Promovido pelo Detec da Coamo em Araruna, o 1º Encontro Agrotecnológico realizado recentemente, reuniu cerca de duzentos participantes entre produtores rurais, técnicos e autoridades do município e da região. A fertilidade do solo e os benefícios que a integração lavoura/pecuária traz para a atividade; tecnologia de aplicação e devolução de embalagens vazias de agrotóxicos; além de cobertura verde e as vantagens em não deixar a terra descoberta no inverno, foram os temas abordados no encontro. O foco do encontro foi conscientizar os produtores sobre a importância de realizar um manejo diferenciado em áreas arenosas, com objetivo de fazer com que esse tipo de solo retenha umidade e os nutrientes necessários para a planta.
O engenheiro agrônomo João Roberto Juliani, encarregado do Detec da Coamo em Araruna, abriu o encontro falando sobre o Programa TA – Tecnologia de Aplicação e devolução de embalagens vazias de agrotóxicos. Em seguida, o agrônomo Joaquim Mariano Costa, chefe da Fazenda Experimental Coamo falou sobre fertilidade do solo. Segundo ele, o tema nunca esteve tão em moda, uma vez que as constantes frustrações que passa a agricultura estão ligadas à fertilidade, responsável direta pela produtividade da lavoura. “Este tema envolve as partes vivas do solo, como os microorganismos e a matéria orgânica. Isso faz parte do manejo, de como fazer com que esse solo retenha a água das chuvas e armazene para sustentar as culturas implantadas”, afirma.
Costa alertou para os riscos de se manter o plantio de grãos na região do arenito sem a implantação da pecuária. Segundo ele, o ideal é se fazer as duas atividades, em esquema de rotação, já que o pasto tem o papel de restabelecer a matéria orgânica e a retenção de água, o que viabiliza a agricultura. “A saída é plantar boi na área de grãos e vice-versa. Desta forma é possível estabelecer um sistema de produção sustentável”, orienta.
Armazenar água – O encontro foi fechado com a palestra de Ademir Calegari, pesquisador da área de Solos e Plantas do Iapar – Instituto Agronômico do Paraná. Ele falou sobre cobertura verde e o por quê do solo não poder ficar descoberto durante o inverno.
O pesquisador sugere que o produtor faça uma combinação de culturas como aveia, centeio, nabo entre outras para produzir palha e melhorar o solo em profundidade e aumentar a matéria orgânica para garantir o armazenamento de água. “Temos observado que a agricultura de hoje não esta se pagando e precisamos recuperar sua sustentabilidade. Vamos alcançar esse desenvolvimento sustentável novamente através de um bom manejo desse solo, aproveitando não só o verão mas também o inverno para cobrir o solo com alguma espécie e prepará-lo para as culturas seqüentes”, explica.
Ademir Calegari defende que o produtor deve intensificar ao máximo sua área, em especial quando for pequena, e utilizar não só a agricultura como fonte de renda, mas também a pecuária entre outras atividades que devem e podem ser exploradas.
O uso de plantas de cobertura, os chamados adubos verdes, é uma prática milenar, utilizada para evitar as
perdas de nutrientes do solo e disponibilizá-los para outras culturas. “No entanto, muitos produtores, seja pela descrença ou outras situações, nem sempre têm lançado mão dessas alternativas”, lembra o pesquisador da área de Solos e Coberturas do Iapar – Instituto Agronômico do Paraná, Ademir Calegari. Ele foi um dos convidados para o 8º Encontro Regional de Culturas de Inverno, promovido pela Associação dos Engenheiros Agrônomos de Campo Mourão (AEACM). O evento aconteceu no dia 29 de abril e reuniu cerca de 100 profissionais da região de Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná).
Matéria orgânica – Um dos grandes efeitos das plantas de cobertura é o aumento de matéria orgânica no solo. “E nós sabemos que em anos de alta incidência do sol a cobertura vai evitar a evaporação de água e diminuir a infestação de invasoras, além de ampliar a capacidade de reciclagem e disponibilizar nutrientes”, enumera Calegari.
O técnico cita o caso da ervilhaca, que pode deixar até 100 quilos de nitrogênio para a cultura do milho; e do milheto, que é uma excelente planta para reciclar potássio e fósforo. “Esses nutrientes vão ser disponibilizados para culturas posteriores. Consequentemente, o produtor pode ter uma diminuição no uso dos insumos externos e redução dos custos de produção”, contabiliza.
Escolha das plantas – Os fatores que o produtor deve levar em conta na hora de escolher as plantas que serão implantadas em sua propriedade são: o clima e o solo. “Cada região tem a sua característica própria e cabe aos técnicos indicar aos agricultores as melhores opções para que eles consigam os efeitos fascinantes que essas plantas de cobertura oferecem, num esquema adequado de rotação, dentro do sistema de plantio direto”, afirma Calegari.
Ele acrescenta que é bom fazer um diagnóstico da propriedade, para saber quais tipos de invasoras estão predominando, e se o solo possui uma boa cobertura ou não. “Daí pode-se optar por leguminosas (ervilhaca, tremoço); crucíferas (nabo forrageiro), algumas gramíneas (aveia preta ou branca, centeio ou triticale)”, finaliza.