Os afazeres domésticos e a lida diária com as vacas leiteiras no sítio da família em Arapuã (Vale do Ivaí, no Paraná) já não são mais as únicas atividades da dona Zuneide Cardoso, esposa do cooperado Gregório Kurten. Nos intervalos do trabalho ela aproveita para fazer o que mais gosta e ainda garantir uma renda extra para ajudar das despesas da casa: artesanato. Para a confecção das peças, dona Zuneide utiliza o caule da bananeira que já deu cacho, aproveitando as fibras das lascas que formam o tronco da frutífera.
A nova atividade foi incorporada ao dia-a-dia da família há cerca de dois anos, quando ela e o marido foram visitar uma feira rural. Enquanto ele acompanhava as novidades tecnológicas para o campo, ela participava de um curso para o reaproveitamento do caule da bananeira. A arte manual já havia chamado a atenção dela, durante um programa de tevê.
Produtos – Das primeiras peças confeccionadas até hoje um longo caminho foi percorrido pela família. “Comecei preparando uma sacola. Hoje, junto com meus filhos, parentes e vizinhos, faço 12 produtos diferentes, entre cestas, baú, bolsas, vasos, chapéu e até chinelo de dedo”, conta a artesã, comemorando o fato de muitas peças já terem sido vendidas para outros estados e algumas até para outros países. “É um trabalho difícil, porque o caule da bananeira é pesado e ao ser retirara a fibra pode manchar as mãos e a roupas”, considera.
Dona Zuneide ainda não calculou quantas peças ela consegue produzir, em média, diariamente. “Tudo depende de quantas horas por dia nós trabalhamos”, salienta, destacando que em meses quando o trabalho rende bem é possível produzir até 90 peças. A produção é comercializada em floriculturas da cidade e o excedente é repassado para lojas da região.
Sonhos de consumo – Com a venda das peças confeccionadas em fibra de bananeira dona Zuneide consegue ganhar um pouco mais de um salário mínimo por mês. Com o dinheiro do artesanato ela já realizou alguns sonhos de consumo da família. “Além do que, é mais do que um trabalho para mim. É uma terapia”, admite.
Encontro com a fibra – A produtora sempre foi apaixonada por artes manuais e já havia experimentado pintura em tecido e crochê, mas nunca conseguiu obter uma boa renda. A família não possui muitos pés de bananeira no sítio. Sendo assim, grande parte da matéria-prima usada no trabalho da dona Zuneide é doada pelos vizinhos, amigos e conhecidos. “E não pode ser qualquer bananeira. As peças só ficam boas quando são usados caules de bananeiras que já deram cachos”, afirma. A artesã retira as fibras de cada lasca do caule. “Cada lasca dá até três tipos de fibras: uma usada para fazer o vaso; outra, parecida como uma renda, é utilizada para enfeites das peças; e uma terceira, mais resistente, é usada para as peças mais pesadas”.
Personagem do Jornal Coamo – Outro sonho da dona Zuneide, que consegue envolver, em média, 10 pessoas na produção das peças em fibra de bananeira, era ser personagem do Jornal Coamo. “Estou muito emocionada, porque eu sempre esperei por este momento. E consegui realizar mais este sonho através da fibra de bananeira, um produto que sempre foi descartado nas propriedades”, valoriza.
A agricultora agradeceu muito a oportunidade e disse: “eu só não vendo a minha produção de leite para a Coamo porque ela não tem laticínio; e nem os produtos da fibra da bananeira porque ela não trabalha com este mercado. Mas, quero agradecer muito a Coamo que sempre esteve ao nosso lado, aqui no sítio, e por realizar este meu sonho de mostrar o meu trabalho e o da minha família”.
Os produtos da dona Zuneide podem ser encomendados pelo telefone (43) 9975-2500.
O intervalo entre uma atividade e outra também é bem aproveitado na propriedade do casal Ricardo e Maria Solange Biff, de Engenheiro Beltrão (Vale do Ivaí, no Paraná). O tempo livre é gasto com a preparação de peças artesanais feitas a partir do tronco do bambu gigante, uma planta que pode atingir até 30 metros de altura e 30 centímetros de diâmetro. A nova atividade foi incorporada ao dia-a-dia do casal há três anos, e por acaso. Eles tiveram a idéia depois que Ricardo usou um pedaço do bambu para construir ninhos para os pássaros que mantém na propriedade. “Ficou tão bom que resolvemos fazer outras peças. Inicialmente para a nossa própria casa. Depois, atendendo pedido dos amigos. E agora, com o aprimoramento da produção, para a comercialização direta ao público interessado através de encomendas e feiras expositoras”.
Talento – O aprendizado é constante na vida do casal, que aprimora as peças e incorpora novidades a cada dia. “Aprendemos com os erros e com o andamento da produção fomos buscando conhecer melhor a nossa matéria-prima para conseguir peças cada vez melhores”, revelam. Eles ainda não produzem o próprio bambu. Por enquanto, contam com o apoio de vizinhos que possuem a planta e oferecem o produto como cortesia. “Como usamos apenas o bambu maduro acabamos por contribuir na limpeza e renovação das moitas. Não deixa de ser um cuidado a mais para a preservação do meio ambiente”, explica Biff.
Produção – Em média, o casal chega a preparar 40 peças por mês. Por enquanto, a produção se resume em 10 diferentes modelos. Os principais são porta-canetas, porta-vinhos, enfeites de parede e porta-jóias. Mas até móveis o casal já fez usando o bambu como matéria-prima. “O que vale é a criatividade e o tempo”, diz Ricardo, que é encarregado de preparar as peças na pequena marcenaria montada no barracão do sítio. Ele diz que a escolha do bambu é muito importante neste processo. “Cada planta tem o seu aspecto visual e propensão para uma determinada peça. Decidimos para o que cada uma vai servir e, então, iniciamos a produção”, conta Biff.
Depois de recortados e lixados, os gomos seguem para o acaba-mento. O trabalho final é feito por Maria Solange, que faz a pintura e aplica os detalhes que irão deixar as peças mais bonitas.
O preço de venda dos produtos varia entre R$ 5 a R$ 35, dependendo do trabalho empregado na confecção da peça. “No final do mês sempre sobra algum dinheiro que ajuda na manutenção da casa”, comemora Maria Solange. Ela não sabe precisar, mas diz que o rendimento médio gira em torno de um salário mínimo por mês.
Pintura em tecido – Maria Solange despertou o gosto pelo artesanato depois que participou de um curso de pintura em tecido, há vários anos, promovido pela Coamo. A técnica de pintar manualmente garante um toque todo especial às peças produzidas a partir do bambu. Os temas estão sempre ligados ao produto que será acondicionado na peça. “O toque final é um dos segredos da peça”, revela, destacando que depois que aprendeu a pintar com a Coamo participou de vários outros cursos até chegar ao artesanato em bambu, que tem ocupado a maior parte do tempo do casal.
Os interessados em adquirir os produtos do casal, feitos a partir do aproveitamento do bambu, podem encomendar as peças pelo telefone (44) 3538-1159.