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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 361 | Maio de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Bovinocultura

Vacas sem mastite, leite com qualidade

Ciclo de palestras orienta cooperados da Coamo sobre os cuidados com a sanidade da glândula mamária das vacas leiteiras

Uma parceria entre o Detec da Coamo e o Laboratório Schering-Plough tem oportunizado a realização de uma série de palestras destinadas aos produtores de leite. O ciclo tem movimentado criadores de toda a área de ação da cooperativa. Os módulos discutem assuntos relacionados com a qualidade do leite e a sanidade da glândula mamária das vacas leiteiras.

O médico-veterinário Hérico Alexandre Rossetto, da Coamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), revela até agora já foram realizadas 20 palestras, entre o primeiro e o segundo módulo. “No total, estão programados três módulos, com a promoção de 34 palestras, enfocando a necessidade de controle que se deve ter dentro da propriedade leiteira, para se obter um produto de alta qualidade e com agregação de valor”, destaca.

No primeiro módulo os produtores foram orientados para o controle e a prevenção da mastite; no segundo, o tratamento de mastite e a terapia da vaca seca; e no terceiro módulo será trabalhado o tema contagem bacteriana e de célula somática no leite. “O objetivo do treinamento é ensinar o criador a identificar a presença da mastite infecciosa na vaca e como fazer para evitar a doença, buscando a qualidade do produto final através das técnicas de contagem das células somáticas e bacaterianas”, esclarece o veterinário Fabiano Camargo, também da Coamo em Campo Mourão.

Cuidados – A mastite é uma das principais doenças que atacam o rebanho bovino leiteiro. Segundo o veterinário Evandro Stecca, da Schering-Plough, “a enfermidade pode causar enormes prejuízos às propriedades leiteiras, se não for prevenida ou combatida em tempo”. Para Stecca, “é preciso caprichar no manejo e, sempre que possível, optar pela prevenção, que é um processo mais barato e seguro, tanto para os criadores, quanto para os bovinos e, principalmente, para os consumidores dessa produção”.

Bovinos no pastoreio de aveia

A aveia é uma das melhores opções de alimento alternativo para os bovinos nessa época, principalmente em razão do alto teor nutritivo e de energia oferecido pela cultura, além de favorecer o pastoreio direto no campo.

O médico veterinário Adriano Regiane Pereira, do Detec da Coamo em Mamborê (Centro-Oeste do Paraná), alerta que a primeira observação que o produtor deve fazer é com a altura do manejo da pastagem, principalmente para os que trabalham com aveia. Ele lembra que os animais devem entrar para o pastoreio quando a forrageira estiver com aproximada-mente 25 a 30 centímetros, quando a folha estiver dobrando a ponta. “O ideal é não deixar passar porque a partir disso a aveia perde em produtividade”, explica Pereira, chamando a atenção para o ajuste de lotação que deve ser respeitado. “Não pode deixar o gado baixar muito a planta, ela tem de ficar com no mínimo 7 centímetros para que todo o seu potencial seja ingerido e posteriormente aja o rebrote rápido e com qualidade”, esclarece.

Diarréia ou fezes amolecidas - Essa é uma questão que deixa em dúvida muitos pecuaristas que utilizam a aveia como fonte alternativa. Para o veterinário, é preciso desmistificar essa pergunta. Primeiramente, conforme ele, é preciso saber qual o tipo de ali-mento que o animal estava consumindo antes de pastorear a aveia. “Se a pastagem fornecida anteriormente era bem manejada não terá problema algum de adaptação. Temos que saber diferenciar diarréia de fezes amolecidas. Se o traseiro dele estiver sujo, mas o vazio dele esta cheio, viçoso e não está arrepiado é uma questão de fezes amolecidas porque a aveia é rica em água. Agora, se o animal está apático e com o vazio fundo é problema. Mas isso é muito difícil de acontecer”, orienta Pereira.

Uréia na dieta

Durante o inverno as pastagens ficam maduras ou “passadas”, e deixam de atender as exigências dos ruminantes (bovinos), principalmente, em proteínas. E quando há deficiência protéica a microflora do rúmen (estomago) funciona parcialmente, comprometendo a degradação e a digestão das forragens grosseiras, “passadas” ou maduras.

Neste caso, o nitrogênio da uréia pode substituir grande parte do nitrogênio da dieta, uma vez que a amônia resultante tanto da hi-drólise da uréia como da hidrólise das proteínas é indistintamente utilizada pelas bactérias do rúmen no processo de síntese dos aminoácidos necessários a produção de suas proteínas.

O rúmen de um bovino é um verdadeiro laboratório de fermentação, cujo conteúdo possui de 10 a 150 bilhões de bactérias por grama de fluido e de 10 a 100 milhões de protozoários por grama de fluido.

O aproveitamento do nitrogênio da uréia pela flora microbiana do rúmen aumenta gradativamente. A interrupção no fornecimento de uréia prejudica a população microbiana, alterando o equilíbrio existente. A falta do fornecimento contínuo da uréia reduz a população microbiana, em quantidade e qualidade. O fornecimento de uréia sem interrupção favorece o desenvolvimento e a multiplicação das bactérias celulolícas (que desdobram celulose) e amidolíticas (que desdobram o amido).

Algumas formas de utilização de uréia são:

Fontes de uréia:

Importante salientar que o uso da uréia deverá ser orientado por um técnico, pois, em doses pouco elevada é tóxica e também depende de fazer uma adaptação dos animais. (Sandro Colaço Vaz – médico-veterinário Detec Engenheiro Beltrão)