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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 361 | Maio de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Editorial

Safra, queda do dólar e Copa Coamo

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, idealizador e diretor-presidente da Coamo Agroidustrial Cooperativa

Encerramos com muito sucesso a safra 2006/07 com o recebimento de grandes volumes e expressiva participação dos nossos cooperados. Avaliamos esta safra como normal e o registro de produtividades da soja na média dos anos anteriores. A novidade foi o incremento verificado na produção de milho que superou a média das 300 sacas por alqueire na região da Coamo.

Agradecemos ao nosso quadro social, que a exemplo das safras anteriores, motivados pela confiança e participação na Coamo, novamente fizeram a diferença, valorizando o apoio recebido desde a assistência para o planejamento, plantio até a colheita e a comercialização da produção.

As lavouras de inverno estão tendo um bom desenvolvimento e a expectativa é de que tenham boas produtividades e rentabilidades. Na  área da Coamo o milho safrinha foi semeada em 370 mil hectares, com  incremento de 40% em relação ao ano anterior, sendo a maior da história. O trigo também registra aumento de 15% no plantio sobre a safra anterior. Com o sucesso da safra de inverno, a Coamo contabilizará um recebimento este ano de grandes volumes de produção, ao redor de 4 milhões de toneladas de grãos.

A safra de verão 2006/07 apontou pontos negativos que são  prejudiciais aos produtores brasileiros. O principal, sem dúvida alguma, é a queda do dólar, que vem interferindo e impedindo os bons resultados na exportação e na nossa agricultura. Infelizmente, em face da inexistência da estabilidade do dólar, não conseguimos plantar e colher com os mesmos índices e desta forma, obter a rentabilidade esperada.

Iniciamos o plantio da safra de verão 06/07 com o dólar a R$ 2,20 e estamos comercializando com o dólar a R$ 1,95. Esse fator, inclusive, é um dos responsáveis pelos problemas dos últimos anos na agricultura,  já que o que ocorre é o aumento nos custos dos insumos e a redução dos preços na hora da venda. Com o dólar flutuante, o que acontece é a especulação, então, não há outra saída senão esperar pela melhoria dos indicadores financeiros.

O que está ocorrendo é a alta nos preços dos insumos em relação ao preço em dólar, ocasionando elevação dos fertilizantes em função entre outros motivos pelo aumento na demanda mundial provocada pela expansão da agricultura na China e na Índia, e também, pelo incremento do Etanol nos Estados Unidos e da cana no Brasil. Esses fatores determinaram o aumento nos custos dos insumos, prejudicando os produtores que, na safra anterior, tiveram custos cerca de 27% mais baixo que a anterior.

Esse aumento nos insumos propiciará graves conseqüências aos produtores. Um outro ponto negativo é o preço do óleo diesel, que é significativo no custo de produção se comparado com anos anteriores e que prejudicará principalmente os produtores que estão mais distantes dos portos, em face dos preços dos fretes.

Outra situação que é problema para a agricultura é a questão dos juros, que se tornaram elevados, mesmo aqueles de 8,75% ao ano, se considerarmos que o índice da inflação anual é 3 a 4 % ao ano. A taxa Selic caiu 40% desde 2003 e a TJLP 36% , com o próprio governo admitindo esta queda e prometendo rever a taxa de juros com a possibilidade de índices de 6 a 7%. Por sua vez, as entidades do setor agrícola reivindicam juros de 4,5% ao ano, que já é acima da inflação. Vamos aguardar com a certeza de que medidas urgentes precisam ser tomadas em favor da agricultura brasileira.

Mesmo diante desses fatores indesejáveis à agricultura, os produtores estão otimistas e semearão a nova safra de verão, esperando que o governo apresente um bom pacote agrícola com medidas que incentivem a retomada do crescimento e da sustentação do agronegócio brasileiro. Vamos semear a nova safra acreditando em melhor produção e renda, observando as orientações para à diversificação da renda e o plantio no sistema de rotação de culturas visando a preservação do solo e a elevação da produtividade.

Paralelo às safra de verão e de inverno, a novidade no encerramento deste primeiro semestre fica por conta da realização da Copa Coamo de Cooperados – Futebol Suíço 2007. Os preparativos já foram iniciados há alguns meses, e a partir do dia 16 de junho, a bola vai rolar pelos campos das regiões Sul e Centro Sul, numa grande festa de integração e amizade entre a família Coamo. Até o dia 18 de agosto a Copa Coamo movimentará mais de 7 mil cooperados atletas em 33 regionais e sete fases, definindo os campeões que estarão em Campo Mourão no dia 1º de setembro para a grande festa da fase final do maior evento esportivo rural do país.  Desejamos muito sucesso a todos da família Coamo e esperamos que esta seja a melhor Copa Coamo de todas as já realizadas.