Mata ciliar é pauta de encontro em CM
SEMINÁRIO AMBIENTAL EXPÕE REGRAS PARA PROTEÇÃO
DAS MARGENS DE RIOS E LAGOS
Centenas de produtores rurais de toda região participaram
recentemente, em Campo Mourão, Araruna e Peabiru, de um Seminário
Sobre Legislação Ambiental, com Ênfase em Mata
Ciliar. Organizado pelo Sindicato Rural, Federação
da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e Serviço
Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o evento visou orientar
os produtores da região para que possam se adequar à
legislação ambiental e não sofrer as penalidades
impostas pela lei.

A partir do segundo semestre deste ano, os promotores públicos
do meio ambiente irão promover nas propriedades rurais o
cumprimento do Código Florestal e da nova Lei de Preservação
Eco-Ambiental, no que diz respeito às Áreas de Preservação
Permanente, principalmente na existência das matas ciliares.
Para o presidente do Sindicato Rural de Campo Mourão, Nelson
Teodoro de Oliveira, o Seminário atingiu o seu objetivo de
abrir os olhos dos produtores, que de certa forma podem até
não concordar com alguns pontos da nova legislação,
mas devem cumpri-la. “Todos devem entender, se adequar e cumprir
a lei. De maneira nenhuma devemos ser desobedientes, mas sim lutar
pelas mudanças que achamos necessárias”, justifica.
Em Campo Mourão cerca de 400 produtores participaram do Seminário,
que teve uma palestra ministrada pelo engenheiro agrônomo
Luiz Anselmo Merlim Tourinho, assessor técnico de meio ambiente
da Faep. Ele diz ter ficado surpreso com a quantidade de produtores
presentes na palestra, interessados no assunto. “Procurei
trazer todas informações necessárias para que
todos possam se adequar e não sofrer as sanções
da Lei, que começa a ser cobrada a partir de junho deste
ano. Estou muito contente porque essa é a primeira reunião
que faço, especificamente com relação ao meio
ambiente, onde tive um público tão grande e interessado”,
comemora. Para ele, ficou evidente que o tema é importante
e que os produtores estão se interessando e querendo se regularizar
ambientalmente.
POR DENTRO DO CÓDIGO - Na palestra, Tourinho
destacou as leis e códigos referente às questões
ambientais. Segundo ele, todo o problema do desmatamento da mata
ciliar se intensificou na década de 60, quando era necessário
produzir para se ter uma propriedade. Essa lei provocou o aumento
das terras para cultivo e conseqüentemente o desaparecimento
das matas.
O engenheiro agrônomo ainda criticou o Decreto Estadual (3320/04),
que propõe inúmeras restrições ao produtor
rural. Sobre isso, a Faep conseguiu uma liminar para o artigo 2º
desse decreto, permitindo o pedido da licença de corte ao
produtor rural que está devidamente em dia com seus deveres.
Apesar disso, o IAP (Instituto Ambiental do Paraná) não
está liberando essas autorizações, julgando
crime ambiental.
O desmatamento das matas ciliares está provocando uma exagerada
erosão do solo e assoreamento dos rios, além de reduzir
a biodiversidade e comprometer as nascentes. Para Tourinho, a promotoria
deve analisar cada propriedade afim de não cometer injustiças.
As vistorias terão inicio a partir do dia 6 de junho em todas
as propriedades rurais de Campo Mourão e Araruna, primeiros
municípios da região a serem fiscalizados.
A sugestão do técnico para recomposição
da mata ciliar é abandonar a área de preservação.
Ou seja, ao invés de plantar mudas nativas, basta separar
a área e deixar que a natureza se recomponha naturalmente,
o que certamente acontecera em quatro ou cinco anos, no máximo.
“Se você plantar a muda vai ter muito mais trabalho.
Não é só fazer a cova e deixar a planta ali.
Você terá de cuidar para que ela sobreviva. Agora,
abandonando a área a natureza vai se regenerar sozinha e
a área vai se recompor totalmente”, orienta.
Os promotores ambientais se unirão à Polícia
Florestal e montarão uma força tarefa que a partir
do dia 6 de junho irá vistoriar as propriedades de Campo
Mourão e Araruna, e se necessário, multará
os produtores com valores que podem chegar até mesmo R$120
mil, dependendo do caso. Em setembro, a equipe de vistoria passa
por Peabiru e Cianorte. O governo pretende atingir todo o Paraná
até 2009.
Cheida pede apoio da Coamo
O
Secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos
do Paraná, Luiz Eduardo Cheida, esteve visitando a
diretoria da Coamo recentemente, onde veio solicitar o apoio
da cooperativa e de seus cooperados no sentido de se engajarem
no Programa de Plantio de Mata Ciliar, desenvolvido pelo Governo
do Paraná. A meta estabelecida pelo secretário
é de plantar até o final de 2006, noventa milhões
de mudas de árvores nativas ao longo dos rios, lagos
e nascentes em todo Estado.
Conforme o Cheida, mais de um milhão de mudas já
foram plantadas pelos produtores rurais, através do
programa. O secretário também orienta o produtor
a abandonar a margem e deixar que a natureza se recomponha
por si própria.
O secretário entende que os produtores estão
cientes que o seu maior patrimônio, a sua grande poupança
é o seu solo. “Queremos o Paraná para
hoje e para sempre. Queremos que os nossos rios estejam limpos
para servir à todos, que dêem peixes e água
saudável”, salienta Cheida. |
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