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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 362 | Junho de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Gerenciamento

Ajuda valiosa na gestão rural

Programa Na Ponta do Lápis desperta novas atitudes nos cooperados quando o assunto é gerenciamento da propriedade

O sítio é o mesmo. Os projetos de cultivo também não mudaram. Mas o cooperado Maurício Aparecido da Silveira, de Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), é hoje uma nova pessoa, quando se trata de gestão da propriedade rural. Desde outubro do ano passado ele anota todas as receitas e despesas do sítio, através do Programa Coamo de Aperfeiçoamento em Gerenciamento Rural, o “Na Ponta do Lápis”. Silveira segue o exemplo de centenas de associados das regiões de atuação da cooperativa, utilizando o programa como uma ferramenta valiosa, operacionalizada diariamente na gestão da propriedade.

Surpresas à parte, já que Silveira nunca imaginou que os custos da propriedade fossem tão altos, principalmente levando em conta as despesas consideradas “invisíveis” – àquelas relacionadas diretamente com os gastos familiares, o produtor faz um balanço positivo da implantação do programa na propriedade, inclusive comemorando as novas atitudes de toda a família. “Através das anotações, tenho percebido a realidade financeira do sítio. Cheguei a me perguntar se os cálculos estavam realmente certos. Mas me dei conta de que foi a melhor decisão que tomei, porque hoje tenho clareza nas informações de onde e como estou investindo o meu dinheiro nas atividades da propriedade e na manutenção da família”, destaca.

A grande lição do programa, segundo Silveira, é o saber. “Esta informação real me indica se a direção está certa ou errada. Sendo assim, está sempre na minha mão a decisão de fechar ou não a torneira”, justifica, o cooperado, que já entregou o primeiro caderno com as anotações (safra de verão 06/07) e acaba de iniciar as anotações no segundo caderno, referente à safra de inverno 2007.

O cooperado cultiva uma área de 17 alqueires na região do Rio 119. Trinta por cento do sítio, no verão, recebe milho, em sistema de rotação com a soja, que ocupa o restante da área. A produtividade média de Silveira, na última safra, foi de 353 sacas de milho e 130 sacas de soja por alqueire.

Visão global do processo

O cooperado Tarcísio Albertini, de Paranaguaçu, em Boa Esperança, também na região Centro-Oeste do Paraná, é outro que valoriza o programa. “Depois que comecei a anotar as receitas e despesas passei a prestar mais atenção nos detalhes. Assim, fica mais fácil ter uma visão global da administração rural”, define.

Dona Rosa, esposa de Albertini e apoiadora nas anotações, comenta que a mudança de hábitos não foi fácil. “Exige muita vontade e disciplina, mas estamos perseguindo este objetivo, pois, caso contrário, jamais teremos o controle do que gastamos”, afirma.

Tarcício Albertini concluiu em abril os lançamentos do 1º caderno e está satisfeito com os resultados da sua nova rotina diária. “Temos que ver a propriedade como um todo, envolvendo não só os custos da lavoura, mas também as despesas que nem sempre enxergávamos”, orienta.

Na última safra de verão ele colheu média de 406 sacas de milho por alqueire – a melhor na sua história como agricultor, além de média de 135 sacas de soja por alqueire, uma das melhores já colhidas em sua propriedade, de 98 alqueires, ao longo das últimas décadas.

Nova realidade também para os cooperados do MS

A gestão da propriedade rural também é prática dos cooperados do Sul do Mato Grosso do Sul. Luiz Deliberalli, de Amambai, está entre os mais animados. Caprichoso e dedicado, o produtor faz das anotações uma das suas rotinas diárias. “Levo sempre a pasta com o caderno de anotações para qualquer lugar que vou. Assim, não corro o risco de deixar de fora nenhuma informação”, garante.

Para Deliberalli, o Na Ponta do Lápis trouxe uma visão diferente para o campo. “A maior mudança é a que se revela em nós mesmos. Este foi uma dos melhores programas já implementados pela Coamo, porque não é só fazer o produtor produzir, mas também fazer com que ele produza racionalmente”, valoriza, lembrando que já entregou o primeiro caderno de anotações (safra de verão 06/07) e iniciou o segundo (inverno 2007).

A esposa de Deliberari, Haide D’Agostin, também sentiu a diferença depois que a família passou a trabalhar com o programa. “No início foi um pouco complicado para entender os procedimentos do caderno. Mas foi uma necessidade. Hoje percebemos só existe uma forma de sabermos onde estamos investindo o nosso dinheiro: controlando as entradas e saídas”, destaca.

Agora, todas as manhãs, a família se reúne para tomar o tradicional chimarrão e conferir as anotações. O sítio dos Deliberali possui uma área de cultivo de 25 alqueires. No último verão a soja foi a cultura principal da propriedade, com uma produtividade média de 115 sacas por alqueire.

Diagnóstico real – O Na Ponta do Lápis também chegou numa boa hora para Dalmo Zeviani, de Caarapó, que administra a propriedade de 173 alqueires em parceria com o filho Alan. Juntos, eles tocam as atividades do sítio e também fazem o controle das receitas e despesas. “O programa só tem vantagens”, comemora o cooperado. “Ter uma noção clara dos custos de produção e, principalmente, das despesas consideradas ‘invisíveis’, é o primeiro passo para se chegar a um diagnóstico real da propriedade”, apontam os Zeviani.

Com as informações, pai e filho conseguem planejar melhor as atividades. “Até nossas atitudes mudaram. Estamos mais conscientes sobre o que pode ser in-vestido e, principalmente, onde e como investir, para sabermos se estamos trabalhando no azul ou no vermelho”, destacam.

Os Zeviani utilizam a versão informatizada do programa. O filho é quem alimenta as planilhas e conta que o computador facilita as anotações. “O Na Ponta do Lápis está sendo um grande aliado para a geração de um banco de dados econômicos da nossa propriedade. Assim, poderemos olhar as informações do passado para não cometermos os mesmos erros”, resume Alan.

Na área de cultivo da família, a soja tem sido a cultura principal do verão. A produtividade média dos Zeviani tem girado em torno de 120 sacas por alqueire.