Algodão:
Brasil comemora vitória
contra os subsídios
OMC considerou dumping aplicado pelos EUA uma prática ilegal
e que viola regras do comércio internacional
No
dia 27 de abril o mundo tomou conhecimento de um fato inédito
no mercado internacional de commodities: a vitória do Brasil
no painel da Organização Mundial do Comércio
(OMC) sobre a discussão de subsídios aplicados pelos
Estados Unidos para o algodão. O painel teve voto favorável
aos questionamentos que o país fez junto a OMC sobre a prática
ilegal de dumping (proteção) para a cotonicultura
americana. A organização considerou os subsídios
aos produtores agrícolas americanos uma violação
das regras do comércio internacional e suspendeu, por seis
meses, essa prática.
O painel da OMC concordou com a queixa do Brasil de que o montante
de subsídios dados pelos EUA a seus produtores de algodão
entre agosto de 1999 a julho de 2003, totalizando US$ 12,5 bilhões,
causa “sérios prejuízos” para os produtores
brasileiros, já que encoraja o excesso de produção
de algodão americano e deprime os preços mundiais
do produto.
A decisão, apesar de ser parcial, toca o cerne do debate
travado atualmente na OMC em torno da reforma do sistema mundial
de comércio, onde países em desenvolvimento argumentam
que os imensos subsídios agrícolas dos países
ricos derrubam os preços dos produtos e os impedem de ter
acesso a mercados lucrativos. A decisão da OMC é histórica
e dá uma vitória importante para o Brasil na maioria
das questões, nessa que é a disputa agrícola
mais espetacular do sistema multilateral de comércio.
“Há vários anos o Brasil vem discutindo a ilegalidade
dos subsídios americanos. Mas o EUA não dá
ouvido a esse tipo de solicitação”, argumenta
o superintendente Comercial da Coamo, Roberto Petrauskas. O que
foi aplicado de subsídios nos últimos 5 anos, segundo
ele, equivale a uma safra inteira de algodão americana. “Essa
vitória brasileira e, por extensão dos demais países
produtores, é um ponto favorável que reflete em ganhos
significativos a médio e longo prazo, além de que
abre precedentes para outras discussões sobre o dumping no
mercado internacional”, complementa o diretor presidente da
Coamo, engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini,
lembrando que a cooperativa já protagonizou ação
nesse sentido, há cerca de dez anos, e ofereceu apoio à
Associação Brasileira de Produtores de Algodão
(Abrapa), que moveu a ação através de advogados
americanos.
Reflexos – A decisão da OMC abre precedentes
para uma discussão política importante na Farm Bill,
que é a lei agrícola americana, e com provável
reflexo sobre os preços de todos os produtos agrícolas.
“No caso do algodão, nós, do Brasil, tivemos
sérios prejuízos, como a redução da
área de cultivo, justamente por essa prática desleal
de aplicação das regras do comércio”,
reiterou Petrauskas. Ele lembrou que dos períodos em que
o preço internacional do algodão era de 0,50 centavos
de dólar/libra-peso, e o governo americano garantia ao seu
produtor 0,65 centavos de dólar/libra-peso. “Essa diferença
incentivou o produtor americano a aumentar a área e contribuiu
para a derrubada do preço do algodão no mercado internacional.
E essa política foi implementada para ganhar mercado internacional,
ou melhor, tomar mercado de outros países produtores, que
estão em desenvolvimento, o que afeta toda a situação
econômica desses países, principalmente no saldo da
balança comercial”, assinalou o superintendente da
Coamo.
Em função dos problemas de mercado, a balança
comercial têxtil do Brasil apresentou números negativos
a partir de 1995 (- U$S 845 milhões), acumulando US$ 2,47
bilhões de saldo negativo até a safra de 2000. Enfim,
em 2001, a balança apresentou um saldo favorável de
US$ 73 milhões. No ano de 2002 o saldo foi de US$ 152 milhões
e subiu para US$ 595 milhões na safra de 2003.
História – Apesar de ser uma vitória
parcial, é a primeira vez que um país como o Brasil
tem parecer favorável na OMC contra os subsídios praticados
pelos americanos na agricultura. Até meados do mês
de junho a OMC deve publicar o texto final do painel que proibiu
os EUA de praticarem dumping sobre o algodão, o que dará
o direito ao país de contestar o processo.
“Muita coisa deve mudar com essa decisão, apesar dela
ser parcial. Isso mostra que o mundo está de olho no que
está acontecendo no mercado internacional. Esse aspecto,
por si só, pode provocar profundas alterações
dentro das políticas agrícolas dos países ricos
nos próximos anos, o que serão benéficas aos
países produtores. É um marco inicial bem recebido
pelo setor agrícola brasileiro. Vamos aguardar o desenrolar
da questão, uma vez que o Brasil é um país
que pode ser beneficiado em muito com isso, porque tem tecnologia
para implementar a sua produção agrícola e
pode competir melhor no mercado internacional”, completa o
presidente da Coamo, Dr. Aroldo Gallassini.
Decisão
da OMC beneficia cooperativas
As cooperativas
produtoras de algodão no Brasil conquistaram uma vitória
inédita com a decisão da OMC (Organização
Mundial de Comércio) de proibir os subsídios
fornecidos pelo governo norte-americano aos produtores daquele
país. “Deverá haver um crescimento sensível
dos investimentos e dos resultados das cooperativas brasileiras
de algodão, que respondem por cerca de 40% da produção
do país”, prevê o presidente da Organização
das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de
Freitas. A decisão da OMC deve oferecer novas perspectivas
de escoamento para a possível colheita recorde este
ano de algodão. Calcula-se que o Brasil produzirá
2,982 milhões de toneladas (35,19% a mais do que no
ano passado). As colheitas nos dois maiores Estados produtores
deverão aumentar em proporções recordes.
O bom desempenho do algodão também vem levando
ao aumento da área cultivada, que, de acordo com o
Ministério da Agricultura, deverá chegar a 1.012
milhão de hectares em 2004, 37,7% superior ao ano anterior. |
Coamo,
maior exportadora do Paraná
Números do quadrimestre apontam cooperativa como a 23ª
empresa de exportação do Brasil
De janeiro a
abril a Coamo foi a maior exportadora paranaense, participando com
6,31% do total das exportações, de US$ 2,4 bilhões.
Nesse período a cooperativa vendeu US$ 152,08 milhões
ao exterior, superando inclusive a Volkswagen, que vendeu US$ 138,7
milhões. O Paraná apresentou, no primeiro quadrimestre
deste ano, um crescimento de 20% nas exportações em
relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto
que a Coamo apresentou um crescimento de 84,06 %. Essa informação
é do Ministério do Desenvolvimento Indústria
e Comércio Exterior. Ainda segundo a Secex, a Coamo é
a 23a maior exportadora brasileira do primeiro quadrimestre.
Maior resultado e benefícios – O presidente
da Ocepar, João Paulo Koslovski, afirmou que os números
“são fantásticos e demonstram que o cooperativismo
tem um potencial enorme em participar cada vez mais do mercado externo”.
Disse ainda que o sistema está organizando um pool de cooperativas
com objetivo de aumentar a participação do mercado
externo, “com objetivo de trazer mais benefícios aos
associados”.
Meta da Coamo – O presidente da Coamo, engenheiro
agrônomo José Aroldo Gallassini, afirmou que o aumento
no volume de grãos e farelo exportados e a melhoria nos preços
internacionais contribuíram para alcançar essa posição.
Os principais produtos exportados pela cooperativa foram soja em
grão, farelo e óleo de soja, algodão em pluma,
fios de algodão e milho. “Nossa meta é chegar
ao final deste ano a um volume aproximado de US$ 600 milhões,
contra US$ 350 milhões no ano passado”, frisou Gallassini.
“Para nós é uma satisfação grande
sermos a primeira exportadora do Paraná e a 23ª do Brasil.
Isso é bom, abre o mercado e valoriza o cooperativismo, firmando
novas posições”, afirmou o presidente da Coamo,
José Aroldo Gallassini. No encerramento do ano passado a
cooperativa ocupou o 33º lugar entre as exportadora brasileiras,
ganhando dez posições nos quatro primeiros meses deste
ano.
Fonte: Paraná
Cooperativo Ocepar, 20/05/2004
Posição
das exportadoras e o saldo sobre as importações
| Empresa |
Exportação
em 2004 (US$) |
Evolução
sobre 2003 |
Importação
em 2004 (US$) |
Saldo
exportação/
importação |
| Coamo |
1525.083.722 |
84,06 |
* |
148.083.722** |
| Volkswagem
do Brasil (PR) |
138.702.773 |
-35,35 |
96.953.048 |
41.749.725 |
| Bunge Alimentos |
132.919.771 |
3,86 |
6.993.782 |
125.925.989 |
| Coinbra
S/A |
121.223.050 |
-16% |
* |
117.223.050** |
| Sadia Alimentos |
113.852.919 |
16,53 |
7.881.822 |
105.971.097 |
| Trifec
Motors Ltda |
78.965.700 |
2,81 |
20.343.423 |
58.622.277 |
| Robert
Bosh Ltda |
70.044.583 |
88,75 |
34.823.093 |
35.221.490 |
| Renault
do Brasil S/A |
59.489.089 |
66,65 |
59.700.621 |
-2111.532 |
| CNH latino
Americana Ltda |
45.573.063 |
72,68 |
9.571.399 |
36.001.664 |
| Volvo do
Br |
45.154.349 |
22,89 |
44.311.129 |
843.220 |
* (Menos de
US$ 4 milhões)
** (Valor aproximado por não haver informação
sobre o montante exato das importações)
|