Grão Úmido

 


Silagem de grão úmido reduz em 37% o custo de produção do milho para alimentação animal e oferece margem de 15% no preço do suíno


A parte teórica do treinamento da Coamo. E abaixo, momento em que os técnicos da cooperativas estiveram à campo, na parte prática do treinamento
Milho que não é milho? Isso mesmo. O grão úmido do cereal passa a ser considerado um outro produto, após o processo de fermentação a que é condicionado na forma ensilada. "É a mesma coisa que dizer que o iogurte não é leite", afirma o zootecnista Luiz Keplin, consultor em nutrição animal, que foi convidado recentemente para ministrar um treinamento especializado no assunto ao quadro técnico da Coamo. A diferença está na fermentação do milho depositado dentro do silo, a base de ácido lácteo. "O produtor trabalha com um produto de alto valor nutricional e que ajuda a baratear em até 37% o custo na alimentação dos animais, principalmente em suínos", garante.

Segundo o zootecnista, o milho é uma das gramíneas mais usadas para produção de silagem devido à facilidade para cultivar, adaptabilidade, alta produção de 
Profissionais da Coamo acompanharam a preparação de um silo de grão úmido de milho
massa, facilidade de fermentação, bom valor energético e alto consumo pelos animais. É uma alternativa que o produtor tem para armazenar o milho na propriedade, num processo fermentado. "E na forma de grão úmido os resultados são fantásticos. Como o produtor colhe a lavoura cerca de 30 dias antes (com 35% de umidade), acaba ganhando muito em qualidade, valor nutricional e digestibilidade, sem contar que, por efeito de fermentação, há uma redução no uso de antibióticos nos animais", revela Keplin.

Reacendendo a vela - Com o preço do milho e dos cereais energéticos alternativos (triticale, cevada e centeio) em alta, a opção pela silagem de milho de grão úmido passou a ser quase que 

uma obrigação para o criador. Além disso, projetos como o de Suinocultura da Coamo, estão sendo incrementados de forma rápida, aumentando também a necessidade de consumo de energéticos.

A utilização da silagem de grão úmido de milho na alimentação animal já vem sendo desenvolvida há vários anos. Em algumas regiões da área de ação da cooperativa a tecnologia está mais avançada. "A idéia de um novo treinamento especializado no assunto, envolvendo o quadro técnico, é padronizar as informações e difundir ainda mais a tecnologia entre todos os nossos cooperados que são criadores de suínos ou bovinos", explica o engenheiro agrônomo Nei Leocádio Cesconetto, gerente de Assistência Técnica da Coamo. A partir do treinamento, a cooperativa vai continuar promovendo reuniões regionais para orientar os criadores sobre a importância e as vantagens da silagem de milho de forma de grão úmido.

"Uma das grandes vantagens da silagem de grão úmido é que o criador pode diluir o custo da atividade e ainda aumentar a receita da granja", orienta o 
Keplin: "silagem reduz custo da pecuária"
médico veterinário Rogério Paulo Tovo, responsável técnico pelo projeto de Suinocultura da Coamo. Ele se refere à encurtada no caminho entre a colheita do milho grão seco até a utilização do cereal na alimentação dos animais. "O produtor colhe a lavoura antes; não tem custo de transporte, taxas ou descontos de armazenagem e perdas por insetos e fungos; sem contar a garantia de qualidade do milho que ele está ensilando", enumera Tovo. Hoje existem no mercado híbridos desenvolvidos especialmente para silagem, com alto teor de óleo e proteína.

Ganhando mais - Na condição atual de preço do suíno, o criador que não possui uma alternativa de complemento alimentar dos animais dificilmente vai conseguir uma remuneração positiva com a atividade. Um levantamento feito pelos veterinários que compõem o projeto de Suinocultura da Coamo indica que os criadores que utilizam cereais energéticos alternativos estão alcançando um ganho de 5% na margem bruta da atividade, enquanto que os que têm utilizado silagem de milho de grão úmido chegam a ter um resultado positivo de até 15% sobre a margem bruta do negócio.

Tovo: "alternativa aumenta receita da granja"

 

 

Energia no cocho

O Brasil produziu nesta última safra cerca de 800 mil toneladas de silagem de grão úmido. Esse volume representa 2% do milho produzido no País e quase 15% do milho consumido pela suinocultura. Alguns estados, como Santa Catarina, se destacam na preparação dessa alternativa alimentar. O maior consumo ainda está direcionado para a suinocultura, mas também já existe um trabalho muito forte na pecuária leiteira e de corte. 

"O criador tem de estar consciente que a sua moeda é leite ou carne. Muitas vezes, ele se anima com o preço do milho e decide vender a safra, pensando num produto alternativo para alimentar os animais", lembra Luiz Keplin. No entanto, ele assegura que o milho e a soja são balizadores dos preços no mercado. E à medida com que o preço do milho sobe, todos os outros produtos alternativos também aumentam de preço. "Na maioria das vezes, comprar o milho embutido na ração é uma ilusão para o criador, o que pode sair muito mais caro", alerta.

Por outro lado, o zootecnista afirma que a eficiência na preparação da silagem também faz a diferença no negócio. Segundo Keplin, 80% da silagem de planta inteira produzida no Brasil, de maneira geral, são de baixa qualidade. "Os erros mais comuns são de manejo, ponto de corte, escolha do híbrido ou até por escolha da parte da lavoura que ele vai ensilar", revela. No grão úmido, por ser um processo que está bastante monitorado, há qualidade em 80% do material ensilado. "É o inverso, o que não significa que não há erros. Ainda temos muita coisa que precisa ser melhorada", admite Luiz Keplin.

Inoculante - A utilização do inoculante é considerada como fundamental para o sucesso da silagem, principalmente no caso do grão úmido. "Quando colhemos o grão devemos lembrar que ele possui alta umidade e que tem a proteção da palha. Não há contaminação por lactobacilos e estectococos e o processo de fermentação é muito difícil de acontecer sem o uso de inoculantes", orienta Keplin. Esse detalhe também vai garantir a qualidade da silagem. "Sem ele, não sabemos que tipo de fermentação vai acontecer no silo", conclui.
 
O que é preciso saber
  • A silagem de grão úmido é um processo de ensilagem em que estocamos somente os grãos da planta de milho.
  • A colheita é feita com colheitadeira convencional e deve ser realizada quando a umidade dos grãos estiver entre 30 e 40%.
  • Após a colheita, os grãos devem ser moídos finos (suínos), quebrados ou laminados (bovinos de corte e leite e ovinos), com o objetivo principal de favorecer a compactação.
  • Os grãos devem ser armazenados em silos tipo bunker, trincheira ou bag's, bem compactados e cobertos com lona plástica preta ou de dupla face.
  • A silagem de grão úmido é uma ótima opção para armazenar grãos de milho por longo período, com baixo custo e, principalmente, mantendo o valor nutricional.
  • Armazena-se, em média, 1000 a 1300 kg (15 a 19 sacas com 13% de umidade) de grãos úmidos por metro cúbico de silo.
  • Uma silagem de grão úmido de qualidade depende da escolha de híbridos de milho que apresentem grãos sadios e alto valor nutricional.
Vantagens
Não há transporte do produto para a cooperativa ou fábrica de rações e vice-versa.
Não existe desconto de umidade, impurezas e grãos ardidos.
A colheita é antecipada em 3 ou 4 semanas.
Possui maior digestibilidade e, conseqüentemente, melhora o desempenho animal.
Ocorrem menores perdas por ataque de fungos, ratos, carunchos e traças.
Tem alta concentração de energia, para balancear com alimentos protéicos.
Melhora a sanidade dos animais, causando menos diarréias.
Seu custo independe do preço do mercado.