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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 361 | Maio de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Agromercado

O dólar e o agronegócio

Queda acentuada da moeda norte-americana frente ao real prejudica agricultura e pode inviabilizar os setores exportadores

A opinião é do presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, que manifestou preocupação com as dificuldades que ainda poderão surgir para o agronegócio se a trajetória do câmbio continuar em declínio. “O governo acena com a possibilidade de compensação através da redução dos encargos. Mas é preciso critérios para que essa diminuição favoreça às cooperativas, que possuem tratamento tributário diferenciado e podem ficar desprovidas desse benefício”, alertou.

De acordo com Gallassini, mais uma vez a agricultura foi prejudicada pela valorização do real. “Os produtores compraram insumos com o dólar cotado em média a R$ 2,17 e agora as vendas da safra acontecem num cenário instável, com a moeda norte-americana sendo negociada a R$ 1,94”, comparou. “As margens do setor agropecuário há muito estão no limite. Não há espaço para mais redução”, lembrou.

Juros – Para Gallassini, a saída mais eficaz para frear a desvalorização do dólar é reduzir os juros, com cortes maiores na taxa Selic. “Algo precisa ser feito para modificar esse cenário de incertezas. Mesmo que num primeiro momento a valorização do real pareça positiva para o país, a longo prazo terá conseqüências graves, inviabilizando setores exportadores com reflexos em toda a economia”, disse. Em 2006, as cooperativas paranaenses exportaram US$ 850 milhões.

Plano Safra – O anúncio do Plano Safra é aguardado com expectativa pelo setor cooperativista. “Estamos esperando a definição do Governo Federal no que diz respeito também à redução de juros de custeio e investimento. Os recursos previstos podem subir para R$ 90 bilhões, o que é positivo. Mas a liberação precisa ser ágil, para que as cooperativas possam preparar os projetos de financiamento de seus cooperados”, afirmou. Em 2006, o governo destinou R$ 60 bilhões ao Plano Safra. Segundo Gallassini, “a tendência é de manutenção da área plantada verificada na safra passada. E é possível que tenhamos um equilíbrio no volume de produção do milho e da soja”.

Fertilizantes – Como dificuldade adicional ao setor produtivo, a elevação do preço dos fertilizantes e de alguns herbicidas deverá pressionar os custos da próxima safra. “No ano passado, tivemos uma queda substancial nos custos de produção, em torno de 27%. Esse cenário não deverá se repetir em 2007, por conta da alta dos insumos”, disse. Os fertilizantes, produtos importados, estão tendo uma valorização no mercado internacional. “O impacto será maior em regiões que já têm despesas maiores em logística, por exemplo, como é o caso do Centro-Oeste”, avaliou. (Com informações do Paraná Cooperativo)

Agroanálises

 

Soja
Mesmo com a grande queda no câmbio nos últimos dias, as cotações na bolsa de Chicago (CBOT) sustentaram o mercado, até então simplesmente por especulação por parte dos fundos. Com base no dia 21 de maio o plantio americano evoluiu para 59% plantado,  que para este período é muito bom. A média para o mesmo período nos últimos 5 anos foi de 48%. Após seguidas altas o mercado começa a demonstrar sinais de fraqueza para o curto prazo, ficando no aguardo de novas notícias para tomar novos rumos, ou seja, tende a continuar especulativo até a definição da colheita americana.


Milho
Conforme comentário na edição anterior, após sucessivas altas no mercado internacional, motivadas pelo grande aumento da demanda americana na produção de etanol, as cotações estabilizaram diante boas previsões de produção para a próxima safra americana, porém as sucessivas quedas do dólar frente ao real vem refletindo negativamente nos preços até então praticados no mercado interno, frustrando as expectativas quanto aos preços para safrinha. O clima é que tem deixado o mercado inseguro nos últimos dias, já que eventuais intempéries poderão provocar danos ao produto a ser colhido e consequentemente mudar a direção do mercado, portanto as condições de quantidade e qualidade da safrinha serão os responsáveis pelo destino das cotações para o produto no segundo semestre do ano.

Trigo
O mercado de trigo segue com ritmo lento de comercialização, com compradores e vendedores aguardando um melhor momento para os negócios. Esta é a grande dificuldade, já que estamos num momento de “mercado de clima”, quando qualquer notícia pode inverter o comportamento das cotações. Dentro de um quadro de escassez de oferta, a perspectiva é de preços melhores no mercado, porém, a valorização do real, impede os negócios com os grandes compradores, que tem acesso ao produto importado mais barato, mantendo a estabilização nos preços.

 

Café
O mercado interno segue travado com poucos negócios, a valorização do real aumenta a falta de interesse de compra por parte dos importadores, do outro lado produtores procuram regular o mercado vendendo somente o necessário para liquidar as dívidas. A aproximação do inverno no Brasil, o real fortalecido e a liberação de recursos para colheita e armazenagem da nova safra brasileira de café ajudaram a dar um tom altista para as cotações, aliviando os efeitos negativos, especialmente nesse período de safra, ajudando o produtor a escalonar suas vendas ao logo da temporada, fugindo da necessidade de vender boa parte de seu café no pico da safra.
 

Indicadores Econômicos
VARIAÇÕES
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
Acumulado
Período
Acumulado
12 meses
IGPM (% AO MÊS)
0,32% 0,50% 0,27% 0,34% 0,04% 2,24% 4,76%
TR (% AO MÊS)
0,15% 0,22% 0,72% 0,19% 0,13% 0,89% 2,05%
DÓLAR COMERCIAL (%AO MÊS)
-1,33% -0,62% -0,31% -3,20% -0,81% -5,09% -2,65%
TJLP (% AO MÊS)
6,85% 6,50% 6,50% 6,50% 6,50%
SOJA
7,14% 5,26% 3,45% 9,26% 3,70% 44,00% 137,68%
MILHO
5,00% 3,13% 2,56% 6,67% 7,14% 52,31% 143,51%
ALGODÃO
0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00%
TRIGO (PH 78)
5,77% 0,00% 6,25% 0,00% 9,09% 29,67% 83,57%

Poder de Troca mês a mês
MÁQUINAS/
INSUMOS X PRODUTOS
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
MÉDIA
DO
 PERIODO
MÉDIA ULT.
12 MESES
TRATOR NEW HOLLAND TM-135 - 125 CV (COMPLETO)
SOJA
6.138 6.085 6.034 6.018 6.000 5.905 6.262
MILHO
10.854 10.954 11.266 10.968 11.379 10.882 12.480
ALGODÃO (TIPO 6)
13.284 13.284 13.284 11.333 11.000 12.255 12.234
TRIGO (PH 78)
6.654 6.980 7.192 7.083 7.174 6.794 7.373
COLHEITADEIRA NEW HOLLAND TC 57 (COMPLETA)
SOJA
10.000 10.530 10.678 11.150 11.455 10.707 11.937
MILHO
17.683 18.954 19.937 20.323 21.724 19.738 23.875
ALGODÃO (TIPO 6)
21.642 22.985 23.507 21.000 21.000 22.149 23.233
TRIGO (PH 78)
10.841 12.078 12.727 13.125 13.696 12.312 14.058
PLANTADEIRA PSE 8 2S (COM CÂMBIO)
SOJA
1.422 1.398 1.398 1.460 1.531 1.437 1.552
MILHO
2.515 2.538 2.611 2.661 2.903 2.651 3.105
ALGODÃO (TIPO 6)
3.078 3.078 3.078 2.750 2.807 2.978 3.028
TRIGO (PH 78)
1.542 1.618 1.667 1.719 1.830 1.653 1.826
PULVERIZADOR COLUMBIA MAXTER FLOW
SOJA
1.290 1.279 1.327 1.386 1.389 1.325 1.430
MILHO
2.282 2.303 2.478 2.526 2.635 2.442 2.854
ALGODÃO (TIPO 6)
2.792 2.792 2.922 2.610 2.547 2.743 2.790
TRIGO (PH 78)
1.399 1.467 1.582 1.631 1.661 1.523 1.683
CALCÁRIO
SOJA
2 2 2 2 2 2 2
MILHO
3 3 3 3 3 3 4
ALGODÃO (TIPO 6)
4 4 4 3 3 3 3
TRIGO(PH 78)
2 2 2 2 2 2 2
Para o cálculo da pariedade dos produtos X máquinas e insumos foram utilizados os preços praticados no último dia do mês.