Sanidade:
Manejo consciente
Vacinação pode ser decisiva quando se busca resultados
satisfatórios na produção de carne e leite de
qualidade
Entre
as estratégias de incremento na produção bovina
está o manejo sanitário, que pode prevenir ou erradicar
doenças, incorporando maior lucratividade à atividade.
Um bom exemplo é a imunização através
da vacinação. Seguir à risca o calendário
de cuidados sanitários é ter a segurança de conquistar
reflexos imediatos e diretos no retorno econômico da atividade,
além de garantir excelente padrão sanitário do
rebanho, abrindo ou mantendo mercados.
A conscientização do produtor, para esta finalidade,
é fundamental. O cooperado Bruno Scherer, de Dois Irmãos,
em Toledo, é um exemplo no manejo com os animais. Na sua propriedade,
de 13 alqueires de área, ele mantém um plantel de 63
vacas de leite, predominando a raça holandesa. A atividade
faz parte do sítio há 13 anos e ajuda a incrementar
a renda da agricultura, que ainda é a atividade principal do
cooperado. A produtividade de leite média anual no sítio
é de 500 litros por dia.
“Embora represente um dos menores custos dentro do processo
produtivo (2% a 5%), a vacinação pode ser decisiva quando
se busca a obtenção de resultados satisfatórios
na produção de carne e leite de qualidade. Este é
um dado que nem todos produtores dão a devida atenção”,
revela o medico veterinário Fábio Longhi Ferri, do Detec
da Coamo em Toledo. Ele diz que hoje a pecuária possui excelentes
tecnologias a sua disposição. “Assim, o desafio
fica por conta da implantação de bons programas sanitários,
dos quais a vacinação é um dos pilares, e da
consolidação dos procedimentos de como usá-las
corretamente, obtendo os melhores resultados na gestão da saúde
animal”, destaca.
O cooperado Bruno Scherer sabe bem disso. Além dos demais manejos
(reprodutivo e alimentar), ele não abre mão de fazer
todas as vacinações necessárias para a boa sanidade
do rebanho. “Estou sempre atento para esta questão, porque
a prevenção sempre é melhor que o tratamento
curativo, além de ser mais barata”, pondera.
Doenças e parasitas não chegam a ser problemas para
o rebanho de Scherer. Ele conta que o apoio da Coamo tem sido fundamental
para o bom desenvolvimento da atividade. “Com a orientação
da cooperativa padronizamos a atividade e, com isso, estamos ganhando
mais em estabilidade”, comemora, citando o acasalamento genético,
que tem ajudado a melhorar a qualidade do plantel. “Os cuidados
com o rebanho são bastante compensatórios, porque com
a perda de algum animal doente é possível pagar de 5
a 6 anos de vacinas”, contabiliza.
Prevenção
e erradicação das doenças
Algumas
enfermidades podem ser prevenidas ou até erradicadas
pela vacinação sistemática dos animais.
O exemplo mais evidente deste benefício na pecuária
é o da febre aftosa. Outro modelo que está em
implantação no país, é o Programa
Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose,
outra importante doença que causa sérios prejuízos
à pecuária nacional. Isto tendo em vista que
é ela a principal causa infecciosa de abortos dos rebanhos
de corte e de leite, refletindo também na fertilidade
do gado, no coeficiente de mortalidade de bezerros após
nascimento, além de ser uma zoonose, doença
que é transmitida ao ser humano. Estima-se que no Brasil
10% das propriedades estejam contaminadas. Há obrigatoriedade
de se vacinar as fêmeas bovinas e bubalinas com idade
entre 3 e 8 meses.
Além da brucelose, outras enfermidades também
passíveis de combate pela vacinação podem
apresentar reflexos na esfera reprodutiva provocando abortos,
reabsorção embrionária ou infertilidade.
Dentre elas estão a leptospirose, rinotraqueíte
infecciosa bovina (IBR), a diarréia viral bovina (BVD)
e a campilobacteriose.
A raiva e o botulismo, duas das principais causas de mortalidade
de bovinos no país, também são problemas
sanitários nos quais a vacinação desempenha
um papel relevante.
No botulismo, que está associado ao hábito dos
animais roerem ossos, a vacinação é uma
medida complementar que garante níveis de proteção
acima de 98% do rebanho, quando seguida corretamente a suplementação
mineral e da eliminação de carcaças dos
pastos. Nos surtos associados a água e alimentos contaminados,
a vacinação deve ser acompanhada ainda de medidas
higiênicas.
Um programa sanitário racional deve contar com a co-responsabilidade
de um veterinário conhecedor da realidade regional
e que auxilie o produtor na obtenção de resultados.
Deve seguir o calendário de vacinação
obrigatórias, associadas àquelas consideradas
necessárias dentro daquele sistema de produção,
a partir de um correto diagnóstico da situação,
análise do risco potencial e avaliação
do custo/benefício. Neste grupo estão as vacinas
contra as clostridiose, as de esferas reprodutivas, as vacinações
contra diarréia dos bezerros, contra mastite (gado
de leite), ou ainda contra enfermidades de caráter
circunscrito ou regional, como por exemplo, o carbúnculo
hemático, a hemoglobinúria bacilar ou a ceratoconjutivite.
A existência do programa não exclui a possibilidade
de realização de vacinações emergenciais,
quando necessárias.
Colaborou
na matéria Fábio Longhi Ferri, médico
veterinário do Detec em Toledo (Fonte: Revista DBO
saúde animal) |
Bovinos:
Cuidado com as doenças reprodutivas
Elas podem significar sérios prejuízos para a pecuária,
caso não sejam controladas
As doenças
reprodutivas são responsáveis por grandes prejuízos
na pecuária. A IBR, BVD, Leptospirose, Campilobacteriose
e Brucelose são exemplos de doenças reprodutivas,
que acarretam queda nos índices de fertilidade, determinando,
consequentemente, uma queda na produção de leite e
de bezerros.
Os prejuízos causados por essas doenças são
altos, e isso se deve ao aumento do intervalo entre partos, ou seja,
a fêmea deixa de parir uma vez por ano ou uma vez a cada 13
meses, períodos considerados ideais, e quanto mais essa fêmea
demorar para emprenhar após o parto, maior é o intervalo
entre partos e maiores são os prejuízos. O custo de
manutenção de uma fêmea no rebanho é
alto, portanto, esta fêmea não pode falhar em sua tarefa
em emprenhar e de parir um bezerro no tempo certo, pois o custo
permanece.
Vamos entender de que forma essas doenças se transmitem e
seus sintomas: a IBR (Rinotraqueite Infecciosa Bovina), é
uma doença causada pelo Herpesvirus bovino, que é
transmitida de forma bastante fácil. Todas secreções
(urina, lágrima, fezes, sangue, secreção nasal,
etc) podem transmitir a doença, o simples contato de animais
portadores de IBR com outros animais do rebanho possibilita a disseminação
da doença no rebanho. Os sintomas observados nos casos de
IBR são: nas fêmeas em reprodução, reabsorção
embrionária, repetição de cio com intervalos
irregulares, abortos, vulvovaginites (que são pequenos pontos
de inflamação na vulva da fêmea), inflamação
de ovários, etc, sintomas que levam de forma geral a queda
da fertilidade do rebanho. Em animais jovens a IBR pode levar a
problemas respiratórios, como por exemplo, traqueites e pneumonias,
que acabam prejudicando o desenvolvimento desses animais, principalmente
bezerros.
Um ponto interessante da IBR é que uma vez que o vírus
entra no animal fica em estado de “latência” o
seja adormecido esperando que existam novamente condições
de queda na imunidade para se reativar e novamente poder causar
doença.
A BVD (Diarréia Viral Bovina) é uma doença
de fácil transmissão, pois também é
causada por um vírus, todas as secreções do
corpo transmitem a doença, como no caso da IBR. A BVD e IBR
são doenças que normalmente ocorrem de forma associada,
provocando sintomas parecidos. Os sintomas da BVD são: nas
fêmeas em reprodução, reabsorção
embrionária, repetição de cio com intervalos
irregulares, abortos, nascimento de bezerros fracos, natimortos
(bezerros que nascem mortos), etc. Em animais jovens podemos também
observar problemas respiratórios, como pneumonias.
Esta doença ataca basicamente os mecanismos de defesa do
animal propiciando que outras doenças oportunistas (Leptospirose,
Brucellose, etc.) possam se desenvolver.
Outro ponto importante é que dependendo do momento de infecção
dentro do período de gestação, um bezerro contaminado
com BVD pode nascer, sobreviver e ser a fonte de contaminação
persistente no rebanho. Estes animais chamam-se animais PI (Persistentemente
Infectados).
A Leptospirose é uma doença causada pela bactéria
Leptospira, que em bovinos possui cinco tipos ou sorotipos importantes,
hardjo, pomona, canicola, icterohaemorrhagiae e grippotyphosa, as
vacinas contra leptospirose devem conferir proteção
contra esses cinco sorotipos. A transmissão ocorre entre
os bovinos através da contaminação de água
e alimentos pela urina de bovinos portadores da leptospira; os roedores
(como ratos, capivaras,etc) também podem transmitir a doença.
A Leptospira pode penetrar também pela pele, principalmente
na pele úmida. Os sintomas observados nos casos de leptospirose
são: nas fêmeas, reabsorção embrionária,
repetição de cio com intervalos irregulares, abortos,
infertilidade; já em animais jovens, principalmente bezerros,
os sintomas da doença são: febre alta, icterícia
(amarelão), urina com sangue, anemia e morte.
É importante salientar que todas essas doenças podem
ser transmitidas pelo sêmen, através da inseminação
artificial. Portanto, é de suma importância o uso de
sêmen livre dessas doenças, ou seja, atestado pelo
Ministério da Agricultura.
Podemos notar que os sintomas das doenças reprodutivas são
os mesmos, então, através da simples observação
dos sintomas é impossível determinar qual delas está
afetando o rebanho, somente a nível laboratorial podemos
determinar qual doença é responsável pelos
prejuízos, mesmo assim, grande parte das causas (até
67%) dos abortos ou mortes embrionárias não chegam
a ser identificada.
Para retomarmos a produção e aos lucros, devemos evitar
que essas enfermidades afetem o rebanho, e a única forma
para evitarmos isto é através da adoção
de um programa de vacinação.
Maykon Augusto
Onesko, médico veterinário Detec de Manoel Ribas
| Produção
de leite de alta qualidade
O que
é leite de alta qualidade? É o produto obtido
por meio de ordenha higiênica que apresenta ausência
de microorganismos patogênicos, livre de resíduos
químicos e medicamentosos, que tenha baixa contagem
bacteriana e baixa contagem de células somáticas,
com sabor agradável e de alto valor nutritivo.
A produção de leite de alta qualidade está
exigindo do produtor conhecimento técnico dos fatores
que afetam a qualidade do leite. A contagem de células
somáticas, a contagem bacteriana total e ausência
de resíduos químicos e de medicamentos são
os principais indicadores para o monitoramento da qualidade
do leite. A adoção eficiente de medidas no manejo
e higiene da ordenha, no controle da saúde da glândula
mamária (infecções intramamárias)
e procedimentos de limpeza e desinfecção dos
equipamentos e utensílios de ordenha, qualidade da
água, tempo de resfriamento do leite são fundamentais
à obtenção de matéria prima para
a produção de produtos lácteos.
Os procedimentos de limpeza e higienização do
equipamento de ordenha (tubulações, teteiras,
central de leite, mangueira do leite, tanque de expansão
e tarros) são alguns dos principais motivos que influenciam
a qualidade do leite. Quando resíduos de leite ficam
aderidos no equipamento de ordenha, as bactérias encontram
ambiente favorável à sua multiplicação.
A mangueira do leite e as teteiras devem ser trocadas freqüentemente,
pois com o uso prolongado apresentam rachaduras, onde haverá
acumulo de resíduo de leite e multiplicação
de bactérias ao longo do tempo.
O uso e a concentração correta de detergente
alcalino clorado, de detergente ácido, boa qualidade
da água e temperatura adequada da solução
resultam em limpeza eficiente do equipamento de ordenha.
O detergente alcalino clorado tem a função de
remover partículas de gordura e de proteína
do leite que fica aderido na central do leite e nas tubulações
por onde passa o leite. A temperatura da solução
de entrada deve ser nesta fase de 70ºC, e a temperatura
de saída não pode ser inferior a 45º C.
O detergente ácido também é recomendado
diariamente após a utilização do detergente
alcalino clorado e tem por objetivo remover o depósito
de sais minerais que se acumulam na tubulação
do equipamento de ordenha. A temperatura da solução
deve ser de no mínimo 35ºC, não podendo
ser superior a 60ºC.
A qualidade da água, a falta de imersão dos
tetos pré-ordenha e secagem com papel toalha, mastites,
o tempo e a temperatura de armazenamento influenciam a qualidade
do leite.
O equipamento de ordenha é uma fonte importante de
contaminação bacteriana do leite. Quando os
procedimentos de limpeza e higienização do conjunto
de ordenha são negligenciados a qualidade do leite
estará comprometida. Os produtos destinados para a
limpeza dos equipamentos de ordenha devem ser utilizados,
corretamente, de acordo com a indicação do fabricante.
Tarcísio
Spring de Almeida, médico veterinário Detec
de Abelardo Luz |
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