barra Site Coamo barra
Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 361 | Maio de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Safra de Inverno

Safrinha histórica na região da Coamo

Segunda safra de milho é 40% maior que a cultivada no ano passado. Supera, inclusive, o plantio feito no período de verão

O milho de segunda safra vem ganhando espaço entre as opções de cultivo no período de inverno pelos cooperados da Coamo. Um levantamento divulgado pela Gerência Técnica da Coamo aponta que em 2007 a área de cultivo da safrinha, na região de abrangência da cooperativa, é de 154 mil  alqueires. O plantio é 40% maior que o do ano passado, quando chegou a 111 mil alqueires. Os números indicam e esta safrinha é a maior já plantada em toda a história da Coamo. Superior, inclusive, que o plantio do cereal no verão, na área de ação da Coamo, em pouco mais de 60%, comparando com o plantio efetuado no último ciclo (2006/07).

Para a safrinha deste ano, a produtividade média projetada pelo Detec da cooperativa é de 3.800 quilos por hectare, ou 153 sacas por alqueire. Se confirmada, esta será a 2ª maior produtividade média de toda a história na produção da safrinha na região da Coamo. Na combinação entre área de plantio e produtividade, a expectativa é de que a produção de milho safrinha dos cooperados cresça 30% neste ano.

Razões para o aumento – A preferência dos cooperados pela safrinha de milho teria, pelos menos, três razões de ser. Primeiro a falta de incentivos governamentais para o plantio do trigo; depois a boa produtividade alcançada nos últimos anos com o milho no inverno; e por fim, os bons preços do cereal praticados na época em que o produtor rural implantava as suas lavouras. No geral, conforme os dados da Getec da Coamo, a época e as condições de plantio das lavouras foram semelhantes as do ano passado, com exceção do nível tecnológico, uma vez que neste ano os produtores aumentaram sensivelmente os investimentos na produção.

Expectativa positiva – Na região de Moreira Sales, no Noroeste paranaense, os cooperados estão animados com a safrinha. Neste ano o cultivo da segunda safra de milho cresceu 190%, em relação ao ano passado. O plantio passou dos 1,7 mil para 5,1 mil alqueires de área. “A boa safra de verão foi decisiva para este incremento no cultivo”, destaca o agrônomo Pedro Dias Júnior, responsável técnico pelo entreposto da Coamo no município. O mercado também influenciou os produtores de Moreira Sales, que têm no milho safrinha a melhor opção econômica de inverno. “Até mesmo quem nunca tinha plantado milho no inverno resolveu investir neste ano. E, pelo comportamento do clima, até então, a safra será muito positiva”, comemora.

A animação também está presente entre os cooperados de Laguna Caarapã, no Sul do Mato Grosso do Sul. Segundo o agrônomo Paulo Henrique Boeing Noronha Dias, o lucro proporcionado pelo milho no verão foi maior que o da soja, incentivando os produtores. “O milho safrinha, aqui na região, avançou sobre áreas de aveia e trigo, que são lavouras tradicionais. Saltamos de 4,5 mil para 10,3 mil alqueires de cultivo, ou seja, um aumento de 127%”, revela, apontando uma expectativa de que a produtividade média da safrinha na região fique em torno de 157,7 sacas por alqueire.

Mercado – O tamanho da safrinha, o comportamento do câmbio (dólar) e a Bolsa de Chicago podem influenciar direta-mente nos preços, tanto no mercado interno quanto no externo. O gerente de Commodities da Coamo, Rogério Tranin de Mello, orienta o produtor a acompanhar o mercado diariamente. “A safra grande pesa no mercado interno e pode baixar ainda mais os preços, caso aja um comportamento negativo do câmbio e de Chicago”, alerta. O excedente da safra pode ser assimilado pelo mercado internacional. “Estima-se que a exportação de milho neste ano chegue a 7 milhões de toneladas, que seria um recorde para o Brasil”, avalia Mello.

Trigo também cresce

Na região de ação da Coamo, de acordo com o levantamento do Detec da cooperativa, se comparado com o ano de 2006, a área de trigo aumentou 14,61% em 2007. Ou seja, enquanto no ano passado os cooperados cultivaram 86,2 mil alqueires, neste ano o cereal foi semeado em 98,8 mil alqueires. Um dos bons exemplos desse crescimento está em Toledo, na região Oeste do Paraná, onde os cooperados estão lançando mão de tecnologia e acreditando na cultura. O crescimento na área de plantio deste ano foi de 45%.

O agrônomo Alfeu Luiz Fachin, encarregado do Detec da Coamo em Toledo, observa que esse aumento foi motivado principal-mente pela facilidade em implantar a cultura nesta safra, uma vez que, conforme ele, existe dinheiro disponível e financiamento facilitado. “O que percebemos é que os produtores estão preferindo plantar trigo, mesmo com todo risco, do que aveia por exemplo. E é uma decisão acertada, já que com a aveia também é preciso investir e na maioria dos casos, aqui na região, ela é utilizada apenas para cobertura verde. Então é melhor investir um pouco mais e plantar trigo, que além de beneficiar o sistema de produção da propriedade ainda pode dar uma boa rentabilidade, se o clima ajudar”, esclarece Fachin.

Tradição – Em Mamborê, na região Centro Oeste do Paraná, o cooperado Leonardo Castelli está cultivando 58 alqueires de trigo, nos 78 de plantio da propriedade, nesta safra de inverno. Os outros 20 foram ocupados pelo milho safrinha e a aveia. Ao con-trário de quem resolveu plantar agora, apostando no cereal como uma alternativa, Castelli sempre plantou trigo. Ele lembra que seu pai, Ruy Castelli, sempre cultivou trigo e nunca teve prejuízo. “Mesmo nas piores frustrações nunca perdemos com o trigo. Ao menos empatamos ou tiramos o investimento”, avalia. “De certa forma – continua Castelli, acabamos ganhando, pois o trigo é uma cultura essencial para a rotação por-que deixa um residual muito rico para a soja”.

Os Castelli não estão economizando em tecnologia. Conforme Leonardo, é preciso investir se o produtor quiser ter uma resposta positiva da lavoura. “A vantagem do trigo é que você pode ganhar duas vezes. A primeira com a comercialização do produto, principalmente se a safra for boa. E a segunda com os nutrientes que ele deixa no solo e que são aproveitando pela cultura que vem a seguir”, comenta.

O agrônomo Sandro Gheller, do Detec da Coamo em Mamborê, aprova o sistema adotado pelos Castelli. “Eles fazem uma rotação de culturas bastante interessante e o trigo faz parte de todo esse esquema. Ao mesmo tempo que a cultura é rentável para eles, também favorece o desenvolvimento da soja, que é a próxima lavoura a ser implantada”, ressalta, elogiando a forma como o cooperado conduz as lavouras, sempre buscando informação e trocando idéias com a assistência técnica da cooperativa.