Editorial:
Custos altos e preços baixos: perda de renda
ENGENHEIRO AGRÔNOMO JOSÉ AROLDO GALLASSINI,
DIRETOR-PRESIDENTE DA COAMO
A agricultura
brasileira está vivendo um momento muito difícil
neste ano em decorrência das perdas ocasionadas pela estiagem
durante a safra, aliado ao altos custos dos insumos e os baixos
preço da commodities. Os problemas são maiores no
Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e no Mato Grosso
do Sul.
Implantamos as lavouras da safra 2004/2005 com o dólar
valendo R$ 3,20 e de repente quando menos se esperávamos,
na hora da comercialização, o dólar caiu
a níveis de R$ 2,43. A incidência desses fatores
em uma só safra vem provocando um impacto muito grande
na agricultura. Esta situação é considerada
como muito grave e vem gerando a insatisfação e
a descapitalização dos produtores.
As perdas proporcionam grandes prejuízos não só
para os produtores mas também, por extensão, para
a economia regional e país. As perdas no Paraná,
segundo levantamento da Secretaria de Agricultura e Abastecimento
(SEAB) devem superar o montante de R$ 2,33 bilhões, com
redução prevista de 22% na produção
de grãos do estado. Diante desse quadro os produtores estão
se mobilizando e promovendo manifestações em várias
regiões na tentativa de sensibilizar o governo federal
e as autoridades, na busca de medidas emergenciais para resolver
esta grave situação provocada por altos custos e
baixos preços.
É importante lembrar que a Coamo sempre está junto
com os seus cooperados, seja nas horas de alegria ou nas horas
difíceis, como esta que estamos vivendo. Desde fevereiro,
quando vislumbramos a possibilidade do problema devido a redução
dos preços dos principais produtos no mercado internacional
e a valorização da moeda brasileira frente ao dólar,
agravado pela frustração por estiagem, a Coamo juntamente
com a Ocepar vem apresentando a gravidade da situação
e a crise da agricultura e reivindicando fortemente em nome dos
cooperados a adoção de medidas junto as autoridades
dos governos Estadual e Federal, junto ao Presidente da República
(Luiz Inácio Lula da Silva), aos ministros do Planejamento
(Paulo Bernardo) e da Agricultura (Roberto Rodrigues), senadores
e deputados que compõem a frente parlamentar da agricultura.
| “Reivindicamos
ao Governo Federal a criação de linha de crédito
com prazo de 3 a 5 anos com juros agrícolas de 8,75%
para atender as necessidades dos cooperados”
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A Coamo está engajada nesse movimento dos produtores,
que a nível nacional programa uma grande manifestação
para o dia 31 de maio para mostrar a força do agricultores
e a difícil realidade da nossa agricultura. É uma
situação muito grave, por isso estamos apoiando
o movimento dos produtores e reivindicando recursos do governo
federal para repasse às cooperativas visando a prorrogação
dos débitos dos produtores.
Nas reuniões junto aos cooperados temos falado muito da
importância de se pleitear financiamentos diretos nos bancos,
porque em caso de frustração como a que ocorreu
neste ano, o próprio Manual de Crédito Rural (MCR)
já prevê a prorrogação. Infelizmente,
nunca na história houve dinheiro do governo às cooperativas
para apoiar o saneamento das dívidas dos seus cooperados.
Por isso, temos que financiar junto aos bancos o máximo
possível.
Estamos conversando com os cooperados e avaliando a realidade
de cada um, estudando e apresentando propostas para a prorrogação
dos seus débitos com taxa de juros mais acessível.
E caso o governo federal venha atender nossos pleitos com taxas
de juros de crédito rural, vamos repassá-las aos
cooperados.
Outra opção que está sendo feita é
a possibilidade dos cooperados venderem sua soja mais para a frente,
esperando melhoria dos preços. Tenham certeza que estamos
preocupados com esta situação e trabalhando muito
para encontrar alternativas. As coisas não estão
nada fáceis junto a área econômica do governo
e esperamos que através do evento de mobilização
dos produtores paranaenses, no próximo dia 31 de maio,
possamos sensibilizar as autoridades.
Com relação a estiagem nem todos os produtores tiveram
problemas com as suas lavouras nesta safra de verão. Em
determinadas regiões os produtores colheram normalmente
e terão condições de saldar seus compromissos
com a Coamo. Reiteramos o que dissemos em outras oportunidades:
o ano de 2005 será muito difícil e mais apertado
que os outros anos.
Neste momento de crise é necessário que o Governo
Federal se sensibilize e crie uma linha de crédito com
prazo de 3 a 5 anos com juros agrícolas de 8,75% para atender
as necessidades dos cooperados que possuem débitos com
as cooperativas, pois sabe-se que o governo não financia
parte dos volumes aplicados em custeio com taxas do crédito
rural. A grande parte desse montante está em débitos
com as cooperativas e empresas fornecedoras de insumos.
Aguardamos uma solução urgente do Governo Federal
para resolver os problemas do produtores, que precisam sanar seus
compromissos para continuar produzindo.
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