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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 351 | Junho de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Milho

Foco no potencial de produção

Para explorar melhor a carga genética da planta, produtor deve levar em conta as características ambientais da região

O melhoramento genético tem obtido grande avanços na ampliação da capacidade de produção do milho. No entanto, o potencial máximo da planta ainda não vem sendo totalmente explorado pelos produtores rurais, principalmente em função de que a maioria deles não levam em consideração as características ambientais próprias de cada região. “É fundamental que o agricultor utilize as informações geradas pela pesquisa para otimizar a produção”, afirma o professor Antonio Luiz Fancelli, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP). Fancelli é professor do curso de agronomia da Faculdade, na cadeira de Plantas Alimentícias, do Departamento de Produção Vegetal.

O alerta feito pelo pesquisador está relacionado diretamente com a ansiedade dos agricultores em plantar a lavoura de milho verão cada vez mais cedo, de olho numa segunda safra no período. “A semeadura muito precoce, em setembro, por exemplo, pode acarretar problemas de estabelecimento da planta, uma vez que submete a planta de milho a temperaturas mais baixas e a falta de água, refletindo na produtividade final da cultura”, enfatiza.

Na opinião do pesquisador, que participou de uma das etapas do programa de reciclagem do quadro técnico da Coamo, realizado recentemente, a estratégia do agricultor deve ser iniciada pela escolha adequada do genótipo (híbrido), em relação a época de semeadura e região que se planta. “É impossível termos um posicionamento comum, como uma ‘receita de bolo’, para todas as regiões”, alerta, considerando que os pontos adicionais a serem considerados pelo produtor são a altitude e a latitude, e as temperaturas máxima e mínima que ocorrem no período na região.

Fenologia – Fancelli expõe um conceito técnico que pode auxiliar o agricultor no processo da sua produção, ao falar sobre fenologia, que, segundo ele, é um instrumento de manejo de plantas para anular o efeito da época e da região em relação ao desenvolvimento da planta.

Para explicar melhor os efeitos deste conceito no campo, o professor lembra as plantas respondem aos sinais da natureza em número de horas de luz e balanço de energia. “Assim, seria impossível que se fizesse uma recomendação fundamentada em número de dias, uma vez que o desenvolvimento da plantas varia de acordo com as condições ambientais de cada região”, analisa. Desta forma, segundo Fancelli, “o produtor deveria se basear no número de folhas que a planta emite, ou seja, a idade da planta é determinada pelo seu número de folhas”. Pela orientação do pesquisador, a recomendação deve ser feita, de acordo com a fenologia, independente do local, sempre que a planta apresentasse 3 a 4 folhas abertas. “Em locais mais quentes a planta atinge este estágio mais cedo, e nas regiões mais frias um pouco mais tarde”, salienta.

Definição dos componentes da produção – O professor Fancelli também aproveitou o encontro lembrar dos momentos os componentes da produção são definidos na planta de milho. Ele disse que quando o milho apresenta entre 4 a 6 folhas ele define a produção como um todo. Entre 7 e 9 folhas, a planta começa a confirmar o número de fileiras na espiga. Entre 12 e 14 folhas, o milho confirma o número e o tamanho da espiga. E 15 dias após o florecimento, a planta confirma o peso dos grãos.

Prejuízos com o pulgão e a cigarrinha

Como em qualquer cultura, as pragas emergentes do milho também estão entre as grandes preocupações dos produtores rurais e técnicos. O principal motivo é que algumas delas deixaram de ser consideradas secundárias e passaram a representar sérios riscos às plantas. Os prejuízos na lavoura podem variar de acordo com a intensidade do ataque, chegando a uma redução de até 100% na produtividade do cereal.

No caso do milho, dois insetos estão tirando o sono dos agricultores. Eles são o pulgão e a cigarrinha, considerados sugadores da planta. O entomologista da Embrapa Milho e Sorgo, de Sete Lagoas, em Minas Gerais, José Magrid Waquil, é especialista nos dois insetos. Convidado para palestrar ao quadro técnico da Coamo, em um evento realizado recentemente pela gerência de Assistência Técnica da cooperativa, ele alerta que o problema com as duas pragas vem se agravando ao longo do tempo. “Nos últimos dois anos têm sido registrado alta incidência do pulgão e grandes prejuízos na cultura do milho. E a cigarrinha também está atacando as lavouras em grandes proporções”, afirma.

O pesquisador explica que os danos provocados pelos dois insetos estão relacionados com a transmissão de tifopatógenos (outro problema que não é o dano direto provocado pelos insetos) na planta de milho. Segundo ele, os prejuízos identificados na cultura variam de 9% a até 100%, dependendo da condição ambiental, híbridos e patógenos envolvidos.

Ataque no tarde – A cigarrinha é um inseto que só vive na cultura do milho e, por esta razão, as populações aumentam durante o desenvolvimento da lavoura. “Daí o maior ataque nas lavouras de plantios do tarde”, alerta Waquil, considerando que como o inseto é muito sensível à temperatura, a população fica relativamente baixa no final do verão e durante o outono. “É um inseto que se multiplica em várias plantas hospedeiras e quando migram para a cultura do milho podem levar patógenos que podem causar prejuízos de até 50% na produtividade da cultura”, revela o pesquisador.

Controle – Sendo dois insetos sugadores, a orientação do entomologista da Embrapa é para o uso de inseticidas que possuam efeito residual na planta, para o controle das pragas. “Nesse grupo estão os que são utilizados no tratamento de sementes, que têm efeito sistêmico e ação melhor sobre esses insetos sugadores”, orienta, acrescentando que mais recentemente outros produtos também foram lançados no mercado, e que oferecem controle satisfatório desses insetos na lavoura.

A dinâmica dos insetos é afetada por vários fatores. O ambiental é o mais importante. O pesquisador esclarece que a população do pulgão do milho é controlada por inimigos naturais, como a joaninha e a tesourinha, que são insetos que consomem uma parcela significativa da população destes pulgões. “No entanto, como o problema de lagartas tem se agravado na cultura do milho e vários produtores têm utilizado produtos poucos seletivos, é possível que parte do problema esteja associado a esta condição, causando redução da população dos inimigos naturais e explosão na população de pulgão”, resume Waquil.

Nova Santa Rosa reúne 500 em encontro técnico da soja e milho

Aconteceu dia 08 de maio, no Clube dos Idosos, em Nova Santa Rosa, o 3º Encontro de Tecnologia em Produção de Soja e Milho. O Evento, realizado pelo Detec do entreposto da Coamo no município, contou com a participação de 500 pessoas, entre elas cooperados, técnicos da Coamo de outras unidades, estudantes de agronomia e representantes Locais.

O pesquisador Antônio Luiz Fancelli, professor da Esalq - USP, destacou que o agronegócio necessita de um maior profissionalismo. O agrônomo Fernando Engler, falou sobre os três pilares para o sistema produtivo (o plantio direto, rotação de culturas e manejo). E, encerrando o encontro, o agrônomo da Coamo, Thiago Dias Gonçalves, apresentou dados dos últimos cinco anos da pesquisa sobre época de semeadura da cultura de soja.