caso tenho a erva-mate (242 hectares) e o eucalipto (72 hectares) como diversificação. Sempre digo que o meu gado é a erva-mate”, comemora.

O cooperado pratica ações que considera fundamentais para a gestão rural. “Primeiro precisamos conhecer bem o nosso negócio, fazer um bom controle e planejamento, além de estar atento ao mercado e visualizar o futuro. Também temos que fazer contas para saber o valor e os custos do nosso  negócio. E aliado a isso temos que ser competentes, ter ousadia e coragem. Enfim, temos que fazer a nossa parte e torcer para bons preços e regularidade no clima”, assegura.

Um olho nos custos e outro na produção

Quando o agricultor Marcos Simões Veiga iniciou em 1998 a sua participação na 1ª turma do curso de Formação de Jovens Líderes Cooperativistas da Coamo não imaginava a trans-formação que ocorreria em sua vida de agricultor. “Sem dúvida alguma fiquei muito feliz em ser convidado para este curso. Aprendi a ouvir mais, a importância do planejamento e o controle de custos no dia-a-dia da minha lavoura. Abri a minha mente e praticando os ensinamentos tornei-me um agricultor mais consciente e empreendedor”, avalia.

Marcos Veiga é proprietário de uma área de 65 alqueires no Sítio Campina, na localidade de Canjarana, em Mamborê, região Centro-Oeste do Paraná, onde nasceu há 38 anos. Ele é um dos filhos do agricultor José Batista Veiga e vive tranqüilo na propriedade com boa qualidade de vida, onde ao lado do pai e do irmão (Márcio), cultivam juntos uma área de 240 alqueires. Ele destaca a importância da orientação repassada pelo Detec da Coamo, desde a escolha das sementes e o planejamento dos insumos até o plantio e a colheita.

Mesmo com os problemas enfrentados nesta safra com a estiagem, o produtor colheu 132 sacas de soja numa área de 45 alqueires e 270 sacas de milho em 20 alqueires, que foi inferior a produção verificada em 2003/04, com 360 sacas de milho por alqueire.

Gerenciamento eletrônico – Segundo informa o jovem agricultor de Mamborê, o controle de custos e o gerenciamento dos recursos são imprescindíveis para o êxito na agricultura. Pensando nisso, é que há 2 anos ele vem utilizando o sistema SAP – Ocepar Campo, uma ferramenta que possibilita com o uso da informática o controle dos gastos na propriedade e o registro das receitas e despesas. “Antes tudo era feito na caderneta e a gente tinha que fazer contas na mão. Como tudo evolui, hoje em dia o computador faz as contas sozinho e temos o resultado na hora. Por isso, o agricultor tem que ser profissional e bem informado para decidir o que e como plantar, como e porque vender”, argumenta Veiga, que mudou o seu jeito de trabalhar após fazer parte da primeira turma do curso de líderes em 1998, que já foi premiado pela OCB - Organização das Cooperativas Brasileiras e revista Globo Rural, como o melhor projeto de educação cooperativista do país.

Dinamismo – “O mercado agrícola e o clima são instáveis, que alternam bons e maus momentos. E os resultados nem sempre são o que desejamos. Por isso é muito bom ter o apoio da assistência da Coamo para nos orientar”, salienta o cooperado que coleciona mensalmente há 11 anos os exemplares do Jornal Coamo, como fonte de informação.

Veiga diz ter reforçado seus conceitos com a convivência junto a seu pai, que também nasceu na mesma propriedade, há 65 anos. “Graças a Deus estamos bem e evoluindo, crescendo sempre com os pés no chão. Diante das adversidades precisamos ser antes de mais nada empreendedores e ter visão de futuro. Gastar somente o necessário, tendo o controle total dos gastos para não comprometer a nossa produção. No campo, precisamos diminuir custos, mas esta redução não significa plantar soja sem adubo, sem tecnologia, mas planejar melhor para produzir bem”, assegura.

Caminho é controlar recursos

Família de Pitanga segue as recomendações técnicas da Coamo e contabiliza evolução à frente dos negócios da fazenda

Os irmãos Cezar Luiz Schon, Orlando e Mário Rank são associados da Coamo em Pitanga, no Centro do Paraná, desde o início da década de 80. Passados mais de 20 anos, este mesmo caminho está sendo seguido pelos filhos Róbson, Ricardo e Wagner, que já estão apoiando-os no dia-a-dia da agricultura da família na região.

Tudo começou quando a família, em 1983, adquiriu 12 alqueires. “Foi o início de tudo. Percebemos que a se juntássemos os esforços teríamos mais sucesso. E desde aquele momento tivemos a Coamo ao nosso lado. Isto foi decisivo para a organização e o planejamento da nossa atividade”, lembra Cézar Luiz Schon, mais conhecido na região como “Viquinho”.

Segundo ele, o produtor deve ser antes de mais nada um empreendedor rural. Mas para conseguir este objetivo precisa conhecer  bem a sua propriedade e saber da sua potencialidade, ou seja, até onde e como pode avançar para obter lucratividade.

“O produtor não pode errar para plantar, caso contrário, ele pode estar caminhando para ficar de fora da agricultura”, afirma Schon. Ele defende esta posição na medida em que estava planejando semear nesta safra de inverno uma área de 100 alqueires com trigo. Mas, após analisar melhor os custos e observar as tendências de mercado, resolveu plantar somente 50 alqueires. Completa a safra de inverno na propriedade o cultivo de uma área de 16 alqueires de feijão, como alternativa de diversificação.

“Precisamos analisar e sempre rever o plantio, pois uma safra é diferente da outra. Se for o caso, dependendo de vários fatores como clima e comercialização, podemos aumentar ou até diminuir a área plantada”, pondera.

Os cooperados administram em Pitanga uma área de 350 alqueires de soja e 61 de milho, no verão, onde colheram médias de 127 sacas na soja e 367 sacas no milho, por alqueire.

Segundo Cezar Schon, a eficiência na propriedade rural passa obrigatoriamente pela gestão e pelo controle dos recursos. “Temos que estar atentos aos nossos custos, saber o quê e onde gastamos, comprar somente o necessário, fazer contabilidade, gerenciar e administrar bem o nosso negócio”, explica.

Diversificação - A suinocultura é uma das alternativas encontradas pela família para agregar valor à produção (a outra é a criação de gado de corte). Desde 1998 eles são integrantes do Projeto de Suinocultura da Coamo, onde terminam 1.200 suínos em uma granja e em outra unidade possuem 500 matrizes, com produção média de mil leitões/mês.

Para Cezar Luiz Schon que está a frente dos negócios da família na Fazenda Três
Irmãos, e participante da 4ª turma de jovens líderes cooperativistas da Coamo em 2000, o produtor  tem que gostar do que faz e diversificar suas atividades para incrementar renda ao seu negócio. “Tivemos anos bons anteriormente, estávamos acostumados com bons preços e hoje o panorama é outro. Temos que ser mais competitivos, ter gestão e fazer as contas para que possamos acompanhar os nossos custos e aumentar as nossas produtividades”, conclui.

Cautela e gerenciamento

“Na agricultura, ganhar dinheiro com a soja valendo R$ 50,00 a saca é fácil. O difícil é ganhar dinheiro com a soja a R$ 25,00”, analisa o cooperado Celso Isoton, da Linha Gramado, em Toledo, no Oeste do Paraná. Ele aponta para a necessidade do produtor fazer a sua parte, plantar com tecnologia, diminuir seus custos de produção e administrar a sua terra como se fosse uma empresa, verificando sempre os investimentos e as despesas.

Isoton nasceu e mora até hoje na Linha Gramado, onde ao lado do pai (Laurindo) e do irmão (Semir) vive da agricultura. Planta 68 alqueires na safra de verão com soja e milho, e no inverno semeia milho safrinha, aveia e trigo, evitando com que a terra fique descoberta. “No início tínhamos 12 alqueires de planta, fomos nos estruturando até adquirimos máquinas para o plantio e a colheita. Temos uma propriedade diversificada, com vacas de leite que garantem o leite nosso de cada dia e uma granja de suínos desde 1983. Com o suíno só cruzamos crises nos últimos anos mas nunca paramos, por isso é que costumo dizer que temos 100 matrizes na alegria e na tristeza”.

A família Isoton segue as recomendações técnicas da assistência Coamo e contabiliza evolução a frente dos seus negócios, principalmente após a chegada da cooperativa à região em 1985. “No primeiro ano que associamos à Coamo, em 1996, colocamos calcário e já tivemos um grande resultado: colhemos uma média de 137 sacas de soja por alqueire. E olha que não tínhamos ainda o sistema de plantio direto”, lembra o cooperado.

O cooperado valoriza o uso da tecnologia para o sucesso das suas lavouras, principalmente após as perdas e os problemas verificados com as últimas safras. “Este ano foi o pior para a agricultura. Tivemos uma grande estiagem e uma chuva de pedra que caiu na primeira quinta-feira de janeiro, prejudicando 24 alqueires de soja”, lamenta, informando que nesta área colheu 107 sacas de soja e 257 sacas de milho por alqueire. Bem diferente da safra 2003/04 onde as produtividades na soja atingiram 160 sacas por alqueire.

“Em épocas de bons preços e produtividades satisfatórias o produtor deve conter a euforia e a ansiedade”, afirma o cooperado. Desta maneira o custo de produção passa a ser fator decisivo para a lucratividade e assim colaborar para que o ideal aconteça, ou seja, que o produtor possa contar com uma reserva de capital de uma safra para a outra e evitar maiores dissabores.

Para o cooperado, que integrou a 8ª turma de Jovens Líderes Cooperativistas da Coamo, em 2004, a agricultura é seletiva e o sucesso na atividade depende de como administrar e gerenciar a produção e a propriedade. “Temos que ter muita cautela como sempre o Dr. Aroldo nos ensina, e adiar a implantação de novos investimentos se for o caso. Tenho a certeza de que não há mais espaço na agricultura para os chamados ‘aventureiros’”, assegura