Agromercado
Cooperados lucram com trava do dólar

Custo médio dos insumos baixou 40%, em relação a safra anterior

Kungel: menor custo
Pereira: economia
Os cooperados que optaram pela venda antecipada da soja com trava do dólar - modalidade de comercialização oferecida de forma pioneira e exclusiva pela Coamo, contabilizam os bons resultados alcançados com a operação. A grande vantagem para os cooperados foi a oportunidade de reduzir os custos de produção da soja.

Os atrativos preços da soja no momento do fechamento do contrato, aliado à possibilidade da trava do dólar a um valor acima da média, proporcionou uma redução na ordem de 40% nos custos dos insumos aplicados na lavoura. Nesta safra, o custo de produção foi o mais baixo dos últimos quinze anos, na região da Coamo, com média de 25 sacas de soja por alqueire. Além disso, os preços da soja ficaram, em média, 10% melhores no contrato, em relação aos atuais praticados no mercado.
 
O cooperado Ivo Kungel, de Campo Mourão, fez a opção pela modalidade oferecida pela Coamo e conseguiu reduzir o custo da sua
lavoura de soja em 10 sacas por alqueire. "O nosso lucro foi maior neste ano", comemora. Quem também está satisfeito com a negociação antecipada de parte da colheita com trava de dólar é o cooperado Geraldo José Pereira, de Campo Mourão. Ele economizou 20% este ano, com a compra dos insumos. "Valeu a pena ter optado pela venda antecipada. Espero que possamos contar com essa modalidade de comercialização também para a próxima safra", salienta.

Os preços de venda da soja nos contratos antecipados variaram entre US$ 9,00 e US$ 9,50 por saca, sendo que o dólar fora travado por até R$ 3,04. A média ficou em R$ 2,86.

Segundo o engenheiro agrônomo Dicézar Vernize, gerente do entreposto da Coamo em Campo Mourão, foi uma decisão acertada dos cooperados. "Eles estão aprendendo a utilizar as ferramentas de comercialização que a cooperativa disponibiliza. Com isso, conseguem programar a venda dos produtos e até mesmo o custo de uma safra inteira", conclui.

 

Análises do Mercado Agrícola
Comercialização Coamo - 15/02/200

SOJA - Mercado cheio de incertezas. Na bolsa de Chicago, em função do plantio - que até no dia 20 apresentou 30% plantado, contra 55% no ano passado e 50% na média dos últimos 5 anos, a especulação em cima do clima e muito grande; também há baixa demanda apresentada até o momento pelo mercado asiático e a crise Argentina. No Brasil em função da reação do dólar com as pesquisas eleitorais e o produtor que continua retardando ao máximo suas vendas ditam os preços para as indústrias, pois tem predominado a pouca oferta. De agora em diante devemos continuar com o mercado bastante nervoso, devido aos vários motivos citados, que até então não apresentam definições claras.

MILHO - Com o retorno da chuva, o mercado comprador tirou o pé do acelerador e vai aguardar a colheita da safrinha. Automaticamente cessaram as perdas no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. A produção vai existir, só não dá para percentualizar o tamanho da quebra que é real, mas difícil de enumerar. Os grandes compradores buscaram proteção no Mato Grosso, onde a produção está muito boa e os pequenos já reduziram um pouco os plantéis e estão comprando da mão para a boca, sem forçar o preço. O mercado pode voltar a ganhar força, caso tenhamos geadas fortes, ou após a conclusão da colheita concretizar-se quebras acima do esperado, ou ainda, com uma significativa alta do dólar, voltando a viabilizar as exportações.

CAFÉ - A entrada da safra (colheita) brasileira fez com que os preços cedessem ainda mais. A tendência é que os produtores devam vender conforme forem colhendo - algo em torno de 30%, para quitar compromissos imediatos, o que deve deixar o mercado muito lento e na expectativa. Além da safra ser recorde, saindo de 36 para 47 milhões de sacas aproximadamente.

ALGODÃO - Nenhuma novidade foi acrescentada em relação ao comentário da edição anterior, tendo o Paraná praticamente já concluído sua colheita, onde os preços praticados ao produtor (R$ 10,30 para o algodão em caroço tipo 6/0) estiveram acima do mínimo de garantia do Governo Federal (R$ 8,48 para o algodão em caroço tipo 6/0). Com o início da safra em Goiás e Mato Grosso o mercado deverá ficar ainda mais deprimido, onde o Governo Federal já está realizando os tradicionais leilões de PEP - Prêmio para Escoamento de Produto, com o objetivo de garantir o preço mínimo ao produtor, o que por si só mostra que a tendência para o segundo semestre é de comercialização do algodão ao preço mínimo. O mercado internacional que já não mostrava uma boa tendência de recuperação, depois que o Senado Americano aprovou no último dia 08 de maio a "FARM BILL", nova lei americana que aumentará substancialmente os subsídios à agricultura daquele país, as repercussões negativas nos preços internacionais do algodão serão ainda maiores. De 1998 à 2000, os estoques norte-americanos dobraram por conta dos subsídios. Atualmente, o algodão de lá recebe US$ 20,84 por arroba de subsídio e com a nova lei chegará à US$ 23,15. Hoje os Estados Unidos controlam 35% do comércio internacional de algodão e 25% da produção mundial. O Brasil tem apenas 5% da produção mundial e 2,5% das exportações.

 

Indicadores Econômicos

VARIAÇÕES Nov/01 Dez/01 Jan/02 Fev/02 Mar/02 Abr/02 ACUMULADO ACUMULADO
  PERÍODO 12 MESES
IGP/M (% AO MÊS) 1,10% 0,22% 0,26% 0,06% 0,09% 0,56% 2,41% 8,91%
TR (% AO MÊS) 0,19% 0,20% 0,36% 0,12% 0,18% 0,24% 1,18% 2,58%
DÓLAR
COMERCIAL
(% AO MÊS)
-6,59% -8,24% 4,22% -2,90% -1,05% 1,67% -12,74% 8,13%
TJLP (% AO MÊS) 10,00% 10,00% 10,00% 10,00% 10,00% 9,50%    
SOJA 5,00% 6,12% 2,08% 15,00% 2,56% 10,26% 47,93% 191,93%
MILHO 3,23% 0,00% 6,38% 10,00% 0,00% 5,45% 27,39% 71,69%
ALGODÃO (TIPO 6) 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 3,00% 3,00% 3,00%
TRIGO (PH 78) 0,00% 0,00% 5,59% 0,00 2,35% 11,80% 11,80% 53,06%
 

Poder de Troca mês a mês

MÁQUINAS/INSUMOS X PRODUTOS UNID. Nov/01 Dez/01 Jan/02 Fev/02 Mar/02 Abr/02

MÉDIA DO PERÍODO

MÉDIA ULT. 12 MESES

 

TRATOR JOHN DEERE 6-300 - 120 HP

SOJA sacas 1.490 2.515 2.619 2.930 4.456 4.341 3.058 2.406
MILHO sacas 4.201 6.546 6.546 6.000 8.000 7.876 6.528 5.640
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 4.841 7.744 7.744 7.683 8.800 8.768 7.597 6.138
TRIGO (PH 78) sacas 2.466 3.944 3.837 3.706 5.116 5.028 4.016 3.222
 

COLHEITADEIRA NEW HOLLAND TC 57 (completa)

SOJA sacas 6.379 6.931 7.340 8.372 9.114 9.024 7.860 7.596
MILHO sacas 17.989 18.041 18.351 17.143 16.364 16.372 17.377 18.633
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 20.732 21.341 21.707 21.951 18.000 18.227 20.326 19.980
TRIGO (PH 78) sacas 10.559 10.870 10.755 10.588 10.465 10.452 10.615 10.399
 

PLANTADEIRA PSE 8 2S (COM CÂMBIO)

SOJA sacas 1.068 1.128 1.174 1.390 1.514 1.557 1.305 1.247
MILHO sacas 3.013 2.935 2.935 2.847 2.718 2.825 2.879 3.056
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 3.472 3.472 3.472 3.646 2.990 3.145 3.366 3.286
TRIGO (PH 78) sacas 1.768 1.768 1.720 1.759 1.738 1.804 1.760 1.710
 

PULVERIZADOR COLUMBIA MAXTER FLOW

SOJA sacas 736 776 808 975 1.032 1.023 892 848
MILHO sacas 2.074 2.021 2.935 1.997 1.853 1.856 1.971 2.077
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 2.391 2.391 3.472 2.558 2.039 2.066 2.306 2.236
TRIGO (PH 78) sacas 1.218 1.218 1.720 1.234 1.185 1.185 1.204 1.163
 

CALCÁRIO

SOJA sacas 1 1 1 1 2 1 1 1
MILHO sacas 3 3 3 3 3 3 3 3
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 4 4 4 4 3 3 3 4
TRIGO (PH 78) sacas 2 2 2 2 2 1 2 2
Para cálculo da paridade de produtos X máquinas e insumos foram utilizados os preços praticados no último dia do mês.