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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 373 | Junho de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Entrevista

Paulo Bernardo: agricultura promissora

Ministro do Planejamento visita Campo Mourão e diz que o Brasil tem vocação para aumentar a produção de grãos

Em recente visita que fez ao município de Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo da Silva, disse que o cenário agrícola brasileiro é promissor. Em entrevista exclusiva ao Jornal Coamo, ele falou sobre dívidas rurais, produção de alimentos, alto dos insumos e cooperativismo, afirmando que o Brasil tem vocação para aumentar a sua produção. Na oportunidade, recebeu da Comcam – Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão, a “Carta da Comcam”, um documento com diversas reivindicações da região direcionado ao governo federal. Confira os principais pontos da entrevista:

Jornal Coamo (JC) – “Ministro, com relação à Medida Provisória 432, o que o governo espera na prática dessas medidas para o setor agrícola”?

Paulo Bernardo (PB) – “A agricultura teve anos muito ruins, mas felizmente tivemos em 2006 e 2007 anos melhores. O que ficou foi um déficit de recursos, uma dificuldade muito grande para os agricultores, uma boa parcela deles descapitalizada. Então, com essa medida provisória acreditamos que vamos conseguir reinstruir a condição para o produtor rural não apenas produzir normalmente no seu trabalho do dia-a-dia, mas também propiciar novos investimentos. Inclusive, lançamos na nova política industrial uma política de desenvolvimento produtivo, com facilidade tributária e de créditos para venda de máquina e construção de silos. O objetivo é dar condição para produzir, vender, ganhar dinheiro, abastecer o país e o mundo, porque o Brasil tem vocação para isso”.

JC – “Na demanda de alimentos o Brasil está preparado para esta oportunidade, já que muitos países terão problemas sérios para a produção de alimentos”?

PB – “Este é um problema sério mesmo. Se você olhar do ponto de vista de mundo e de uma boa parte de países, este é um problema grave. Falta uma produção maior. Os estoques diminuíram nos últimos anos e a demanda aumentou muito. Há uma disparada nos preços. Se olharmos com cuidado e tomarmos todas as medidas cabíveis do ponto de vista do Brasil, para os produtores rurais é uma oportunidade. Se precisar ter mais alimento quem senão o Brasil tem terra disponível. Temos ainda muitas áreas de pastagens que podem ser substituídas para produção de grãos. Temos condições de investir porque temos sol, água, tecnologia e gente que sabe trabalhar a terra. Nós temos que olhar isso como uma oportunidade para que o Brasil cresça muito na sua produção e abasteça o mundo. Penso que temos que aproveitar esta chance”.

JC – “Neste contexto, dá orgulho de ser paranaense, já este é um dos estados mais desenvolvidos do Brasil”?

PB – “O mais desenvolvido e o mais organizado, e estamos em boas condições. Temos que resolver algumas questões além da renegociação das dívidas. Tem também a questão de insumos, fertilizantes, adubos, que dispararam o preço e que penso que não tem nem motivos para estar tão caros. Provavelmente porque nós temos poucas empresas trabalhando nisso. Nós começamos a discutir com as cooperativas a possibilidade de se fazer uma parceria com algum organismo do governo, ou até mesmo com a Petrobrás, para montar mais fábricas, e produzir insumos mais baratos e em boas condições para o produtor. Quando se fala em crise de alimentos, a gente tem que olhar do lado de cá, é uma oportunidade para o Brasil”.

JC – “Então, ministro, o cenário é promissor, é de confiança”?

PB – “Sim. O Banco Mundial disse que os preços vão ficar altos até 2015. Para quem está na gôndola isso pode ser um problema, mas para quem está do lado da produção, dirigindo um trator, amassando barro para fazer o produto sair da terra, isso é uma notícia muito boa. Vamos ser francos, porque nós temos que ter um equilíbrio entre as duas bandas, mas é uma boa chance”.