Pecuária
Cuidados no parto do gado leiteiro

O período de parição, também chamado peri-parto (em torno do parto), deve receber cuidadosa atenção do criador. Sempre que possível é conveniente controlar a data de cobertura ou inseminação para que se tenha uma estimativa da data da parição. Só assim pode-se separar os animais que estão no final da gestação e destinar a eles um cuidado maior.

Caso não exista esse controle o criador poderá recorrer ao auxilio de um veterinário que saberá, através de palpação retal, determinar se o animal esta prenhe ou não e, caso esteja, em que fase de gestação se encontra. Outro indicador é avaliar o aumento de volume da glândula mamária, ou úbere. Esse aumento, comumente chamado de "mojo", aponta para a proximidade de data de parto.

Identificados os animas em final de gestação, convém colocá-los em um piquete especial, de preferência próximo a alguma moradia para que haja supervisão melhor.

O parto e suas dificuldades - Normalmente as vacas parem sem qualquer auxílio. O criador deve ter o cuidado de manter um local limpo e sem lama para as parições. Um pasto baixo sem poças de barro presta-se muito bem a esse fim e não há necessidade de maiores sofisticações.

O criador deve, entretanto, saber identificar se uma vaca está encontrando dificuldade em dar cria. Normalmente, o trabalho de parto dura poucas horas. Sabe-se que uma vaca está em trabalho de parto quando ela se levanta e deita repetidas vezes, apresentando contrações abdominais e gemidos. O criador deverá procurar o auxilio de um veterinário se o trabalho de parto durar mais de 12 horas e o bezerro não tiver ainda sido expelido.

É importante que nem o criador, nem seus empregados tentem tracionar ou fazer qualquer manipulação, tanto na vaca como no bezerro. É preciso estar bem treinado para ajudar no parto, pois qualquer erro pode levar a conseqüências que vão desde infecções até ruptura de útero e morte da mãe e do bezerro.

Uma vez parida, a vaca se levanta e passa a lamber o bezerro, que em poucos minutos também estará de pé e procurará o úbere para mamar.

Retenção da placenta - A placenta da vaca não é expelida com o bezerro, mas isso não é sinal de nenhuma doença. Trata-se de uma característica normal dos bovinos, que acabam por eliminá-la após algumas horas.

Mas atenção: se esse período ultrapassar 12 horas, podemos estar diante de um problema conhecido como retenção placentária. A retenção placentária pode decorrer de inúmeras doenças infecciosas, como a brucelose, por exemplo, mas também pode existir em casos de determinadas carências nutricionais.

A placenta retida tampouco deve ser tracionada em hipótese alguma. A cultura popular recomenda inúmeros procedimentos prejudiciais que incluem até amarrar pesos como pedras e tijolos. Isso não deve ser feito. É melhor chamar o veterinário que, além de tratar o caso em si, vai descobrir a causa da retenção e prevenir o aparecimento de novos casos.

Durante os três primeiros dias seguintes ao parto, a vaca produz um tipo especial de leite, chamado colostro, que é ligeiramente amarelado e viscoso. O colostro é essencial para a saúde do bezerro, pois ele possui elementos fundamentais para a sua proteção, entre eles os anticorpos.

As vacas leiteiras têm a glândula mamária muito delicada e sujeita a várias doenças. A mastite é a mais comum delas. Trata-se de uma inflamação decorrente da contaminação da glândula por microorganismos, e, normalmente, está associada à falta de higiene. Por isso, o criador deve-se preocupar em garantir uma excelente condição higiênica, sobretudo na ordenha, para que esses animais não adquiram doenças como a mastite.

Qualquer duvida entre em contato com o veterinário da sua região.

Paulo Roberto Caldeon, médico veterinário da Coamo em Ivaiporã.