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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 350 | Maio de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Safra 2006/2007

Governo anuncia R$ 60 bilhões em recursos

“Pacote” divulgado dia 25 de maio aumenta recursos para a próxima safra, ampliam prazos e prorrogam dívidas dos produtores

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues anunciou no dia 25 de maio um pacote de crédito no valor de R$ 60 bilhões, dos quais R$ 50 bilhões para a agropecuária e R$ 10 bilhões para a agricultura familiar. “As medidas foram tomadas devido a grande crise enfrentada pelos agricultores devido a uma combinação inédita de fatores como a queda do dólar e problemas climáticos”, disse Rodrigues após a divulgação do Plano Safra 2006/07 e do Pacote de socorro aos produtores rurais. 

Plano Safra 2006/07 – O governo anunciou que o Plano Safra 2006/07 terá um acréscimo de 12,5% sobre o valor programado para a safra anterior. Os recursos destinados ao custeio e comercialização da agricultura comercial somarão R$ 41,4 bilhões, volume 25% maior que o da safra 2005/06. O maior volume ofertado (R$ 30,1 bilhões) terá taxas de juros controladas de 8,75%. O restante inclui juros definidos pelo mercado. O crédito para investimento será de R$ 8,6 bilhões.

Com relação aos investimentos, haverá redução na taxa anual de juros para três linhas de financiamentos: Finame Agrícola Especial (de 13,95% para 12,35%), do programa para cooperativas – Prodecoop (de 10,75% para 8,75%) e Moderfrota: Para renda de até R$ 250 mil, os juros caíram de 9,75% para 8,75%. Para renda superior, a taxa cai de 12,75% para 10,75%. (o limite era R$ 150 mil e aumentou para R$ 250 mil); o Moderfrota passa a permitir o financiamento de máquinas usadas.

Medidas Emergenciais -  O governo anunciou a prorrogação pelo prazo de quatro anos, em parcelas anuais para a quitação de créditos de custeio da safra 2005/06, sendo que a primeira parcela vence 12 meses após a repactuação. No caso da soja, serão prorrogadas 50% das dívidas que vencem neste ano dos produtores das regiões Sul e Sudeste e até 80% das demais regiões. Pelas medidas também terão direito à prorrogação das parcelas das dívidas em todo o território nacional os produtores de arroz (40%), algodão (30%) e milho (20%). O restante poderá ser renegociado caso a caso.

O governo também decidiu refinanciar por até cinco anos as dívidas dos produtores que estavam adimplentes até dezembro de 2004 para as parcelas do Programa Especial de Saneamento de Ativos (PESA), e Recoop, vencidas em 2005 e 2006.

Para o presidente da Coamo, Dr. Aroldo Gallassini,  as medidas de socorro à agricultura nacional e o plano agrícola 2006/2007 foram considerados positivos, apesar de não ter contemplado todos os pedidos do setor rural. Ele diz que as propostas do governo resolvem os problemas para cerca de 90% dos produtores rurais, pelo menos para os próximos 4 ou 5 anos. “Com este fôlego, o agricultor deve retomar o seu trabalho no campo, apostando numa boa próxima safra, o que seria fundamental para afastar de vez a crise do setor”, assegura.

Programas
2005/06
2006/07
Variação %
Custeio e comercialização
32.200
41.400
29%
- A juros controlados
20.900
30.100
44%
- A juros Livres
12.300
11.300
-8%
Investimentos
11.500
8.600
-23%
- Madertrota
5.500
3.000
- Finame Agrícula Especial
500
200
- Proger Rural
100
100
- Demais programas BNDES
3.050
3.100
- Fundos Constitucionais
2.000
2.200
TOTAL
44.350
50.000
12,50%

 

Principais pontos

Plano Agrícola 2006/07

1. Aumento do montante de recursos de crédito rural de R$ 53,3 bilhões na safra 2005/06 para R$ 60 bilhões na safra 2006/07, representando um acréscimo de 12,5%;

2. Aumento nos limites de crédito de custeio e comercialização para R$ 41,4 bilhões: houve aumento de 44% na alocação de recursos a juros controlados de crédito rural em relação a safra 2005/06;

3. Redução das taxas de juros sobre alguns programas de investimentos:

4. Aumento do limite de recursos por tomador (CPF). Na cultura da soja passou de R$ 150 mil e R$ 200 mil, dependendo da região do Brasil, para R$ 300 mil para os produtores de todas as regiões. Para criadores de aves e suínos o limite passa de R$ 60 mil para R$ 120 mil.

 

Renegociações de dívidas

1. Refinanciamento das parcelas de PESA, Securitização e Recoop, vencidas ou vincendas em 2005 e 2006, com prazo de até 5 anos, com até 2 anos de carência para pagamento da primeira parcela, com juros de 8,75% ao ano;

2. FAT Giro/Rural: ampliação do prazo para pagamento das dívidas dos financiamentos de 2 para 5 anos;

3. Ampliação do montante de recursos do FAT Giro Rural de R$ 2,0 para R$ 4,0 bilhões;

4. Criação de nova modalidade de FAT Giro Rural para financiar capital de giro para fornecedores de insumos e cooperativas, com prazo de pagamento de até 15 meses.

 

Medidas estruturais

 

Medidas de curto prazo

Enquanto o novo sistema de seguro rural não entra em vigor, o governo está adotando algumas medidas:

Incentivo à Poupança dos Produtores Rurais - Objetivo incentivar o próprio produtor rural a acumular
recursos em períodos de bons resultados, para eventual utilização em momentos de situação adversa. O
tratamento tributário é diferenciado e favorecido, sendo similar ao aplicado ao regime da previdência
complementar. Pode ser resgatado sem incidência de impostos em casos de catástrofe.  Países como
Austrália, Canadá e Estados Unidos já utilizam esta modalidade.

 

Outras medidas de apoio à pecuária

No dia 24 de fevereiro, o governo anunciou algumas medidas de apoio à pecuária, sendo:

Pecuária leiteira e de corte - elevação do limite de crédito para custeio para pecuária leiteira e de corte, passando de R$ 60 mil para R$ 120 mil, através da resolução 3.350 do Bacen;

Prolapec - Programa de Integração Lavoura/Pecuária - O Conselho Monetário Nacional instituiu o Prolapec através da resolução 3.352, que contempla: Limite de crédito de R$ 300 mil por produtor, que pode ser elevado para R$ 345 mil se comprovada a existência de reservas legais e de áreas de preservação permanente no empreendimento, ou se apresentar plano de recuperação com anuência da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Ibama ou Ministério Público Estadual; e encargos de 8,75% ao ano, com prazo e cronograma de reembolso em até 5 anos, incluídos até 2 anos de carência.