Como cada ano é diferente, cada plantio de soja também deveria ser conduzido de forma diferente, certo? Errado! A soja não entende nada sobre o comportamento do clima e muito menos pode opinar sobre o seu próprio cultivo. A cultivar vai se desenvolver sempre da mesma forma de quando ela foi elaborada. Portanto, a atribuição de decidir sobre o posicionamento de plantio é de exclusividade do produtor rural e do profissional da assistência técnica e deve levar em conta dois fatores básicos: a época preferencial indicada pela pesquisa e a características próprias de cada variedade. Só assim os materiais serão capazes de expressar o máximo dos seus potenciais. Contando para isso, é claro, com a colaboração do clima.
“Seguindo o roteiro da pesquisa fazemos a nossa lição de casa. O resto, depois, é com ‘São Pedro’”, aponta o engenheiro agrônomo Luis Voytena, do Detec da Coamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná). Os fatores climáticos, segundo ele, estão fora do nosso alcance. “Como comprovamos nas duas últimas safras, quanto tivemos condições climáticas diferentes e, diante disto, a soja já se comportou de forma diferente. Então não tem como eu começar um plantio já imaginando como vai ser e depois ele muda. Tenho que fazer o que estiver ao meu alcance, da forma correta”, orienta.
Potencial – Com a modernização dos cultivos, a principal preocupação da pesquisa é desenvolver materiais capazes de expressar os seus potenciais produtivos, que podem superar o volume de 200 sacas por alqueire no campo. E variedades adaptadas para cada região, testadas em anos de melhoramento. Assim, para o agrônomo da Coamo, “o agricultor deve estar sempre atento para o equilíbrio entre as condições climáticas regionais e nos ciclos dos materiais”. Outra questão, segundo ele, “é o escalonamento de plantio, para que a cultivar seja melhor manejada no solo e, também, para facilitar a colheita”.
Plantar apenas uma variedade, com um determinado ciclo, é arriscar muito. Se acontecer qualquer fator climático num momento crítico da lavoura, o resultado final será seriamente comprometido. “A decisão do produtor, neste momento, é o que mais conta. Hoje em dia, quanto menos se erra na agricultura, maiores são os resultados”, afirma Voytena.
Influência da luz – Um dos grandes fatores técnicos para se recomendar uma variedade de soja está relacionado com a incidência de luz sobre a planta, fenômeno conhecido por fotoperiodismo – a quantidade de luz solar que a planta precisa para florescer. “A influência da luz solar está ligada ao ciclo da variedade. É por isso que a escolha tem que ser pela cultivar certa para a época ideal”, alerta o técnico. Ele diz que uma variedade depende mais e outra de menos de horas de sol. “Por exemplo, uma variedade precoce: se ela precisa de poucas horas de sol para ela florescer e o produtor fazer o plantio numa época onde os dias são muito longos, ela vai crescer pouco e ser estimulada a florescer rapidamente”, argumenta.
“Assim, independente se a variedade é convencional ou transgênica, se ela for plantada fora da época recomendada pela pesquisa, levando em conta as suas características e adaptação regional, seguramente o resultado não será o esperado pelo produtor rural. Quem incorreu neste erro pôde comprovar isso. Nas suas últimas safras não foi só a seca que prejudicou a safra. Em algumas lavouras, onde ocorreram chuvas normais, a produtividade não chegou o nível que poderia ser alcançado”, finaliza Voytena.
“As sementes são projetos específicos, preparadas para uma determinada condição de clima, solo e tecnologia”. A afirmação é do engenheiro agrônomo João Batista da Silveira Luiz, do Laboratório de Produção de Sementes (Lasp), da Coamo, em Campo Mourão. Segundo ele, não há condição de ajustar as fases de produção no meio do caminho. “É por isso que existe o planejamento. Erros de decisão podem custar caro ao produtor”, diz.
Para Silveira Luiz, a escolha das variedades é o passo mais importante que o produtor rural pode dar no planejamento de plantio. “Existem diversos trabalhos que comprovam que 50% dos ganhos de produtividade são advindos do melhoramento genético. E as variedades modernas, comparadas com as mais antigas, são mais estáveis, com melhor adaptação e melhor tolerância a doenças e questões de fertilidade. Desta forma, o planejamento de cultivo deve contemplar a época de plantio – que faz parte do manejo, como algo básico para que os materiais consigam expressar todo o seu potencial produtivo”, alerta.
Riscos desnecessários – Se o produtor fugir dessa orientação técnica ele vai correr riscos desnecessários. “E normalmente as causas de insucesso que se vê em uma lavoura de soja estão muito relacionadas com época de plantio, populações de plantas e manejo errado”, completa o agrônomo. Entre os riscos, segundo informa Silveira Luiz, estão o porte baixo de plantas e redução de produtividade. “É expor o material a uma condição para qual ele não foi projetado”, enfatiza.
Grupos de maturação – “Precocidade não é sinônimo de estabilidade. O que não significa que as cultivares precoces não são produtivas. Mas se o plantio for feito fora da época recomendada as fases críticas da cultivas (floração, formação e enchimento de grãos) poderão não se desenvolver adequadamente. E se isso acontecer não tem como recuperar mais”, esclarece Silveira Luiz.
De modo geral, seguindo as épocas preferenciais de cultivo e o próprio escalonamento da safra, o plantio da soja deve ser feito a partir das variedades precoces, passando pelas semi-precoces e depois pelos ciclos médios. Esta, segundo Silviera Luiz, é a seqüência que o produtor deve ter na cabeça e seguir no campo. “Porém, tem novos materiais precoces que em regiões mais quentes, se plantados em outubro, eles não crescem bem. Então são materiais que embora sejam precoces eles devem ser plantados em inicio de novembro, em solos férteis, e alguns até em regiões um pouco mais alta, mais fria. Outra coisa também é que nem todos os materiais se adaptam a regiões baixas e quentes. Tem materiais que numa condição dessa eles podem ter problema de redução de porte, o que pode afetar a produtividade e colheita”, conclui.
O aproveitamento do potencial genético dos híbridos de milho nas mais diversas condições de clima e solo existentes na área de atuação da Coamo foi o tema central de um ciclo de palestras realizado nos dias 4 e 5 de maio. Mais de 100 profissionais da assistência técnico-agronômica da cooperativa participaram do treinamento, realizado em parceria com a Monsanto em Pitanga, Mamborê e Campo Mourão. Eles reciclaram informações sobre o sistema de produção do cereal, com destaque para o manejo de pragas, doenças e plantas daninhas nas lavouras.
O professor doutor Antonio Luiz Fancelli, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP – Universidade de São Paulo, esteve entre os palestrantes. Ele relacionou os fatores que influenciam diretamente no desenvolvimento das plantas e, consequentemente, na produção de milho. “O produtor deve, sempre, manter uma sintonia fina com o profissional que assiste a propriedade e ficar de olho nas recomendações, aproveitando da melhor maneira possível os momentos de definição dos componentes de produção”, orientou. O milho, segundo ele, “é uma cultura que vem ganhando espaço na preferência do agricultor, deixando de ser apenas uma opção de rotação de culturas para ser uma atividade muito interessante do ponto de vista econômico”, completou.
Também palestraram durante os eventos o entomologista José Magrid Waquil, da Embrapa Milho e Sorgo de Sete Lagoas, em Minas Gerais, que debateu o manejo do pulgão e da cigarrinha do milho na cultura; e o gerente técnico de Biotecnologia e Agroquímicos da Monsanto para o Sul do Brasil, Aroldo Marochi, que destacou as interações e efeitos residuais dos herbicidas utilizados na cultura do milho.