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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 426 | Junho de 2013 | Campo Mourão - Paraná

Agricultura

Mais TRIGO nos campos dos cooperados Coamo

Clima favorável, qualidade do solo e uso adequado das tecnologias. Fatores esses que associados ao sistema de produção adotado pelos cooperados da Coamo favorecem o desenvolvimento do trigo

O trigo responde muito bem aos investimentos tecnológicos se tornando assim, boa alternativa econômica de inverno. Tradicionalmente a região de Ivaiporã (Vale do Ivaí) é uma das que mais produz trigo no Paraná. O clima extremamente favorável, a qualidade do solo associada ao pacote tecnológico e ao sistema de produção adotado pelos produtores favorecem o desenvolvimento do cereal. Nesta safra o trigo avançou em 10,3% na área de ação da Coamo, segundo o mais recente relatório da Gerência de Assistência Técnica da cooperativa. Os cooperados estão cultivando 253,9 mil alqueires de trigo contra 230 mil na safra passada.

Buscando repetir o sucesso dos anos anteriores, o cooperado Edilson Colombo, de Jardim Alegre, região de Ivaiporã, plantou aproximadamente 112 alqueires de trigo. O cereal é a principal opção de cultivo no inverno, porque além da produtividade deixa um bom residual no solo para a cultura seguinte, no caso, a soja. De acordo com ele, a expectativa com a lavoura é a melhor possível. “As plantas estão tendo um bom desenvolvimento e com potencial produtivo alto. Vamos torcer para que continue assim”, observa.

Colombo ressalta que nos últimos cinco anos as produtividades têm sido boas e com investimento o retorno é garantido. “Tivemos médias entre 140 e 150 sacas por alqueire. Além de boa produtividade também conseguimos qualidade o que tem sido fundamental para a comercialização”, diz. Depois de colher o trigo a área será destinada ao cultivo da soja. “Plantamos soja no verão e trigo no inverno. Estamos tendo sucesso com esse sistema. Todo o investimento realizado na propriedade é em parceria com a Coamo. Assim, definimos as variedades e os produtos que serão usados e adquirimos antecipadamente”, assinala.

O cooperado planta trigo há mais de 15 anos e revela que houve grande evolução nos últimos anos tanto em produtividade quanto em qualidade. “A diferença é grande. Temos variedades com potencial para produzir acima dos 170 sacas por alqueire. Coisa, que lá atrás nem pensamos”, frisa o cooperado, que durante o desenvolvimento da lavoura não dispensa os tratos culturais necessários. “Cuidamos das plantas direitinho”, destaca.

O engenheiro agrônomo do Detec da Coamo em Ivaiporã, Marcio José Messias da Silva, conta que os cooperados da região estão confiantes e o trigo sempre proporcionou renda. “Temos um histórico de boas produtividades com médias acima de 120 sacas e chegando até a 180. Em 2009, por exemplo, as doenças acabaram prejudicando o andamento da safra e mesmo assim fechamos com 100 sacas de média. De lá para cá, os números não ficaram menores do que 140 sacas”, diz.

De acordo com o agrônomo, os cooperados da região investem na cultura utilizando tecnologia de ponta desde o preparo do solo até a colheita. “Os produtores sabem da importância do trigo para a atividade agrícola e que realmente capricham. Com isso, as colheitas são de boa qualidade”, assinala Silva. Ele acrescenta que neste ano a área com trigo voltou a crescer motivado pelos preços praticados nos últimos meses. “O cooperado da região gosta de plantar trigo e com preço bom se animam ainda mais.”


Tradição e entusiasmo


Triticultor tradicional em Manoel Ribas (Centro do Paraná), o cooperado Lindolfo Rengel mostra as plantas em pleno desenvolvimento com bastante entusiasmo. “Plantei trigo a vida inteira. Mesmo quando a cultura enfrentava dificuldades de comercialização, cultivei o cereal, pois faz parte do processo de produção adotado na propriedade”, comenta. Ele explica que no inverno também é cultivado aveia em uma área que no verão dará lugar no milho enquanto que lugar do trigo será plantado soja.” “Sempre investimos no trigo visando a palhada e esse ano estamos mais feliz porque existe tendência de bons preços e de renda”, acrescenta.

O cooperado está cultivando 60 alqueires com trigo. Ele ressalta que o cultivo sempre foi efetuado com alta tecnologia e que a evolução dos últimos anos, com variedades mais produtivas e de melhor qualidade, tem comprovado que vale a pena investir na cultura. “O trigo responde aos investimentos. Na safra passada, por exemplo, colhi 150 sacas por alqueire e com qualidade muito boa”, observa o cooperado que neste ano espera superar a média passada. A colheita está prevista para iniciar já nos primeiros dias de outubro.

Rengel é produtor de sementes para a Coamo e garante que isso também ajuda na melhoria da renda da família. “Sigo um planejamento e o trigo é bastante importante para o sistema de produção que adoto. Os benefícios são enormes”, diz. Ele acrescenta ainda que o trigo ajudou a diminuir a incidência de buva e de outras plantas daninhas. “Economizo com os tratos culturais”, frisa.

Na safra de verão o cooperado fechou com uma média de 174 sacas de soja por alqueire e de 495 sacas de milho. De acordo com ele, foi uma safra de bons resultados o que reforça a importância de se investir. “Com investimento em novas tecnologias temos alcançado bons resultados”, assinala Rengel.

O engenheiro agrônomo Felipe Zardo, do Detec da Coamo em Manoel Ribas, observa que os cooperados da região apostam na cultura como principal renda no inverno e neste ano as esperanças são de boas produtividades e remuneração. “O trigo faz bem para sistema produtivo, pois fornece palhada para o plantio direto e ajuda a diminuir a infestação de plantas daninhas. O cooperado está cada vez mais ciente da importância de se fazer a rotação de culturas e o trigo se encaixa perfeitamente no sistema. Também tem proporcionado boa remuneração aos produtores da região de Manoel Ribas.”

De acordo com o agrônomo, o plantio do cereal já foi finalizado e a preocupação dos cooperados deve ser com os tratos culturais. “É um momento importante. Os cuidados devem ser permanentes com um bom acompanhamento do desenvolvimento das lavouras para evitar que os investimentos realizados no plantio não se percam”, diz.

Trigo resiste no Oeste


Mesmo sendo pouco cultivado atualmente na região Oeste do Paraná, o trigo ainda permanece em algumas propriedades e pode ser visto entre as imensas áreas de milho safrinha. Há muitos anos o cereal perdeu espaço para o milho no inverno e são poucas as áreas nos campos do Oeste no período mais frio do ano.

Na propriedade do cooperado Roberto Lotário Scholz, de Toledo, é difrente. Além da safrinha, que como na maioria das propriedades é a principal opção, o trigo é alternativa para o inverno. Ele revela que apesar do costume de cultivo de milho adotado pelos colegas, nunca deixou de plantar trigo, principalmente por conta do beneficio proporcionado ao sistema produtivo. “Na verdade, pouca gente planta trigo aqui por falta de incentivo, principalmente de mercado. Eu insisto somente por causa dos benefícios da rotação de culturas”, declara.

O produtor ainda revela que enxerga o trigo como opção de uma segunda cultura no sistema, além dos benefícios que ele traz para o sistema de produção. “Se por ventura o milho safrinha ter problemas com o clima, talvez o trigo tenha sucesso e consiga manter minha renda na propriedade”, diz Scholz, que divide a área com 75% de milho safrinha e 25% de trigo todos os anos.

PRODUTIVIDADE – Com o clima favorável para o desenvolvimento das duas culturas a expectativa do cooperado não poderia ser melhor. Ele diz que espera uma produtividade de pelo menos 100 sacas por hectare com o milho e 45 sacas com o trigo. “O clima está contribuindo até agora”, afirma.

De acordo com Juliano Seganfredo, agrônomo da Coamo em Toledo, a área de trigo representa menos de 10% da região. Contudo, quem faz pensa na rotação de culturas e na manutenção do sistema mais equilibrado. “Nossa orientação é sempre para não deixar de plantar o trigo. Ele entra no sistema de manejo das principais pragas e doenças e contribuiu bastante com a atividade. Temos uma área pequena de trigo aqui no Oeste mais existe alguns produtores espalhados e neste ano tivemos um pequeno aumento nessa área”, explica Seganfredo, alertando que os poucos triticultores da região estão tendo menos problemas com plantas daninhas na cultura da soja, principalmente a buva.