Opinião

Editorial:
Culturas de inverno, crédito rural e reformas

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor presidente da Coamo


Dr. Aroldo Gallassini, presidente da Coamo
As culturas de inverno estão apresentando desenvolvimento normal com perspectivas de boa produção e obtenção de renda extra para milhares de produtores. O milho safrinha registrou aumento de área nesta safra em relação ao ano anterior e vem sendo favorecido pelo clima – historicamente de poucas chuvas nesta época do ano, e pelos bons níveis de preços. A expectativa de todos é que tudo transcorra
dentro da normalidade e que as previsões de que a produção brasileira de milho safrinha seja entre 9 a 10 milhões de toneladas se confirme. 

O trigo é uma outra boa opção como cultura de inverno, cujo plantio vem sendo intensificado neste mês, devendo ser concluído até o próximo mês na área de ação da Coamo. Os produtores que semeiam a cultura nos meses de maio e junho podem enfrentar menos riscos de geada em relação aqueles que plantaram mais cedo. 

A integração lavoura-pecuária é uma outra alternativa de inverno que vem tendo boa aceitação por parte dos cooperados da Coamo. Trata-se de um projeto lançado pela Coamo em parceria com diversas instituições que representa uma possibilidade de rentabilidade neste período do ano, sem maiores riscos em caso de ocorrência de geada.

Uma das preocupações atuais do setor agrícola brasileiro é com relação ao crédito rural, já que o governo adotou medida no sentido de aumentar o compulsório, recolhendo o excesso de dinheiro no mercado. Esta é uma situação que preocupa o setor produtivo, porém, acreditamos que o governo tenha bom senso, pois precisamos do crédito rural e que brevemente anuncie um maior volume de recursos do crédito rural para melhor planejamento e implantação da próxima safra de verão. A agricultura brasileira já mostrou ao governo a sua importância, evidenciada por exemplo na colheita histórica da safra recorde deste ano de mais de 100 milhões de toneladas e pela sua contribuição para o superávit e crescimento da balança comercial brasileira.

Outra situação que vem preocupando a nação brasileira diz respeito às reformas tributária e previdenciária, propostas pelo governo federal. A imprensa tem noticiado que as reformas provocarão elevação na carga de impostos de 37% para 41% do Produto Interno Bruto (PIB). Esta previsão é bastante negativa, pois o que todos os brasileiros desejam é a redução dos impostos e dos encargos sociais na previdência, considerados os principais fatores da estagnação do país e responsáveis pelo desemprego. A nossa expectativa é de que as reformas combatam os sonegadores fazendo com que haja um maior volume na arrecadação e conseqüentemente, volumes menores de sonegação, para que possamos ter a tão sonhada redução de impostos.

Com relação à comercialização, estamos observando o aumento nos custos dos insumos devido a alta do dólar e, conseqüentemente, a possibilidade de redução nos lucros da nossa atividade. Na safra 2002/2003 os custos dos insumos giravam com o dólar a patamares de R$ 1,80 e, neste ano o dólar atingiu índices de R$ 3,00, tendo chegado no final do ano passado a R$ 4,00. A comercialização dos produtos agrícolas está diretamente relacionada a valorização do dólar em relação ao real. Os preços atuais giram em torno de R$ 34,50 a saca da soja e R$ 15,00 a saca de milho, os cooperados da Coamo fixaram até o momento cerca de 50% da sua produção de soja e 40% dos volumes de milho, acreditando na elevação dos preços no segundo semestre. O importante é que os produtores façam suas fixações de acordo com as suas necessidades para cobertura dos seus custos, com expectativa de boa comercialização visando à rentabilidade e capitalização ao nosso quadro social.

 

 

Ponto de vista:
Novos desafios do cooperativismo

A minha recente posse na presidência da Frente Parlamentar do Cooperativismo me deixou com maiores responsabilidades sobre um setor que é fundamental para o desenvolvimento econômico e social do país. Pois acredito no sistema cooperativista como forma de diminuir as diferenças entre grandes e pequenos. A minha condução para presidir a Frencoop no Congresso Nacional me deixou completamente feliz, uma porque a minha eleição foi realizada através de um consenso da antiga e atual diretoria que compõe a Frente. Segundo porque o meu compromisso com as cooperativas sempre foi latente. Eu acredito que essa minha fé e a minha defesa nos ideais do cooperativismo serviu para que os meus companheiros parlamentares, 212 deputados e 17 senadores, de Frencoop me considerassem uma boa alternativa para presidir essa importante Frente Parlamentar do Congresso e do Brasil. Sou associado e cooperado a uma importante cooperativa do Paraná por mais de 30 anos.

O princípio do cooperativismo está baseado na solidariedade e desta forma, independentemente de ideologias a direita ou a esquerda, todo o parlamento tem a ser simpático com as causas do cooperativismo. A partir da queda do muro de Berlim, o cooperativista passou a ser a única alternativa capaz de barrar o capitalismo selvagem. E ainda mais o apoio propalado do novo Governo Federal as cooperativas são motivos maiores para encararmos esse setor como preponderante e fundamental ao Brasil.

Como presidente da Frencoop tenho como objetivo lutar por aprovar leis como a recem aprovada Medida Provisória 107. Estamos lutando ainda para estender a isenção do PIS/PASEP e da COFINS ao Ato Cooperativo para todas as cooperativas. A matéria ainda está em discussão no Senado para a posterior sanção presidencial. Ainda avançaremos muito na discussão desta matéria. Esse é o principal tema e que mais aflige o sistema cooperativo e que vem contando com o apoio da Frencoop, que é a cobrança da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS em relação ao Ato Cooperativo para os demais ramos do cooperativismo.

Entretanto, continuaremos trabalhando dentro do Congresso Nacional para a aprovação da Nova Lei Cooperativista, em tramitação no Senado, a aprovação da Lei Complementar que disciplina o Ato Cooperativo, a aprovação da Medida Provisória nº 2.168-40, que institui o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – SESCOOP, além de acompanharmos as Reformas da Previdência, Tributária e do Artigo nº 192 da Constituição Federal que direta ou indiretamente, estarão tratando de temas que conta com a efetiva participação do sistema cooperativo, por estar presente em todas as áreas econômicas e sociais da sociedade.

A discussão da nova lei do cooperativismo tem sua discussão em apenas três projetos básicos: o PLS 171, do senador Osmar Dias (PDT-PR), o PLS 428, do ex-senador José Fogaça (PMDB-RS) e o PLS 605, do senador Eduardo Suplicy (PT-SP). No mês de fevereiro deste ano, o Relator da matéria, Senador Luiz Otávio, apresentou seu relatório propondo a aprovação do PLS nº 171, entretanto, requerimento do senador Eduardo Suplicy, foi aprovada para realização de uma audiência pública para discutir a matéria com representantes da sociedade organizada, estando aí uma oportunidade para o sistema fazer a sua opção e exigir do Senado a aprovação do PLS que mais atende aos seus interesses, que ao nosso ver, está representado pelo projeto do Senador Osmar Dias (PLS 171). Para concluir, como a nova lei cooperativista já entrou em processo de debate, acreditamos que em breve ela poderá estar sendo votada no Senado Federal e sendo sancionada pelo presidente da república.

Moacir Micheletto é deputado federal pelo 4º mandato