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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 362 | Junho de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Dia Mundial da Cooperação

O cooperativismo nas ações da Família Coamo

Em evento com 500 lideranças, cooperativa expõe avanços do sistema e analisa as tendências de mercado agrícola para a nova safra

Para celebrar o Dia do Cooperativismo, comemorado oficial-mente sempre no primeiro sábado de julho, a Coamo promoveu um encontro de lideranças, com a participação de 500 cooperados. O evento, realizado no dia 22 de junho em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), já se tornou tradição na cooperativa e, neste ano, teve como tema “Cooperativismo: responsabilidade social faz parte de nossos princípios”, com destaque para a importância do movimento num mundo globalizado e da Coamo, para o desenvolvimento econômico, técnico e social de milhares de pessoas.

Valorização das lideranças – O diretor-presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, abriu o encontro e, além de enfocar os avanços da filosofia cooperativista, que teve o seu início em 1844, com os pioneiros de Roch-dale, na Inglaterra, relacionou alguns dos principais projetos da Coamo e Credicoamo, na construção do perfil social, técnico e econômico dos associados. “Como o nosso programa de formação de lideranças, que já está na sua 11ª turma, dando oportunidade para mais de 500 jovens aprimorarem seus conhecimentos no sistema cooperativista, preparando uma geração de empreendedores rurais, preparados pa-ra os desafios do segmento”, destacou Gallassini.

Dr. Aroldo disse que o cooperativismo é um movimento que se adapta a qualquer regime, valorizando, principalmente, as questões sociais. “Na Coamo, criamos uma estrutura voltada para o produtor rural. É uma união de 20 mil agricultores que só vem crescendo, sempre preocupada com a geração de novas tecnologias e agregação de renda para o homem do campo”, valorizou.

Ferrugem – Convidado para o evento, o agrônomo Joaquim Mariano Costa, responsável pela Fazenda Experimental da Coamo, atualizou as lideranças da co-operativa sobre as novidades que cercam o tema Ferrugem Asiática da Soja. Segundo Costa, os produtores tiveram uma mostra da agressividade da doença na última safra. “Com as condições de clima favoráveis, a ferrugem foi responsável por prejuízos significantivos nas lavouras de soja”, lembrou. O técnico apresentou aos cooperados um resumo dos experimentos feitos pela Fazenda Experimental, no último verão, e do Workshop Ferrugem da Soja, promovido pela Coamo em parceria com a Syngenta, quando foram padronizadas as informações para o controle da doença na região da cooperativa. “Reforçamos o que já vínhamos preconizando para o nosso quadro social, ou seja, que no caso da ferrugem a melhor forma de controlar a doença é aplicar o fungicida preventivamente”, garantiu Costa.

Cooperados comemoram – O cooperado Eleandro Marcon, de Pitanga (Centro do Paraná), disse que o cooperativismo é uma filosofia de vida para ser levada a sério e a Coamo faz isso muito bem ao lado de seus cooperados. Ele contou que é sócio da Coamo há 10 anos e que foi através do cooperativismo que começou a trabalhar na agricultura. “A Coamo é a nossa segunda família, a nossa segunda casa. Sem esta parceria acredito que seria difícil permanecer na atividade”, valorizou. Para Marco, “a filosofia do cooperativismo nos ajuda a crescer como cidadãos e a enxergar o mundo com outros olhos”.

A mesma opinião tem o cooperado Fábio Bedin, de Ouro Verde, no Extremo-Oeste de Santa Catarina. Ele também já participou do Curso de Jovens Líderes da Coamo, da qual é associado desde 1983, seguindo o exemplo da família. “Sempre trabalhamos unidos, na propriedade, e a Coamo só solidificou a nossa união familiar. A parceria que mantemos com a Coamo é o nosso meio de sobrevivência. Só assim conseguimos enfrentar os nossos concorrentes nesse mundo globalizado”, comemora Bedin.

Nadir Luiz Ceolato, cooperado em Vila Nova (Oeste do Paraná), reforça que o cooperativismo é importante para o desenvolvimento do homem do campo, porque une o agricultor em torno das tecnologias e do crescimento econômico e social. “Nasci na agricultura e como meu pai sei dar valor ao sistema cooperativista”, destacou. Como sócio da Coamo desde que a cooperativa chegou à região Oeste do Paraná, Ceolato comemora os benefícios conquistados a partir da parceria. “Os cooperados da Coamo estão sempre bem informados. Sem contar que a cooperativa é um suporte que o produtor rural tem à disposição e quando vai usar sabe que pode contar com ela”, sustenta.

E o cooperado Télcio Fritz, de Cantagalo (Centro-Sul do Paraná), também expressou a importância do cooperativismo na sua vida e como o trabalho da Coamo tem feito diferença na sua região. Fritz faz parte do quadro social da Coamo há 8 anos e revela que entre os benefícios da parceria está o bem-estar da família rural, a confiança e a credibilidade para o trabalho no campo. “Com a Coamo estou seguro, desde a compra dos insumos até a comercialização da safra. E na nossa região, a co-operativa só acrescentou. Estou satisfeito como cooperado, porque sinto confiança e credibilidade no trabalho da cooperativa, que também gera empregos diretor e indiretos e traz inúmeros benefícios para a nossa região”, destacou.

Boas notícias para a nova safra

Durante o Encontro de lideranças Cooperativistas da Coamo, os agricultores também acompanharam uma palestra sobre as tendências do mercado agropecuário pa-ra a safra 2007/2008, com o sócio-diretor da Agrocolsult, de Florianópolis, Santa Catarina, André Pessoa. O consultor enalteceu a preocupação da Coamo em levar informações para o seu quadro social, colaborando para a tomada de decisões no meio rural. “Quem tem informação tem tudo”, afirmou Pessoa, que fez uma exposição sobre as principais tendências para os mercados de milho e soja nos próximos meses.

“As notícias são boas. Mesmo com o aumento nos custos de produção e a instabilidade do câmbio, há um cenário positivo no mercado internacional, principal-mente para a soja e o milho, em função da queda dos estoques no mercado internacional”, destacou Pessoa. O consultor revelou que a que a demanda por soja e milho no mercado internacional vem sendo fortalecida pela questão da bioenergia, tanto no consumo do milho para a produção de etanol quanto no consumo da soja pra a produção de biodiesel. “Os nossos concorrentes não têm conseguido elevar a produção na velo-cidade necessária, o que abre um espaço para o aumento de preços no mercado internacional e o Brasil se aproveita um pouco disso, compensando esses aumentos de custo de produção que nós tivemos e ainda garantindo uma rentabilidade positiva para o próximo ano”, considerou.

Preços sustentados – No caso do milho, conforme comentou Pessoa, a expectativa é que a rentabilidade da safra nova não alcance os níveis da safra atual. “Mas isso é muito mais em função da subida dos custos de produção do que pelo preço do milho, que tende a continuar em patamares bastante elevados, em dó-lar, e eles devem seguir sustentados”, analisou.

Com a soja é o contrário. Segundo o diretor da Agroconsult, “apesar do crescimento do custo de produção, os preços, lá fora, reagiram mais do que os do milho, e a rentabilidade na nova safra deve ser superada, com folga, pelo que se ganhou na safra atual. Diante deste fato, a expectativa que se vê é de um plantio maior de soja, ocupando parte da área de milho, no país”.

Para Pessoa, o principal fator que confirma estas tendências é o seguinte: “os americanos tiveram uma redução muito forte no estoque de milho e fizeram um grande plantio de milho neste ano para tentar levantar a produção. E eles vão conseguir uma produção recorde, devendo alcançar 316 milhões de toneladas de milho este ano contra 268 do ano passado. São quase 50 milhões de toneladas a mais. Acontece, que o consumo americano também vai crescer para níveis recordes, devendo atingir os mesmos 316 milhões de toneladas de grãos, somando o que vai ser consumido internamente com o que vai ser exportado. Então todo o esforço que eles fizeram de acrescentar 5 milhões de hectares no plantio de milho em apenas um ano (crescimento de 15% na área plantada) é suficiente apenas para atender o crescimento da demanda. O nível de estoque que já é muito baixo neste momento, daqui a um ano vai estar tão baixo quando agora. Isso é que determina uma continuidade de preços bons de milho e uma provável ampliação de área plantada de milho nos EUA, outra vez, no ano que vem. E quando aumenta a área plantada lá, cai a de soja. Então, a produção de soja americana que vai cair este ano, deve cair de novo o ano que vem. Com isso, os estoques de soja no mercado inter-nacional vão diminuindo e o preço da soja tem respondido, subindo bastante ao longo dos últimos meses. E a nossa expectativa é que ele vai continuar subindo. E para resumir: temos um horizonte de preços firmes neste ano e uma situação favorável de preços internacional ao longo de 2008”.

Gargalo – Sobre a decisão do melhor momento para vender a produção, o consultor explicou que o produtor não deve entender uma boa comercialização como aquela em que ele atinge a venda da safra pelo maior preço do ano. A boa comercialização, na opinião de Pessoa, é aquela que é feita responsavelmente, ou seja, na medida em que os preços vão subindo e sinalizando uma rentabilidade positiva, o produtor deve ir vendendo um pouco da sua produção futura, pouco a pouco, e fazer uma média.

“Não é bom esperar passar pelo pico de preços do ano para começar a vender, porque, certa-mente, a média que ele vai fazer é para baixo”, orientou. Trabalhando desta forma, segundo Pessoa, o produtor rural dilui o risco e faz o planejamento da compra de insumos, porque já tem uma sinalização de quanto vai ser a sua receita. “O agricultor tem que fugir daquela idéia fixa de ficar imaginando que as coisas podem dar errado para os outros e certo para ele, que os preços vão subir ainda mais e que a rentabilidade será maior. Isso às vezes não funciona, porque o mercado é muito volátil, sujeito a clima e a câmbio”, alertou.

Na avaliação do consultor, nos níveis que os preços estão sendo praticados neste ano, que, segundo ele, são satisfatórios, em termos de rentabilidade prevista para a nova safra, os produtores já deveriam iniciar a comercialização da safra do próximo ano, sempre buscando fazer uma média que lhe garanta a continuidade na atividade, com uma renda adequada. “Cuidado em esperar demais para tomar as decisões, porque o momento adequado de iniciar a comercialização da safra pode passar”, concluiu.