Na bagagem trazida pelos irmãos Erineu, Cláudio, Hélio e Silvio Johann a Vila Nova, no Oeste paranaense, no início da década de 60, os violões eram as peças principais. Ainda meninos, eles usaram a música para ampliar os laços de amizade e amenizar o impacto da mudança para uma nova região e a dificuldade do trabalho na época. Todas as tardes, depois de cumprir uma jornada longa na lida, eles sentavam na varanda da casa dos pais e faziam a alegria de todos, tocando e cantando. Algumas vezes, nas quermesses de fim de semana, eles até se apresentavam nos intervalos dos bailes promovidos na localidade.
Os meninos foram fazendo história com os seus violões, cercados de muita música e amigos. E neste ambiente, eles cresceram e formaram famílias, mas não abandonaram as duas paixões: durante o dia o trabalho na lavoura e nos fins de tarde as rodas de viola.
Assim, a união familiar dos Johann permanece até hoje. Os irmãos ainda se reúnem para tocar e cantar. Eles também continuam se apresentando em bailes, festas e até em festivais. Levam alegria e animação por onde passam, sobretudo com a dupla formada entre os irmãos Cláudio e Silvio.
A reportagem do Jornal Coamo esteve na propriedade dos Johann e conferiu de perto o dom familiar para a música, numa história de lutas e realizações. Juntos, eles contaram os principais fatos que marcaram a vida da família. “A música sempre esteve presente em nossa casa. O pai e a mão contavam e penso que acabaram nos influenciando”, lembra Cláudio, um dos irmãos. Ele diz que nunca fez aulas de violão. Como seus irmãos, aprendeu sozinho.
Lida no campo – Quando chegaram à região os Johann enfrentaram muitas dificuldades. O lugar ainda era pouco desenvolvido. A criação de suínos e a agricultura de subsistência foram as primeiras atividades da família. Depois, com a mecanização da propriedade, eles começaram a plantar soja. “Colhemos a primeira safra manualmente. Levamos mais dois meses entre o corte da lavoura e a debulha dos grãos”, revelam.
Daquele tempo só restaram lembranças. Com o avanço da tecnologia de produção os Johann também se desenvolveram. Hoje, cada um dos irmãos tem o seu próprio sítio. Juntos, eles plantam uma área de 50 alqueires. Cultivam soja, milho, trigo e mantêm criações de suínos e vacas leiteiras. A produtividade média dos irmãos, das últimas três safras, é de 130 sacas de soja e 250 sacas de milho por alqueire.
Terapia e festivais – “A música ajudou a manter a família unida”, afirma Cláudio Johann. “Para nós, tocar e cantar é uma terapia”, acrescenta.
Hoje, nos festivais de música regionais, os irmãos cantores são representados pela dupla Cláudio e Silvio, o caçula, que tem buscando aprimoramento na música através das aulas de viola. “No último evento que participamos uma agradável surpresa: conquistamos o 6º lugar na categoria sertaneja, entre 16 duplas”, comemora Silvio.
O sítio de 35 alqueires da família Spohr fica na localidade de Novo Três Passos, em Nova Santa Rosa, também no Oeste paranaense. Em 90% da área, eles plantam soja. O restante é cultivado com cana-de-açúcar. A alternativa surgiu na vida da família há cerca de 10 anos, quando a esposa do cooperado Valdemar Spohr, dona Áurea, resolveu investir na produção de bolachas para ampliar a renda da família. “O melado de cana era um dos ingredientes principais na preparação dos biscoitos. E como tínhamos que comprar o produto regularmente, resolvi produzir o nosso próprio melado. A produção foi suficiente para atender a pequena fábrica de bolachas e ainda sobrou para vender. E foi então que decidimos partir para o mercado”, contam.
Como todo o início, os Spohr tiveram muitas dificuldades quando iniciaram as novas atividades. “Preparava as bolachas, pães e cucas num dia e saía para vender no outro, batendo de porta em porta”, lembra dona Áurea. Persistente, e contando com a ajuda de toda a família, ela nunca desanimou e hoje vê a sua produção sendo comercializada em mercados, padarias e mercearias de toda a região.
Volume – A produção semanal chega a 200 quilos de biscoitos. Ao todo, são 18 tipos, com os mais variados sabores, recheios e coberturas. As bolachas seguem o caminho comercial do melado de cana, açúcar mascavo e rapadura, que também são produzidos pela família. São cerca de 120 quilos de melado de cana por dia, 100 peças de rapadura por semana e 250 quilos de açúcar mascavo por mês.
“Em anos normais, quando a soja produz bem, empatamos, em termos de rentabilidade, com a receita gerada pela agricultura”, comemora dona Áurea. O dinheiro gerado pelas “atividades extras” ajudam a manter a propriedade. “O resultado da lavoura sobra praticamente limpo”, ressalta Valdemar Spohr.
Ampliação – O sucesso dos produtos é tanto que a família já iniciou um projeto para ampliar a produção. “Devemos triplicar o volume dos derivados da cana-de-açúcar”, adianta o cooperado. Com o investimento, a meta da família Spohr é fazer com que as alternativas se tornem as principais atividades da propriedade. “Planejamos chegar a uma receita anual, envolvendo a venda de melado, rapadura, açúcar mascavo e bolachas, de 75% do total faturado na propriedade”, concluem.