Suinocultura:
Mais leitões desmamados com maternidade
suspensa
COOPERADO DE MANOEL RIBAS INVESTE NA MODERNIZAÇÃO
DA GRANJA E SE SURPREENDE COM MAIOR EFICIÊNCIA DAS
MATRIZES
O
piso de concreto e madeira que antes predominava na maternidade
da granja do cooperado Gervásio Alflen, de Manoel
Ribas, só pode ser visto, atualmente, em fotografias.
É que há sete meses a realidade da granja
mudou. Alflen investiu R$ 17 mil na execução
de um projeto arrojado que modernizou a estrutura de maternidade
e ofereceu maior eficiência na produção
dos leitões. Trata-se de um sistema que elevou o
piso da maternidade. A alternativa que é recomendada
por especialistas no assunto e que resulta em ganhos mais
estabilizados na criação, sem contar os reflexos
positivos no manejo dos animais.
Segundo o cooperado, o investimento compensou, uma vez que
proporcionou uma ampliação na produção
mensal da granja através da redução
do números de leitões que nasciam sadios e
não chegavam a ser desmamados. “A maioria dos
leitões morriam esmagados pelas próprias mães,
devido às falhas na estrutura da maternidade antiga”,
conta Alflen. Com a nova estrutura, este perigo foi afastado
da granja. “Até aumentamos a taxa de desmame,
numa média de dois leitões por porca. Isso
tem proporcionado um incremento na nossa taxa de desmama
de 30 leitões a mais por mês. Um resultado
que até então não existia”, comemora
PROJETO – O novo sistema adotado
pelo cooperado Gervásio Alflen utiliza um sistema
de baias que ficam suspensas a uma altura de 25 centímetros
do chão. As grades de proteção dos
leitões evitam que as matrizes esmaguem as crias,
que ficam sobre um piso de plástico pastilhado. Abaixo,
há uma ‘lamina’ de aproximadamente 20
centímetros de água, onde ficam depositadas
as fezes e urinas. A água é trocada há
cada 28 dias, que é o prazo para a transferência
dos leitões para a creche.
“Este novo sistema também auxilia na redução
dos odores na granja, além de diminuir as moscas.
Assim, o ambiente está sempre limpo, o que contribui
para que os animais sofram menos com doenças como
a diarréia, por exemplo, que é um dos principais
problemas dos leitões”, destaca o médico
veterinário Rogério Ernesto da Silva, do Detec
da Coamo em Manoel Ribas. Ele diz que também houve
sensível melhora no índice de desinfecção
da granja e até as porcas foram beneficiadas. “Hoje
as matrizes têm menos problemas infecções
dos cascos e os casos de artrite em leitões praticamente
foram eliminados”, acrescenta.
A granja de Alflen abriga 70 matrizes. A produção
média mensal é de 120 leitões. A suinocultura,
na propriedade do cooperado, representa 40% do faturamento
anual, sem contar o aproveitamento da mão-de-obra
familiar e o giro rápido de dinheiro na propriedade.
Tirando os custos, o ganho do criador pode chegar a 30%,
o que dependendo do valor do quilo do suíno vivo
no mercado pode representar um excelente negócio.
“É por isso que temos que otimizar ao máximo
o nosso sistema de produção, porque o que
deixamos de perder estamos, na verdade, ganhando”,
completa o cooperado. “Para um produtor pequeno como
eu, que trabalha sobre 13 alqueires, a diversificação
é a melhor saída para ampliar a renda da família”,
conclui.
Encontro para iniciadores debate nutrição
Realizado em abril, o encontro para suinocultores iniciadores
da Coamo reuniu 90 participantes, entre cooperados e seus
funcionários. O evento foi dividido em duas etapas,
envolvendo os criadores da região de Campo Mourão
e Pitanga. De manhã foi a vez dos cooperados de Pitanga,
Manoel Ribas e Ivaiporã; e à tarde os produtores
de Campo Mourão, Roncador, Luiziana, Mamborê
e Engenheiro Beltrão.
O tema central das discussões foi a nutrição
dos leitões. Os veterinários Fábio
Botelho, do laboratório M. CASSAB e Alba Fireman,
do laboratório INVE. Botelho, especialistas em nutrição
animal, abordaram o ideal de manejo alimentar e instalação
para que o leitão, da maternidade à creche,
consiga um alto desempenho zootécnico, ou seja, chegar
à saída da creche com peso de até 30
kg, em, no máximo, 72 dias de idade total. Também
mostraram as melhorias e atualizações feitas
nas rações e concentrados para suínos
Coamo, em benefícios ao melhor desenvolvimento dos
leitões.
NOVA
FÓRMULA – Os suinocultores iniciadores
têm, desde fevereiro, uma ração mais
elaborada para os leitões. A nova formulação
é atualizada e atende melhor às necessidades
dos filhotes. O projeto da nova ração é
resultado da união entre a Coamo e os laboratórios
M. CASSAB e INVE, assessorado pelo professor e doutor em
nutrição animal da Universidade Federal de
Viçosa, Júlio Pupa.
Rogério Paulo Tovo, responsável pelo projeto
de suinocultura da Coamo afirma que na natureza, o leitão
seria desmamado com 60 dias e hoje isso é feito em
torno dos 21 dias. Dessa forma, a mãe é desocupada
mais cedo para que entre novamente num ciclo de reprodução.
“Dos 20 aos 60 dias, você terá de ter
uma condição de alimentação
que se assemelhe ao leite materno. Sabemos que pela evolução
genética, o próprio leite da porca também
teria limitação para o alto desempenho para
ir até os 60 dias. A gente tenta, do ponto de vista
fisiológico, fazer um alimento que seja de fácil
digestão e que seja super-concentrado. Por um lado,
você quer fazer um produto muito semelhante ao leite
materno, por outro deve ser um alimento que faça
o animal ter um desenvolvimento rápido, que a genética
proporcionou”, acrescenta Tovo.
Para ele, o projeto teve bastante participação
e atingiu os objetivos. “A intenção
foi mostrar para os produtores que a Coamo está preocupada
em melhorar a qualidade de seus produtos. Nossa ração
de leitão não estava dando desempenho que
eles queriam e a gente foi atrás, investiu, trouxe
novos aditivos e o resultado foi bom”. E acrescenta
que a ração reformulada está disponível
para o produtor desde fevereiro, e como é nova, nem
todo mundo já começou a usar as três
rações e os dois concentrados. “Mas
quem já usou está satisfeito”, afirma.
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