Opinião     



Editorial:

A força da agroindústria

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor presidente da Coamo

“A instalação de uma extensão da Bolsa de Chicago, no Brasil, representa um acontecimento histórico que beneficiará diretamente toda a cadeia produtiva brasileira”

Por ocasião do Dia da Indústria, no último dia 25 de maio, a Coamo colocou em funcionamento a sua nova indústria de óleo, em Campo Mourão, que ampliou a sua capacidade de processamento de soja de 1.000 para 2.000 toneladas por dia. Com investimentos da ordem de R$ 50 milhões, a cooperativa consolida a modernização do seu parque industrial, em Campo Mourão, incrementando a produção das indústrias de extração de óleo e farelo, refino de óleo, gordura vegetal, margarina e fiação de algodão. Atualmente, contamos com cinco indústrias de esmagamento de soja, sendo duas próprias e três arrendadas que processam 6.800 toneladas por dia.

Assim, o processo de agroindustrialização, iniciado pela Coamo em 1981, com a entrada em operação da sua indústria de óleo, vem mostrando que estamos no caminho certo, confirmando a importância das indústrias para a Coamo, agregando valor à produção dos cooperados, além de gerar competitividade num mercado globalizado.

Outra boa notícia para o nosso agronegócio é a possibilidade da instalação de uma extensão da Bolsa de Chicago, no Brasil, com base no porto de Paranaguá. Este fato representa um acontecimento histórico que beneficiará diretamente agricultores, empresas e empresários envolvidos na cadeia produtiva brasileira.

A pedido do presidente da Bolsa de Chicago, que esteve visitando a Coamo recentemente, estamos coordenando as negociações e para os próximos dias já estão agendadas importantes reuniões. A primeira com o governador do Paraná e o superintendente do Porto de Paranaguá; na seqüência em Brasília com dirigentes do Banco Central, Banco do Brasil e representantes dos Ministérios dos Transportes e da Agricultura; e em São Paulo com empresários do agronegócio, objetivando a presença de uma extensão da Bolsa de Chicago já a partir do próximo ano no Brasil.

A instalação da Bolsa de Chicago em Paranaguá fará com que produtores e empresas realizem cobertura na bolsa em real, diferente do que acontece atualmente onde há necessidade de cobertura em dólar quando do aumento dos preços na bolsa. É uma grande conquista que permitirá também a mudança nos conceitos de comercialização, pois temos hoje uma visão imediatista, de especulação, aguardando aumento nos preços para comercializar a produção. Com a Bolsa de Chicago no Brasil, poderemos fazer a cobertura garantindo preços em relação ao custo de produção para comercializar posteriormente, sem correr tantos riscos de perda.

O ano de 2004 está sendo bem diferente do ano passado, quando tivemos o melhor ano de todos os tempos na agricultura, com boas safras de verão e inverno e bons preços em face das frustrações americanas e européia. Estamos vivendo o ano de 2004 com situações atípicas: seca em janeiro e excesso de chuvas em maio que prejudicaram grandes perdas das safras em praticamente todas as regiões do Paraná, principalmente no Oeste, no Arenito, além do Mato Grosso do Sul.

As lavouras de inverno tiveram incrementos de área nesta safra em relação a anterior: 7% no milho safrinha e 9% no trigo. Torcemos para que o clima seja favorável e que possamos colher boas produtividades nessas lavouras, a exemplo de 2003 quando chegamos inclusive, a exportar trigo, fato raro na história da nossa triticultura.

Estamos prevendo dificuldades para a obtenção de recursos junto aos bancos para a próxima safra, devido ao fato de que as instituições financeiras estão com demanda superior ao volume de recursos destinados ao crédito rural. As entidades do setor agropecuário estão pleiteando para esta safra liberação de recursos de R$ 56 bilhões contra os R$ 44 bilhões da safra anterior (na safra 2002/2003 o plano contemplou recursos de R$ 32,5 bilhões). Porém, o que não sabemos é se as reivindicações serão atendidas pelo governo já que quando ele anuncia o Plano Safra contempla volume de recursos tanto para financiamento, securitização, plano de pecuária, como para custeio de soja e milho, e não sabemos se haverá incrementos de fontes para liberação de novos recursos para o crédito rural.

Esperamos que o governo tenha bom senso e atenda os pedidos do setor agropecuário e amplie as fontes para o crédito rural. Comprovadamente, o agronegócio tem demonstrado ser um dos importantes pilares da economia brasileira garantindo o superávit da balança comercial brasileira e, merece, seguramente um apoio maior do governo para continuar ajudando o Brasil a crescer, gerando empregos, divisas e renda.


 Página Inicial   Índice Geral