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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 384 | Junho de 2009 | Campo Mourão - Paraná

Bovinocultura

Inverno: pastagem bem manejada

Plantas de alto valor nutricional, como a aveia e o azevém, podem garantir uma maior produtividade no corte ou no leite

A transição entre o final do outono e o início do inverno exige certos cuidados que devem ser levados em consideração quando o assunto é o manejo das pastagens, em especial, a aveia e o azevém, que na região da Coamo são bastante utilizadas para o pastoreio estratégico dos animais nesta época do ano. “O manejo em cima dessas áreas é muito importante, pois como são plantas de alto valor nutricional, sendo manejadas de maneira correta, elas vão proporcionar uma maior produtividade para os animais, seja de leite ou carne”, garante o médico veterinário Hérico Alexandre Rossetto, do departamento de assistência técnica da Coamo. Ele orienta que é essencial fazer uma boa adubação, sempre orientado pela assistência, para garantir um bom perfilhamento e vigor produtivo das duas espécies, o que vai dar condição de aumento na capacidade de lotação animal em cima da área para o pastejo.

Outro fator importante apontado pelo veterinário é o ponto de entrada dos animais para o pastoreio, que segundo ele, deve ser quando a aveia estiver com 22 a 35 centímetros de altura no máximo, pois se a planta crescer demais o animal acaba comendo ponto de germinação. “Esse é o ponto ideal. Por outro lado, se colocar o animal no pasto com a aveia muito nova a tendência é haja um pisoteio muito grande na área e até o arranque de plantas, diminuindo o estande da área”, alerta.

Para obter um bom rendimento do pasto, seja no sistema contínuo ou em piquetes Hérico Rossetto explica que o produtor deve sempre obsersar a altura da pastagem para retirar o gado, antes que ele coma mais do que deve, mantendo o índice de área foliar ideal para fazer fotossíntese. “Se a pastagem for de sistema contínuo pode-se manter o gado com 18 a 22 centímetros de pastagem, mas se for piqueteado o ideal é entrar com 22 centímetros e sair com 11 centímetros”, orienta o veterinário, lembrando que “o básico para o manejo, não apenas da aveia, mas de toda e qualquer pastagem, seja ela de inverno ou perene, é uma caneta e uma trena sempre ao alcance das mãos para que sejam feitas as avaliações de altura”.

PASTAGENS PERENES – Neste período a qualidade das pastagens de verão (perenes) caem bastante e, consequentemente, a quantidade de proteínas necessárias para uma boa alimentação do rebanho. Praticamente não existe teor de energia e proteína, aumentando o teor de fibras, que de acordo com Hérico Rossetto, é prejudicial para o desenvolvimento dos animais. É justamente neste período que o produtor precisa lançar mão de produtos complementares para suplementar o rebanho. São ferramentas que vão repor as proteínas necessárias, inexistentes no pasto perene nesta época do ano. “São os chamados sais proteinados, que são destinados especialmente para o rebanho que mesmo no inverno é mantido nas pastagens perenes, onde pouco se encontra teor nutricional”, explica.

Contudo, Rossetto alerta que o produtor precisa estar ciente de qual o produto indicado para utilizar na propriedade. “Sais proteinados, por exemplo, não devem ser utilizados em rebanhos que pastejam na aveia e azevém. Pois essas espécies de plantas já têm muita proteína, e o sal proteinado, como o próprio nome já diz, também. Se ele colocar mais proteína, ao invés de ajudar vai sobrecarregar a parte hepática do animal e fazer um efeito contrário ao que se busca. Agora, se os animais saírem da aveia e voltarem para o pasto seco, que está muito fibroso, ai sim eles podem ingerir este tipo de complemento”, certifica o veterinário da Coamo.

Controle da sanidade também é importante

É nesta época que também que surgem às doenças oportunistas, causadas por bactérias que vivem no trato digestivo e respiratório dos animais e são combatidas pelo sistema de defesa. Porém, quando existe uma queda do sistema imunológico, por serem oportunistas, essas doenças entram em ação e causam doenças como as pasteurelas e clostridioses, entre outras, podendo até levar o animal a óbito.

Conforme sugere o veterinário Hérico Rossetto, a melhor maneira de proteger o rebanho dessas doenças é fazer a vacinação estratégica contra pasteurelose e clostridiose, antes de colocá-los no pasto com aveia ou azevém. “Quando o animal começa a pastejar a aveia ou o azevém ele não consegue digerir a alta quantidade de óleo que essas espécies produzem e, no intestino essa substância causa uma modificação da fermentação intestinal. Por isso os animais apresentam uma diarréia fisiológica, que não é problema nenhum. Só que, dentro do intestino essa fermentação indesejada pode causar um ambiente propicio para essas bactérias, causando uma toxinfecção podendo levar a óbito”, alerta.

Debate internacional sobre a febre aftosa

A situação atual de uma das principais doenças que atingem a pecuária esteve em pauta na Conferência Mundial de Febre Aftosa, que aconteceu de 24 a 26 de junho em Assunção (Paraguai). Durante o evento, 450 participantes de mais de 100 países, entre diretores de ser-viços veterinários, especialistas e pesquisadores, participaram das conferências e discutiram os esforços aplicados no controle e erradicação da febre aftosa e avaliaram a aplicação de métodos de vigilância e o desenvolvimento de vacinas. Assuntos relacionados ao comércio também foram tratados, já que doenças como a febre aftosa não só impedem o comércio internacional de animais e produtos de origem animal, como provocam impacto negativo nas garantias de segurança alimentar e na diminuição da pobreza.

CONDIÇÕES ATUAIS – No Brasil, 16 unidades da federação são internacionalmente reconhecidas como livres de aftosa com vacinação e Santa Catarina detém o status de livre da doença sem vacinação. (Com informações do Mapa)