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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 350 | Maio de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Pecuária

Eficiência na pecuária e na agricultura

Fugindo da monocultura, o cooperado Leandro Alves, de Faxinal, aposta na integração de atividades e contabiliza lucros

“Para um bom entendedor, meia palavra basta”. Um ditado popular que foi seguido à risca pelo cooperado Leandro Donizetti Alves, de Faxinal (Vale do Ivaí, no Paraná). Há pouco mais de dois anos ele resolveu dar um passo importante na sua atividade e não se arrepende. Com estilo empreendedor e ciente que não poderia ficar apenas na monocultura, com a produção de soja, o agricultor saiu na frente e de forma inteligente pensou no futuro, sem esquecer do presente.

Alves queria inovar, diversificar a propriedade, otimizar sua atividade e deixar de ser “prisioneiro” de uma única fonte de renda, que como previa, a qualquer momento poderia deixar muita gente na mão. Ele conta que a primeira atitude foi procurar o Detec da Coamo e buscar orientação sobre como e quando co-locar em prática seu projeto. A idéia do produtor era implantar, na Fazenda Itajubá, propriedade de 145 alqueires de plantio e outros 55 de preservação, a pecuária. No início, toda área da fazenda era utilizada para a criação de gado, em sistema extensivo. Agora, agricultura e pecuária dividem espaço na propriedade, no inverno e no verão, num bem montado projeto de exploração conjunta cujos resultados são altamente animadores.

Informação à mão – O cooperado conta que tudo começou em uma das Reuniões de Campo com a diretoria da Coamo, onde o presidente da cooperativa, Dr. Aroldo Gallassini, incentivou os cooperados a diversificar as propriedades em busca de novas fontes de renda. “Resolvi seguir o conselho do Dr. Aroldo. Como não temos muitas alternativas no período de inverno, por nossa região ser bastante fria nesta época no ano, pensei em cultivar boi, e deu certo. Agora minha lavoura de inverno é gado”, brinca o agropecuarista, demonstrando muito conhecimento do que fala.

Estrutura – Na contramão para alguns, mas no caminho certo para os corajosos, Alves não se intimidou e investiu com um só objetivo: tornar a atividade auto-suficiente e lucrativa. Nesta época a área eras coberta exclusivamente por lavouras comerciais e, ganhou uma logística diferente com a construção de cercas fixas e piquetes elétricos, para separar os 250 animais que alavancaram o início projeto. No verão os animais são manejados em 65 alqueires de capim mombaça, divididos em 38 piquetes, que durante a formação recebeu complementação mineral na base e hoje é corrigido apenas com manutenção de nitrogênio. Os outros 80 alqueires são ocupados pela soja, que no inverno dá lugar para a aveia preta e o azevém, onde o gado pasteja com abundancia. Toda a área, conforme o produtor, é bem corrigida e tanto a soja como a aveia e o azavém se desenvolvem bem a cada safra.

No caminho certo – Conforme o engenheiro agrônomo Daniel Bacin, do Detec da Coamo em Faxinal, o produtor fez tudo certo. “Ele seguiu critérios importantes. Tirou a pastagem antiga, que era degradada, estruturou o solo fazendo correção, plantou soja por durante três anos e depois implantou uma pastagem com grande potencial. E é a partir de agora que os bons resultados vão de fato aparecer. O investimento inicial foi alto e agora é só fazer a manutenção dos níveis de nutrientes no solo”, esclarece o agrônomo.

Precaução – Para não ser pego de surpresa, Alves faz silagem de milho planta inteira, que utiliza como complemento alimentar em casos de frustração da aveia e azevém no período. Mas não para por ai. Para emergências com os piquetes, se houverem, ele reserva uma área de dez alqueires de capim colonião. Como experiência o cooperado resolveu semear azevém nas áreas onde o pasto de verão estava ralo, como cobertura de solo.

Alta lotação – O médico veterinário Paulo Calderon, do Detec da Coamo em Faxinal, diz que o cooperado segue as recomendações técnicas. “Desta forma fica mais fácil de trabalhar e os resultados certamente aparecem”, comenta. Calderon lembra que o grande segredo esta no manejo. “Atualmente estamos com 700 cabeças aqui e ainda sobra alimentação. Para se obter essa eficiência é preciso saber a hora certa de colocar e tirar o gado dos piquetes. Assim sempre haverá comida de sobra”, orienta.

Resultados – O produtor trabalha somente com novilhas, que ficam prontas para o abate mais cedo, proporcionando um retorno mais rápido. No segundo ano de integração o cooperado já sente os reflexos positivos da mudança. Em 2005, por exemplo, foram comercializadas 600 novilhas para o abate, e neste ano outras 700 estão em processo de engorda. O processo é rápido e bem simples. As fêmeas chegam à fazenda com média de 8 arrobas e depois de 4 meses saem pesando entre 11 e 12 arrobas. O ganho de peso diário por animal é de 800 gramas por dia, em média, na pastagem de verão e 900 gramas no azevém.

Diversificação e maior renda com bovinos de leite

Otimizar ao máximo a atividade e agregar renda, além de incentivar a diversificação da propriedade. Esses foram os principais objetivos dos Encontros Sobre Bovinocultura Leiteria, realizados na durante o mês e abril nos municípios de Boa Esperança, Moreira Sales e Juranda. Cerca de 150 cooperados produtores de leite, das três regiões, participaram do ciclo de palestras que abordaram temas ligados à atividade como: Manejo e Adubação de Pastagens; Manejo Sanitário e Inseminação Artificial; Mineralização para Bovinos de Leite e Manejo da Ordenha, entre outros.

Para o médico veterinário Adriano Regiane pereira, que ministrou palestra nos três dias de encontro, o produtor de leite tem de ser conscientizado que ainda há muito para crescer em termos de produtividade. “Existem produtores que ainda não estão engajados na atividade buscando o máximo de produção por área. Por isso o nosso objetivo é apontar onde é possível melhorar”, explica.

O veterinário lembra que o manejo e a adubação de pastagens é o “alimento” mais barato que o produtor têm na propriedade. Basta planejar esse alimento dentro da integração lavoura/pecuária com antecedência e eficiência. Outro assunto abordado pelo veterinário foi à genética dos animais. Conforme ele para se alcançar bons resultados o ideal é que se tenha uma raça especialidade para a produção de leite.

Ele alerta ainda que não adianta ter um plantes de animais de bom nível e descuidar da sanidade do rebanho. “Esse é um ponto muito importante dentro da pecuária. Sejam animais de corte ou de leite a sanidade deve ser sempre vista com atenção. Todas as vacinas e desverminações devem ser seguidas a risca pelo criador”, lembra. Para finalizar, o manejo da ordenha, determinante na qualidade do leite, foi quesito básico orientado aos produtores, despertando em todos o interesse em melhorar a sua atividade.

A integração lavoura/pecuária, segundo Adriano Pereira, é hoje a melhor forma de diversificação que o produtor pode encontrar, principalmente para quem já faz agricultura. “É a que dá mais trabalho, mas com certeza a que dá mais retorno por alqueire”, afirma.

Oportunidade – O cooperado Florenir Lima, de Moreira Sales, conta que o evento foi oportuno para ele porque trouxe informações e um bom esclarecimento sobre as principais preocupações que o produtor de leite deve ter para melhorar sua atividade.  “Todas as oportunidades que tenho não deixo escapar. A informação é um insumo importantíssimo para nós produtores. Hoje aprendi que tudo que investimos no animal temos o retorno depois com juros em forma de leite. Não se pode economizar na alimentação do animal e muito menos na manutenção do pasto, a vaca produz o que come”, afirma o cooperado