Agromercado

Queda do dólar:
As perdas e ganhos na agricultura

Oscilação do câmbio preocupa exportador, segundo o analista da gerência técnica da Ocepar, Flávio Turra

Ao longo de 2003, as taxas de câmbio oscilaram bastante, chegando numa situação da moeda americana ficar abaixo dos três reais. Segundo o analista da gerência técnica da Ocepar, Flávio Turra, “esta queda preocupa o setor exportador, em especial do agronegócio, uma vez que a remuneração pelos produtos começa a desestimular o comércio externo e em algumas situações, como é o caso do milho, as exportações deixam de ser atraentes”, afirma.

Para os produtores rurais a queda do câmbio prejudica os preços dos produtos de exportação e, paralelamente, isso torna as importações de alguns produtos, como é o caso do trigo, mais barato, podendo interferir no mercado interno deprimindo assim os preços. “Do lado dos insumos a expectativa de queda de preços ainda não se verificou. Acredita-se que caso o câmbio baixo se mantenha, os preços dos insumos, que utilizam matéria-prima importada em sua composição, poderão recuar. No entanto, para o produtor rural, exportador ou não, o saldo desta conta, mesmo com a possível queda do preço dos insumos deverá ser negativa”, lembra Turra.

Variáveis – “É bom lembrarmos que os efeitos da variação da taxa de câmbio não são imediatos e também dependem de diversas variáveis, mas é oportuno começar a acompanhar a questão para não sermos pegos de surpresa. Por outro lado, os efeitos da queda na taxa de câmbio podem apresentar aspectos positivos”, salienta o técnico da Ocepar. Diante deste cenário traçado, a gerência técnica preparou, de forma resumida, as principais conseqüências da redução da taxa de câmbio sobre a economia como um todo e sobre os diferentes agentes econômicos.

PERDAS
Exportadores - A queda na taxa de câmbio torna os produtos brasileiros mais caros no mercado externo. Para manter os preços anteriores em dólares os exportadores receberão menos pelos seus produtos e em algumas situações poderá ser obrigado a deixar de exportar. Tendência de redução das exportações.

Turismo interno -
Uma taxa de câmbio mais baixa pode estimular novamente a vinda de turistas estrangeiros ao Brasil.

Produtores agropecuários -
Devido às cotações internacionais dos produtos agrícolas serem dolarizadas, uma menor taxa de câmbio implica na redução dos ganhos para os agricultores.

GANHOS
Inflação - Em função da redução dos custos das matérias-primas importadas a tendência é de que as empresas não aumentem os preços internos. As empresas que perderem competitividade no mercado externo redirecionarão seus produtos ao mercado interno aumentando a oferta com possibilidade de redução de preços.

Importadores - O custo dos produtos importados diminui, favorecendo a competitividade dos produtos vindos de outros países.

Empresas com dívidas em dólares - As dívidas dessas empresas diminui em reais.

Viagens ao exterior - Fica mais barato aos brasileiros viajarem.

Fonte - Paraná Cooperativo Ocepar.



Análises do Mercado Agrícola
Comercialização Coamo - 15/05/03

Trigo
O mercado interno continua vulnerável frente à valorização do real em relação ao dólar, com as indústrias retardando ao máximo suas compras a espera de queda nos preços, haja vista que a valorização do real contribui para a redução do custo com o produto importado. Continua a expectativa de 4,5 milhões de toneladas de produção para a próxima safra brasileira, a qual começará a ser colhida no máximo em 90 dias, cabendo-nos alertar os triticultores paranaenses quando a uma possível baixa liquidez do produto no mercado, principalmente pela má escolha das variedades cultivadas, já que o padrão de qualidade do trigo paranaense, no geral, vem a cada ano se mostrando inferior, pela disseminação do plantio de trigos pão e trigos brandos em uma mesma região, a exemplo do que aconteceu com o trigo argentino ao longo dos últimos anos, cuja visão está voltada estritamente para o fator quantitativo, ficando para segundo plano o fator qualitativo, com isso fica difícil estabelecer uma identidade que seja conhecida no mercado para o trigo paranaense, de forma que o produto atraia a atenção dos compradores, ao contrário, hoje estamos produzindo um produto que não atende as necessidades básicas das indústrias de moagem, levando-os a buscarem trigos de qualidade superior em outros mercados e utilizar o de qualidade inferior para mescla e barateamento do custo de produção, provocando portanto, baixa liquidez do mesmo no mercado.

Algodão
O mercado internacional apresentou nos últimos dias pequenas quedas nas cotações em virtude da suspensão de algumas operações da China no mercado, em decorrência do agravamento da epidemia da pneumonia asiática naquele país, cuja conseqüência para o mercado interno será inevitável, principalmente com a aproximação do início da colheita da região centro-oeste e à valorização do real frente ao dólar. Por outro lado, as indústrias de fiação também enfrentam dificuldades na comercialização do fio de algodão, já que parte do produto destinado ao mercado externo ficou comprometida por conta da queda do dólar, cujo produto acabará disputando espaço no mercado interno, no entanto pela quantidade de pluma exportada, as indústrias brasileiras terão que importar matéria prima para suprir o consumo estimado para o ano, devendo isto ser concretizado no decorrer do primeiro semestre do próximo ano.

Café
O momento é de cautela para o mercado de café, pois estamos entrando no período onde os riscos de geadas aumentam e, em conseqüência, há maior volatilidade de preços. Até o presente momento, não há nenhum indício de frio e o mercado está em compasso de espera. Do lado consumidor, os estoques continuam em níveis elevados e o interesse em compras futuras é muito baixo. Os produtores, por sua vez enfrentam a baixa do dólar e esperam alguma melhora nos preços com os leilões de opções do governo. Com tantas variáveis influenciando os preços ao mesmo tempo: frio, dólar, opções, o melhor é ter cautela.

Soja
As cotações da CBOT sustentam o preço da soja mesmo com as seguidas quedas do câmbio, em função da boa demanda que no momento se sobrepõe. O plantio americano até o último dia 12 encontrava-se com 16% plantado, o que está dentro do normal até aquele momento.

Milho
O mercado continua pressionado e praticamente sem compradores, os quais estão apostando na safrinha e conseqüentemente na queda do preço. Com a safrinha correndo dentro do normal, a solução será a exportação, a qual tem como absorver volume e com isso dar liquidez ao mercado.

 

Indicadores Econômicos

VARIAÇÕES Nov/02 Dez/02 Jan/03 Fev/03 Mar/03 Abr/03 ACUMULADO ACUMULADO
  PERÍODO 12 MESES
IGP/M (% AO MÊS) 5,19% 0,38% 2,33% 2,28% 1,53% 0,92% 17,04% 32,95%
TR (% AO MÊS) 0,26% 0,36% 0,41% 0,38% 0,38% 0,42% 2,34% 3,74%
DÓLAR
COMERCIAL
(% AO MÊS)
-0,23% -0,21% -0,21% 1,06% -5,26% -13,82 -20,72% 22,33%
TJLP (% AO MÊS) 10,00% 10,00% 11,00% 11,00% 11,00% 12,00%
SOJA 5,95% 5,81% 10,26% 10,13% 6,76% 12,92% 64,11% 315,08%
MILHO 3,14% 13,51 13,51% 16,67% 5,88% 11,61% 83,23% 244,68%
ALGODÃO (TIPO 6) 6,90% 8,57% 8,57% 6,04% 9,89% 0,00% 52,70% 106,36%
TRIGO (PH 78) 22,81% 0,00% 0,00% 1,75% 3,45% 0,00% 29,27% 186,94%
 

Poder de Troca mês a mês

MÁQUINAS/INSUMOS X PRODUTOS UNID. Nov/02 Dez/02 Jan/03 Fev/03 Mar/03 Abr/03

MÉDIA DO PERÍODO

MÉDIA ULT. 12 MESES

 

TRATOR NEW HOLLAND TM-135 - 125CM (COMPLETO)

SOJA sacas 2.520 2.667 3.049 3.133 3.660 4.566 3.266 3.244
MILHO sacas 4.812 5.975 6.329 6.667 8.000 9.634 6.903 7.024
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 7.267 7.152 6.849 6.933 7.330 7.900 7.238 7.897
TRIGO (PH 78) sacas 3.433 4.140 4.386 4.522 4.746 5.267 4.416 4.245
 

COLHEITADEIRA NEW HOLLAND TC 57 (completa)

SOJA sacas 5.272 4.972 5.610 5.783 7.059 8.237 6.155 6.226
MILHO sacas 10.066 11.139 11.646 12.308 15.429 17.378 12.994 13.463
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 15.200 13.333 12.603 12.800 14.136 14.250 13.720 15.184
TRIGO (PH 78) sacas 7.181 7.719 8.070 8.348 9.153 9.500 8.328 8.150
 

PLANTADEIRA PSE 8 2S (COM CÂMBIO)

SOJA sacas 753 736 795 785 1.016 1.102 865 978
MILHO sacas 1.439 1.650 1.650 1.671 2.220 2.324 1.826 2.047
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 2.190 1.975 1.786 1.738 2.034 1.906 1.938 2.403
TRIGO (PH 78) sacas 1.035 1.143 1.143 1.133 1.317 1.271 1.174 1.279
 

PULVERIZADOR COLUMBIA MAXTER FLOW

SOJA sacas 524 547 596 609 692 765 622 663
MILHO sacas 1.000 1.226 1.236 1.297 1.512 1.614 1.314 1.434
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 1.510 1.467 1.338 1.349 1.386 1.323 1.396 1.627
TRIGO (PH 78) sacas 713 849 857 879 8.97 882 846 869
 

CALCÁRIO

SOJA sacas 1 1 1 1 1 1 1 1
MILHO sacas 1 2 2 2 3 3 2 2
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 2 2 2 2 2 2 2 2
TRIGO (PH 78) sacas 1 1 2 2 2 2 1 1
Para cálculo da paridade de produtos X máquinas e insumos foram utilizados os preços praticados no último dia do mês.