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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 373 | Junho de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Meio Ambiente

Da sala de aula para as margens do Memória

Em parceria com a Coamo, o Colégio Vinícius de Moraes, de Tupãssi, no Oeste paranaense, envolve 600 estudantes em projeto de conscientização para a preservação das nascentes e recomposição da mata ciliar

O Colégio Estadual Vinícius de Moraes, de Tupãssi, no Oeste do Paraná, desenvolve anualmente projetos pedagógicos visando elevar o grau de consciência, responsabilidade e a formação de cidadãos. Este ano, o projeto escolhido teve como tema a mata ciliar e foi desenvolvido com o apoio da Coamo e o envolvimento de 600 estudantes, numa proposta de conscientização para a preservação da  natureza.

Projeto em etapas – A professora Fabiana Martins, coordenadora do “Projeto Mata Ciliar”, releva que os principais objetivos do trabalho é a conscientização da comunidade escolar sobre a importância da mata ciliar, identificando as causas da sua retirada do meio ambiente e também, oportunizar aos alunos conhecer o potencial dos recursos hídricos de Tupãssi. Ela informa que a iniciativa reuniu alunos de todas as turmas do colégio. “Eles participaram das várias etapas do projeto que envolveu pesquisa bibliográfica; debates durante as aulas de Geografia; apresentação de palestras sobre a importância da mata ciliar; concurso de cartazes para estudantes da 5ª a 8ª série, fazendo parte da disciplina de Língua Portuguesa; concurso de fotos para mostrar os recursos hídricos do município; e também de visitas a propriedades rurais”, explica Martins.

Palestras – O engenheiro florestal da Coamo, Edmilson Baú, foi o convidado do colégio para ministrar as palestras sobre a importância da mata ciliar e os conceitos da lei que regulamenta a sua preservação e recomposição.  “Esta foi uma iniciativa louvável da escola que demonstra estar preocupada, também, com as questões que envolvem o ambiente comunitário, sobretudo a preservação do ecossistema para as futuras gerações”, resume Baú.

Diagóstico – Orientados pelo Detec da Coamo, os estudantes fizeram observações e um levantamento de campo sobre as condições da mata ciliar na propriedade do cooperado da Coamo Fridolino Willimann, que fica às margens do Rio Memória, um dos mais importantes do município. “Depois desta etapa partimos para a ação. Na recomposição da mata ciliar no local serão utilizadas três mil mudas de espécies nativas, cedidas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e plantadas pelos próprios alunos”, informa o engenheiro agrônomo, Jorides Washington Castro Zorato, encarregado do Detec da Coamo em Tupãssi e um dos co-ordenadores do projeto.

Filhos de agricultores – Para a equipe do Colégio Vinícius de Moraes, após a conclusão do projeto fica a sensação do dever cumprido e do trabalho realizado com satisfação e amor pela natureza. “Agradecemos a parceria com a Coamo, através das palestras e orientações que recebemos e parabenizamos os alunos pelo envolvimento e grande participação nas atividades de sala de aula e também no plantio das mudas que foi um dos pontos mais importantes deste projeto. Eles se sentiram valorizados e com certeza levarão para suas famílias muito do que aprenderam sobre o meio ambiente”, destaca a professora.

A maioria dos estudantes envolvidos no projeto, segundo Martins, são filhos ou netos de agricultores. “Este projeto foi bastante proveitoso e motivador. Basta observar o grande interesse e a preocupação das crianças com relação ao meio ambiente. Elas aprenderam a fazer a recomposição da mata ciliar da forma ecologicamente correta e que cada um deve fazer a sua parte para que as nascentes, a mata ciliar, enfim, o meio ambiente seja preservado e conservado”, conclui Zorato.

Etapas do projeto

Pelo equilíbrio do ecossistema

Ações integradas realizadas pela Coamo, na sua região, contribuem para a preservação do recursos naturais renováveis

A preservação do meio ambiente e o trabalho de conscientização junto aos seus mais de 20 mil associados é uma das principais preocupações da Coamo, que vem desenvolvendo ações no sentido de manter o ecossistema equilibrado. Ao mesmo tempo em que presta assistência técnica de qualidade para incentivar seus cooperados a produzirem, a cooperativa também orienta sobre a importância de conduzir a atividade dentro dos padrões de preservação, mantendo nas propriedades as matas ciliares, as áreas de reserva ambiental e a utilização do sistema de plantio direto, que muito contribui para a manutenção dos solos.

Do extrativismo à mecanização – O agrônomo Joaquim Mariano Costa, responsável pela Fazenda Experimental Coamo, lembra que tudo começou ainda na década de 70. “Foi uma transformação enorme. Saímos de uma agricultura de extrativismo de madeira para implantação de uma agricultura mecanizada, que inevitavelmente exigiu uma série de controles ambientais quanto a sensibilidade para erosão dentro do sistema, entre outras técnicas”, salientando que a participação da Coamo nesta história pode ser divida em três partes: conservação de solos e água; manutenção do ambiente produtivo rural de qualidade para controle de pragas, plantas daninhas e doenças; e a formação de reservas para extração de energia renovável.

Costa conta que a utilização de grades e arados pesados causava, na época, um desgaste muito grande do solo. “A cada chuva mais forte a terra era, literalmente, levada pela água para dentro dos rios e córregos. E com ele, todo adubo e semente das culturas implantadas, além dos nutrientes do solo”, destaca, afirmando que foi neste período que as curvas de nível foram introduzidas na região, dentro de um programa de conservação de solos. “Com muita dificuldade conseguimos fazer o produtor aderir essa técnica, que por um bom tempo amenizou o problema”, comenta.

Plantio direto – Depois foi a vez do plantio direto, uma tecnologia que revolucionou a agricultura e que até hoje é utilizada com muito sucesso pelos produtores rurais. “Demoramos cerca de dez anos para estabelecer a confiança do produtor para a novidade, em razão da falta de máquinas e implementos adequados e até de produtos para controlar as ervas daninhas dentro da cultura, problema que não tínhamos com o plantio convencional”, revela o agrônomo da Coamo.

Para Costa, muitas barreiras tiveram que ser rompidas até 1985, quando se conseguiu solucionar as dificuldades relacionadas a máquinas e os produtos adequados para se trabalhar dentro do sistema. Hoje, praticamente toda a área agricultável na região de atuação da Coamo é coberta com a utilização de plantio direto.

Energia renovável – Em 1979 a Coamo implantou a sua primeira área de plantio de eucalipto para fins de energia renovável (lenha), com o projeto de ser auto-suficiente em energia calorífera, para secagem de grãos armazenados. “A cooperativa, mais uma vez, demonstrou a sua preocupação com o meio ambiente, uma vez que deixava de utilizar combustível fóssil, limitado, para aderir a uma fonte renovável, limpa e verde, que tanto se fala no mundo nos dias de hoje. Hoje todo uso da energia para secagem de grãos na Coamo é feito com lenha, e disso cerca de 80% é oriundo das reservas e unidades florestais da cooperativa”, comemora o técnico.

Ainda nos dias de hoje a Coamo implanta e expande suas áreas de reserva de energia renovável. Atualmente, segundo Costa, são mais de 3,5 mil hectares de áreas de eucaliptos implantados.

Saiba mais!

De forma geral, entre as principais ações integradas realizadas pela Coamo que contribuíram para o equilíbrio do ecossistema e a preservação do meio ambiente na área de ação da cooperativa estão:

A implantação, em parceria com outras entidades, da primeira microbacia hidrográfica do mundo, de manejo integrado de água e solos (Rio do Campo), ainda na década de 70.

O lançamento, em Campo Mourão, do Programa Nacional de Conservação de Solos e Águas, que propiciou a vinda de técnicos de vários países, inclusive, do então ministro da Agricultura, Allisson Paulinelli.

Destaque também para a primeira soltura de vespinha para controle do pulgão do trigo, em 1981. A tecnologia acabou com o uso de inseticidas para controle de pulgão até os dias de hoje.

E em 1985 a Coamo montou o primeiro laboratório do Brasil para a produção de bacolovirus, utilizado para controle da lagarta da soja, de forma biológica.