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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 351 | Junho de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Suinocultura

Nova genética na granja

Coamo substitui reprodutores e implanta programa de inseminação artificial para ampliar atuação no mercado industrial

É justamente nos momentos de crise que se identifica o bom empreendedor. Na contramão de muitos, que nas horas difíceis costumam recuar, o segredo é avançar, buscar tecnificação e agregar qualidade para se tornar competitivo. A Coamo pensa assim. E acompanhando as inovações que envolvem a suinocultura brasileira e o próprio mercado mundial, a cooperativa tem investido pesado nos últimos anos no segmento da suinocultura.

De olho no mercado industrial, a Coamo busca a evolução na qualidade da sua produção. Certo de que a suinocultura é uma ótima forma de diversificação e melhoria de renda da pequena e média propriedade rural. Mesmo sendo uma atividade de altos e baixos, é fundamental estar preparado para a ampliação na chegada da fase boa.

Ciente de que “depois da tempestade vem bonança”, em setembro do ano passado iniciou-se uma ampla reforma na creche da granja de suínos. Além de reformada, foi totalmente atualizada com a instalação de piso plástico, comedouros automáticos, entre outras benfeitorias.

Parceria – O segundo, e mais importante passo deste investimento, é o Programa de Atualização e Melhoria Genética do Projeto Suinocultura Coamo, que está dividido em dois segmentos: troca do plantel de reprodutores da granja de suínos e montagem de uma central de inseminação. Em ambos os casos, os trabalhos foram iniciados.

Em parceira com a Agroceres PIC, realizada em janeiro deste ano, e a companhia inglesa Pig Improvement, a Coamo vai melhorar ainda mais a qualidade genética dos seus suínos e ao mesmo tempo atender a melhoria das carcaças para a industrialização. “Através da multiplicação do material genético desta empresa esperamos melhorar ainda mais a qualidade genética de nossos suínos. Essa melhoria de genética proporcionará maior porcentagem de carne magra, menor espessura de toucinho, bem como maior produtividade em nossas granjas, maior número de leitões por matriz por ano e melhor conversão alimentar, além é claro de um menor custo de produção para os cooperados suinocultores”, explica o médico veterinário Rogério Paulo Tovo, chefe do departamento de suinocultura da cooperativa.

Substituição das matrizes – Em dois anos, segundo Rogério Tovo, (de janeiro de 2006 até dezembro de 2007) 100% do plantel de “matrizes avós” da granja será trocado. Conforme ele cerca de 80 cabeças foram recebidas, das quais 25 já foram cobertas. Tovo lembra ainda que serão produzidas na Unidade  Multiplicadora as modernas matrizes Camborough 23 e os reprodutores terminadores AGPIC 409, da Agroceres PIC, que já a partir de janeiro de 2007 estarão à disposição das granjas dos cooperados suinocultores.

No mês de abril passado foi inaugurada a Central de Inseminação da Granja de Suínos Coamo, e a primeira inseminação artificial realizada logo após a inauguração, no dia seguinte. Inicialmente será atendida apenas a Unidade Multiplicadora da Coamo, uma vez que os reprodutores disponíveis são “machos avôs de linha materna e linha paterna”. “Os cooperados suinocultores iniciadores, integrantes do projeto, serão atendidos em um segundo momento, assim que forem adquiridos os machos terminadores”, explica Tovo.

Suíno super-light – A nova tecnologia chegará em breve ao integrado da Coamo. Passada a fase de treinamento e aprovação da equipe técnica da Granja Coamo, os cooperados poderá ter acesso ao moderno sistema. A cooperativa está investindo e especializando o seu Detec com o objetivo de proporcionar aos seus cooperados suinocultores, condições de produção de um suíno moderno, super-light, que os coloque na vanguarda da suinocultura brasileira.

De olho nas falhas reprodutivas das matrizes

Entre os problemas que influenciam diretamente no custo de produção de uma granja de suínos estão as falhas reprodutivas. O médico-veterinário Fernando Bortoluzzo, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), diz que no dia-a-dia das granjas é comum o criador dar maior importância para os fatores ligados à questão sanitária do plantel. “No entanto, o produtor não pode esquecer do manejo reprodutivo, uma vez que as falhas oriundas deste manejo, a exemplo das demais dentro do sistema de produção de suínos, refletem diretamente no bolso do produtor”, alerta.

Bortoluzzi dá um exemplo: “uma granja que desmama entre 18 a 20 leitões por fêmea ao ano possui praticamente o mesmo custo de produção de outra que desmama entre 22 a 24 leitões por fêmea ao ano. Então, no momento que o suinocultor consegue aumentar o número de leitões desmamados ou suínos comercializados por fêmea ao ano, ele dilui os custos fixos e melhorar as condições da sua rentabilidade”.

Características que levam às falhas – Segundo o veterinário, as falhas reprodutivas são caracterizadas pela fêmea, cobertura ou inseminada, que não pariu. “Isto pode acontecer por duas razões: porque ela retornou ao cio, após a cobertura, por abortamento, permanecendo vazia no plantel; ou quando as fêmeas acabam parindo leitões pequenos”, explica. Para Bortoluzzo, tudo está ligado ao manejo das matrizes, desde a pré-cobertura e gestacional, que são as principais fases que o produtor deve levar em conta para minimizar as falhas reprodutivas.

Índice aceitável – Eliminar o problema é impossível, mas o criador pode minimizá-lo. E quando é o assunto é o porcentual de fêmeas cobertas e que venham a parir, o produtor tem que trabalhar com uma taxa superior a 85%, ou seja, de cada 100 fêmeas cobertas ou inseminadas, no mínimo 85 tem que concluir o procedimento toda com a parição. “Alcançando este índice, o cria-dor tem condições de otimizar o manejo e subir degrau a degrau, chegando num ideal próximo a 90%”, esclarece Bortoluzzo.

Inseminação – O professor informa, ainda, que o programa de inseminação artificial é uma ferramenta que oferece maior garantia para a parte reprodutiva das matrizes. Ele sustenta que no momento que o produtor usa uma dose de sêmen de qualidade ele exclui todos os problemas que poderiam estar relacionados com o macho reprodutor, na monta natural. “A Coamo está no caminho certo em adotar este programa, que em outras unidades suinícolas do país já é uma rotina, há 10 anos”, lembra.

Para o veterinário da UFRGS, a inseminação artificial traz, entre outros benefícios, a redução do custo de cobertura e qualidade do produto, uma vez que o criador usará o sêmen de machos geneticamente superiores e que produzem leitões de melhor qualidade, com maior eficiência alimentar e que vão alcançar o período de abate mais precocemente e que também vão ter uma melhor qualidade de carcaça.

Inverno afeta suínos

Medidas devem ser tomadas para evitar o excesso de vento frio dentro das granjas e conseqüentes prejuízos econômicos com a morte de suínos.

Na gestação das fêmeas o suinocultor precisa colocar cortinas para proteger contra os ventos e facilitar a manutenção da temperatura na granja. A preocupação nas primeiras semanas de vida dos leitões também é com o conforto térmico. É que aquecidos os leitões vão mamar melhor.

Na creche, o produtor deve colocar lâmpadas mais fortes e abafadores próximos ao cocho. Os cuidados higiênicos são imprescindíveis, porém a limpeza nas instalações terá de ser a seco, para evitar problemas sanitários.

No crescimento e terminação o produtor deve dar atenção para controlar os ventos usando as cortinas, principalmente, à noite.

Doenças – O descuido pode trazer problemas como doenças respiratórias, a exemplo da pneumonia. O criador pode prevenir lançando mão do uso de vacinas.