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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 395 | Junho de 2010 | Campo Mourão - Paraná

40 Anos

Para irmãos Kaiser, “Coamo é segurança e realização de um sonho”

Eles fizeram parte do grupo de 79 produtores que assinou a ata de fundação da Coamo no histórico dia 28 de novembro de 1970

“A Coamo é hoje o que ela é, grande e forte, graças a administração da diretoria que pegou o bonde e seguiu um bom caminho, sendo respeitada e admirada. Por isso, tenho grande orgulho de ser um dos fundadores da cooperativa.” Este é o sentimento do associado Martin Kaiser, titular da matrícula número 12, ao falar da Coamo. Junto com Martin, seu irmão Franz, número 11, também fez parte do grupo de 79 produtores que assinaram a ata de fundação da Coamo no histórico dia 28 de novembro de 1970.

Martin Kaiser nasceu em 1942 na cidade de Krundia, Iugoslávia, mesmo país de nascimento do seu pai, Franz – que deu seu nome ao irmão de Martin, quatro anos mais novo. Franz, o filho, é natural de Rutmansberg, na Áustria. Eles vieram junto com seus pais – Franz e Paulina Kaiser -, em 1952 para o Brasil diretamente para a Colônia Entre Rios, hoje distrito de Guarapuava, no Centro-Sul do Paraná. “Meu pai trabalhava em mina de carvão na Iugoslávia e era agricultor, mas por causa da Guerra perdeu todos os seus bens e então, escolheu o Brasil para formar uma nova pátria. O Brasil, era na época, um dos países que aceitavam imigrantes acima de 60 anos, diferente dos Estados Unidos, que queriam estrangeiros abaixo dessa idade”, conta Martin Kaiser.

A família Kaiser ficou apenas dois anos em Guarapuava e em 1954 mudou-se para Campina do Amoral – hoje, distrito de Luiziana. “Quando chegamos tínhamos apenas 15 hectares, que ficava num banhado, dos quais apenas três de planta. Depois compramos quase 50 hectares. Era tudo na foice e a gente nem sabia fazer direito” lembra-se Franz, informando que o seu pai faleceu em 1979, aos 56 anos de idade.

No início, após a destocagem do mato, a família Kaiser plantou milho, arroz e até trigo, com enxada. O primeiro trator foi comprado dez anos após a chegada na região e até hoje é guardado e bem cuidado, como lembrança daqueles tempos difíceis desbravando área agrícola. “Em 1966 iniciamos o plantio mecanizado do trigo e no ano seguinte o pai foi buscar semente de soja com os Guadagnin para tratar dos porcos”, afirma Martin.

SONHO DO COOPERATIVISMO – Os irmãos Kaiser lembram que no ano de 1968 o engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, extensionista da Acarpa, divulgava o cooperativismo e a idéia de se fundar uma cooperativa na região. “O meu pai já conhecia o sistema porque tinha sido associado lá na Iugoslávia, e o Fioravante José Ferri também, só que no Rio Grande do Sul. Os dois gostaram e incentivaram o movimento cooperativista”, consideram.

Mas, a primeira iniciativa do surgimento de uma cooperativa na região foi em Campina do Amoral, sem a presença do Dr. Aroldo. Em Bourbônia, próximo à Luiziana, também existiu movimento para fundação de outra cooperativa.

Os iniciadores em Campina do Amoral não tinham capital social para a abertura da cooperativa e quando voltou de treinamento na Acarpa o Dr. Aroldo conseguiu mostrar as lideranças que o local escolhido não era o ideal porque não tinha estrutura suficiente com água, luz, etc, para ser sede da cooperativa. “Então, juntamos nossas forças e fundamos a Coamo em Campo Mourão, sob a liderança do Dr. Aroldo. Mas, precisávamos de alguém conhecido e de influência para administrá-la, foi aí que o Ferri foi eleito presidente e convidou o doutor Aroldo para ser o seu assessor, gerente geral” diz Franz.

SEGURANÇA – “A Coamo para mim é sinônimo de segurança, é a segurança que o agricultor procura, tem gente honesta e é uma cooperativa onde todos ganham”, asseguram os irmãos Kaiser.

Para Martin às vezes é difícil acreditar que a Coamo cresceu tanto, porque o sonho inicial era menor. “O nosso sonho era formar uma cooperativa com no máximo 100 agricultores para comprar mais barato os insumos e vender a produção com maiores volumes no melhor preço possível. E hoje, com orgulho vemos a Coamo onde ela está, segura e forte, para a nossa alegria. Por isso, é que olhamos para trás e temos orgulho e o sentimento do dever cumprido. Valeu a pena. O segredo é trabalhar, trabalhar certo, ser honesto e acreditar sempre nos sonhos”, comemora.