Pecuária
Inverno:
Animais exigem cuidados especiais

Principal preocupação é com a alimentação e o manejo dos adultos e crias

A principal causa do nascimento de bezerros fracos é a subnutrição da vaca gestante, normalmente nas épocas mais frias e secas do ano. A influência da alimentação antes do parto é constante, tanto para o crescimento do feto, quanto para a sobrevivência do bezerro durante as primeiras semanas de vida. Quem alerta é o médico veterinário Hérico Rosseto, do Departamento Técnico da Coamo em Campo Mourão. 

Segundo ele as deficiências de energia, minerais e vitaminas tem sido importantes. As vacas devem ser conduzidas ao pasto maternidade 60 dias antes do parto. O local deve estar seco, limpo e localizado próximo ao estábulo, para permitir a alimentação diferenciada, observações freqüentes e assistência, caso ocorra algum problema por ocasião do parto. "Não se deve esquecer que o maior crescimento do feto ocorre nos três últimos meses de gestação. Por esse motivo a vaca necessita de um período seco de seis a oito semanas", explica.

Rosseto informa que durante os primeiros seis meses de gestação, as vacas gordas podem perder peso. Já, as vacas em bom estado corporal devem manter o peso e as vacas magras, engordar. Ainda segundo ele, durante o último terço da gestação, todas as vacas devem ganhar em torno de 600 gramas a 800 gramas de peso corporal por dia, usando-se alimentação suplementar ou volumoso, se necessário. "Caso não se tenha uma balança para medir o ganho de peso, pode-se fazer uma avaliação visual das condições corporais das vacas", conclui Rosseto.

 

Manutenção dos adultos

A alimentação básica de ruminantes (bovinos, ovinos e caprinos) são as forrageiras, ou seja, volumosos com elevado teor de matéria seca uma vez que necessitam de grande volume de alimentos para extrair os nutrientes necessários a sua manutenção e produção de carne ou leite e atender a parte ou função reprodutiva - que é o desencadeamento do cio até o final de gestação. Os elementos que compõe os alimentos são:
Proteínas, minerais, vitaminas, carboidratos, gorduras e água.

Os carboidratos e as gorduras são as fontes de energia, cuja principal função é o trabalho de manutenção da produção. Entre as funções principais das proteínas estão a formação de tecidos, a manutenção e reparo, secreções glandulares, produção de anticorpos e também produção de energia.

Os alimentos são classificados em: volumosos (secos - fenos e palhas; aquosos - silagem e capim verde); concentrados (energéticos de origem animal - gorduras; de origem vegetal - triticale, milho, sorgo, aveia e mandioca); protéicos de origem animal - farelo de sangue e farinha de carne; e de origem vegetal - farelo de soja, torta de algodão e 2,5 de soja; minerais; vitaminas e água.

Os alimentos concentrados possuem mais de 60% de nutrientes digestíveis totais, alto teor de energia e baixo teor de fibra bruta (menos de 18%). Já os concentrados podem ser divididos em energéticos com menos de 20% de proteína bruta e elevado teor de energia e protéicos que possuem acima de 20% de proteína bruta.

Os minerais atuam no crescimento, reprodução produção de leite, carne e lã. Os principais elementos necessários são: Cálcio, Fósforo, Potássio, Sódio, Cloro, Enxofre, Magnésio e os microelementos: Ferro, Zinco, Cobre, Manganês, Iodo, Cobalto, Molibdênio e Selênio.

  • Cálcio: Atua no funcionamento do sistema nervoso, do coração, na coagulação do sangue, formação de ossos e dentes e produção de leite.
  • Fósforo: Atua no crescimento, engorda e na reprodução.
  • Sódio, Cloro (Sal branco): Atua na digestão, equilíbrio dos líquidos e na engorda.
  • Potássio: Mantém o equilíbrio entre os líquidos das células.
  • Enxofre: Atua na produção das proteínas do rúmen e distribuição das proteínas pelos músculos e organismo.
  • Magnésio, Manganês: Atua no crescimento, reprodução e bom desenvolvimento ósseo.
  • Microelementos minerais: Atuam na formação do sangue, síntese de proteínas, produção de hormônios, produção de vitaminas, favorecem a digestão.
  • Vitaminas: São elementos necessários a manutenção das funções do organismo. Atuam no crescimento, reprodução, funcionamento do sistema nervoso, atua na produção de leite, fixação de minerais e recuperação de tecidos.
  • Água: Possui diversas funções importantes no organismo animal, motivo pelo qual deve ser estimulado a ingestão e para isso são utilizados diversos artifícios. A ingestão em grande quantidade permite aproveitar melhor os nutrientes.

Nutrição - No período de inverno ou seca prolongada, para suprir as necessidades dos bovinos devemos levar em consideração o tipo de volumoso existente para esta época; o tipo de pasto permanente e as condições; se está queimado pela geada ou não; se existe silagem ou não; capineiras como napier e cana ou pastagem de inverno como aveia ou azevém.

Seria ideal que houvesse, além do pasto permanente, uma pastagem anual de inverno à base de aveia e azevém e ainda um volumoso para alimentação suplementar como silagem e ou feno. No caso de não existir essa forma de suplementação, podemos lançar mão de alimentos concentrados para suprir a deficiência neste período, de acordo com as opções apresentadas. Também deverá ser utilizado o sal mineral para fazer uma suplementação de acordo com a necessidade e se for necessário também a suplementação com vitaminas.

Olívio Eirich, médico veterinário Detec da Coamo em Campo Mourão.

 

Suínos também são afetados

A produção de alimentos no mundo é altamente competitiva e tecnificada. Esta afirmação atinge em especial a suinocultura, pois é uma atividade difundida nos cinco continentes e sua carne é a mais consumida no mundo.

Para que a suinocultura possa ser competitiva é imprescindível que alguns pontos sejam observados: genética, nutrição, manejo, sanidade, administração, biosegurança e instalações entre outros. Porem, devemos dar uma especial atenção ao planejamento e administração destes fatores.

Dentro de todo processo de produção, um dos pontos de estrangulamento é o manejo dos leitões e em especial na maternidade. Devido as diferentes necessidades de microclima entre a matriz e o leitão (para que ambos possam expressar o seu máximo potencial) há uma dificuldade muito grande em controlar o ambiente dentro da maternidade. O microclima pode ser definido como uma combinação de diversos fatores: termodinâmica do ar, umidade relativa do ar, luz, som, poluição (gases tóxicos principalmente), densidade animal, equipamentos e manejo. O estresse térmico leva o leitão a apresentar queda no consumo de ração e leite. Isso pode ter como conseqüência a diminuição do ganho de peso diário, prostação e, nos casos mais graves, a morte.

Portanto a preparação da maternidade deve seguir algumas regras:
  • Vazio sanitário, no mínimo de cinco dias;
  • Ambiente limpo, seco e com mínimo de ruìdos;
    Transferência das fêmeas para a maternidade de 4 a 7 dias antes do parto previsto para adaptação na gaiola, contenção, piso comedouro e bebedouro.

O manejo dos leitões no parto também tem suas regras:

  • Limpeza da vulva e tetos da fêmea;
  • Ambiente limpo, desinfetado, seco e aquecido (32 graus);
  • Assistência permanente durante o parto e intensiva no pós parto, principalmente nos 03 primeiros dias;
  • Limpeza dos leitões: evita perda de calor, ativa a circulação e estimula a respiração;
  • Corte e desinfecção do umbigo, que se não for bem feito pode ser a porta de entrada para diversas doenças: onfalite, artrite e diarrèias;
  • Corte ou desgaste dos dentes;
  • Corte da cauda;
  • Reanimação de leitões fracos;
  • Fornecimento de uma fonte de calor para leitões recém nascidos (cuidado especial).

No inverno - uma boa maneira de oferecer um ambiente adequado ao leitão é o uso de escamoteadores, que deve fornecer uma temperatura ideal aos leitões independente da temperatura da maternidade, ou seja, formando o microclima ideal. As vantagens dos escamoteadores são muitas, dentre elas: evitar correntes de ar diretamente nos leitões, diminuir esmagamentos, concentrar o aquecimento evitando aquecer a fêmea, economia no custo de aquecimento e diminuição na mortalidade de leitões.

A primeira mamada deve acontecer logo após o parto e tem dois motivos fortes: o primeiro é a ingestão de lactose para que o leitão possa produzir calor e se manter aquecido e o segundo é que nessa primeira mamada o leitão ingere o colostro, que contém alta concentração de anticorpos que nas primeiras horas são absorvidos intactos e são eles que formarão a defesa do leitão, visto que seu sistema imunológico ainda não esta desenvolvido.

Nos leitões mais fracos , que nascerão com menos de 1,100 kg é recomendável a aplicação de soro glicosado, por via intraperitonial ou subcutânea. É indispensável fazer a prevenção para anemia ferropriva e ter água disponível para os leitões. A ração pré inicial pode ser fornecida a partir de 08 dias de vida para que os leitões comecem a desenvolver enzimas digestivas com o objetivo de preparar o organismo do animal para digerir, com mais facilidade, as rações subseqüentes e se interessar pela ingestão de alimento sólido.