Agricultura
Trigo:
Chuva anima produtores e acalma mercado

Mercado toma fôlego e triticultores correm atrás do tempo

O retorno das chuvas nas áreas produtoras de trigo, nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, deu novo ânimo aos triticultores, que incrementaram as operações de plantio, na tentativa de recuperar o tempo perdido. Ao mesmo tempo, as recentes chuvas possibilitaram a germinação das lavouras plantada no "seco", evitando maiores prejuízos com replantios. "Isto
Cooperados estão apostando no trigo neste ano
 
deixa o mercado mais tranqüilo com respeito ao abastecimento das indústrias de moagem a partir de agosto e setembro, haja vista que o mercado interno dispõe de pouquíssimo trigo para venda e os estoques argentinos, que ninguém consegue precisar quanto é, acredita-se ter um saldo exportável que atenda as necessidades do Brasil apenas até setembro", informa o assessor de Comercialização da Coamo, Antonio Cardoso Garcia.

A permanência do quadro de indefinições e incertezas quanto ao futuro da Argentina, em termos de políticas econômicas e de exportação e o aperto na oferta de trigo do Mercosul, vêm sustentando as sucessivas altas do produto oriundo daquele País e deverão continuar assim pelo menos até a entrada da nova safra brasileira.

Segundo Garcia, no âmbito mundial observa-se um quadro de estabilidade nas cotações do produto, principalmente em função do quadro de oferta e demanda apresentar uma defasagem da produção em relação ao consumo, o que vem ocorrendo desde a safra 98/99, quando os estoques de passagem recuaram de 174,3 para 136,0 milhões de toneladas no ano safra 01/02. "O consumo estimado para este ano-safra deverá ser de 594 milhões de toneladas, contra uma produção de 571,2 milhões de toneladas", revela. "Algumas oscilações nas cotações do produto podem ser observadas, por ocasião da colheita em alguns dos grandes produtores/exportadores mundiais, porém a tendência é de manutenção dos preços que vêm sendo praticados no mercado internacional, considerados muito bons para os produtores, se comparados com os preços praticados em anos anteriores", acrescenta.

Quanto a próxima safra paranaense, o assessor da Coamo diz que ela terá um comportamento diferente das safras anteriores, em relação ao início da colheita, uma vez que com a estiagem a semeadura está ocorrendo ao mesmo tempo, na região norte, noroeste e oeste do Paraná, o que poderá culminar com o início da colheita também no mesmo período.

Segundo ele, levando-se em consideração que a previsão do saldo de trigo exportável da Argentina atenderá com tranqüilidade as necessidades das indústrias brasileiras no máximo até setembro e considerando que o trigo recém colhido só poderá entrar como mistura em pequenos percentuais nos trigos já descansados, é imprescindível que as vendas por parte dos produtores sejam escalonadas, de forma a manter um equilíbrio entre a oferta e demanda, para que o produto se mantenha em um bom patamar de preço. "Caso ocorra, como aconteceu nesta última safra, uma forte pressão de venda por parte dos produtores por ocasião da colheita, de forma que a oferta supere a demanda, poderemos ter um desequilíbrio na paridade do trigo nacional frente ao importado, com preços sendo praticados abaixo desta paridade", completa.

 

Cuidados iniciais com a lavoura

O potencial produtivo da cultura do trigo está intimamente ligado a aspectos como cultivares, nutrição, sistema de cultivo, clima e sanidade. Notamos que há uma interação entre estes aspectos e a ocorrência de pragas e doenças fúngicas, que podem até mesmo ameaçar a sustentabilidade econômica da triticultura como alternativa de cultivo no inverno.

Visando viabilizar economicamente o cultivo do trigo, necessitamos adequar estratégias de controle para as principais pragas e doenças fúngicas do trigo. Na adoção das estratégias de controle devemos dividi-las em dois grupos: antes e depois da semeadura. Antes da semeadura, destacamos a escolha de cultivares resistentes as principais doenças fúngicas, o tratamento das sementes com fungicidas e inseticidas sistêmicos específicos e o planejamento do plantio em áreas com sistema de rotação de culturas. Depois da semeadura, simplesmente devemos utilizar fungicidas e inseticidas que serão aplicados nos órgãos aéreos das plantas para o controle de doenças e pragas quando detectadas sua presença em níveis de controle preconizados pela pesquisa.

Entre as pragas que podem causar danos nas fases iniciais da cultura, destacam-se os pulgões e os percevejos barriga verde. No caso dos pulgões, além de provocarem danos efetivos às plantas de trigo, causando redução de produtividade, também são vetores de viroses, principalmente o Vírus do Nanismo Amarelo da Cevada (VNAC), cujos maiores prejuízos são relatados quando a infecção ocorre nas fases iniciais do desenvolvimento das plantas. O controle de pulgões tem sido eficiente pela aplicação de inseticidas foliares, porém no caso de viroses, somente tem-se alcançado eficiência quando as sementes foram tratadas com inseticidas sistêmicos específicos, que controlam o pulgão antes que este infecte a planta de trigo.

Já os percevejos barriga verde causam prejuízos pela infecção das plantas através da injeção de toxina, provocando o "enfezamento" das plantas atacadas manifestando sintomas como redução de porte, superperfilhamento, espigas de menor tamanho e em casos severos levando a morte das plantas atacadas. O inseto possui hábito de se esconder sob a palhada ou em plantas hospedeiras, tornando-se alvo difícil de ser atingido pela pulverização com inseticidas convencionais. O controle mais eficiente tem se obtido pelo tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos específicos. Porém em ambos os casos quando detectados a presença da praga em níveis de dano devemos proceder ao controle conforme orientação técnica.

No caso das doenças fúngicas, que aparecem nas fases iniciais da cultura do trigo, podemos citar o oídio, manchas foliares e ferrugem. Elas podem provocar danos até a fase de frutificação da cultura, e devem ser monitoradas a fim de acompanharmos sua evolução, principalmente se as sementes não foram tratadas ou se a área onde está a cultura não possuir um esquema de rotação.

Com os cuidados necessários na amostragem podemos minimizar as perdas e maximizar a eficiência dos fungicidas que serão aplicados para o controle das doenças. Assim, com a adoção de critérios corretos que indiquem o momento certo para a aplicação de fungicidas, aplicaremos no momento certo, evitando danos ao potencial produtivo da lavoura tritícola e lucrando mais.

Marcos Eliesio Castro, engenheiro agrônomo - Detec Coamo em Luiziana.