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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 372 | Maio de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Bovinocultura

Leite por opção e prazer no trabalho

O cooperado José Reis e sua esposa Cleuza, de Mangueirinha, encaram atividade com muita dedicação e profissionalismo

Dos 170 alqueires que compõem a propriedade do cooperado José Edércio Reis, em Mangueirinha, no Sul do Paraná, 40% são ocupados por reservas naturais. Do restante, as lavouras de verão e inverno se concentram em 60 alqueires. A outra parte da área é destinada à pastagem perene de verão, formada, principalmente, pelo capim Elefante Pioneiro e grama Hermátria, já que a bovinocultura leiteira é uma das principais atividades da família. Na verdade, é o grande negócio do casal porque as áreas de lavouras estão sendo administradas por outros membros da família. Um projeto prazeroso para ‘seo’ José e dona Cleuza Reis que fizeram questão de continuar o trabalho na fazenda apenas com a lida na produção leiteira. A decisão deu a eles mais tempo para fazer o que gostam, de forma organizada e tranqüila, com dedicação e muito profissionalismo.

A bovinocultura de leite foi incorporada à rotina diária do casal há 20 anos. Na época eles só trabalhavam com agricultura. “As primeiras vacas ‘pintadinhas’ que recebemos eram quase que desconhecidas para nós. Hoje, conhecemos todo o nosso plantel pelo nome e não há mais o que nos faça desistir de continuar com a pecuária leiteira, que hoje para nós é um prazer”, explica dona Cleuza, que responde ordenha e controles sanitário e reprodutivo dos animais enquanto que ‘seo’ José cuida da manutenção e manejo dos animais nas pastagens de verão e inverno.

Rebanho padronizado – O plantel leiteiro da família Reis é formado por 120 animais, entre vacas, novilhas e bezerras. Todas da raça holandesa, puras e com registro. Trinta e seis delas estão em lactação, produzindo uma média de 30 mil litros de leite por mês. “São 360 mil litros de leite por ano aqui na fazenda, com média anual de 35 litros por vaca em lactação”, comemoram. O que influencia diretamente nos bons resultados da propriedade é uma somatória de fatores, como o bom manejo alimentar, sanitário e genético do rebanho. “As vacas são selecionadas aqui mesmo através do sistema de inseminação artificial. Cuidamos de todo o processo, principalmente do acasala-mento dos animais, feito com base na necessidade genética das vacas para a correção de possíveis falhas que possam existir no plantel, padronizando o rebanho”, revela dona Cleuza.

Pasto de qualidade – Com apoio da Coamo, o manejo do capim Elefante Pioneiro é feito pelo cooperado utilizando, também, o plantio de ervilhaca comum. A forrageira ajuda no desenvolvimento do capim e garante alimentação farta ao rebanho, tanto no pastoreio direto quanto no fornecimento ao cocho. “Este consórcio serve, também, como adubo da pastagem, oferecendo nitrogênio para o capim. Assim, reduzimos a quantidade de adubo aplicado na cobertura do pasto. Economizamos, pelo menos, duas passadas de uréia, o que equivale a 90 quilos de nitrogênio por alqueire”, contabiliza Reis.

Controle leiteiro – O próximo investimento a ser realizado pela família Reis na propriedade contemplará a ampliação e modernização da estrutura utilizada para a ordenha dos animais. Com o leite retirado na fazenda o casal tem conseguido um retorno médio anual de 30% sobre a produção bruta. “A margem é maior no inverno porque o preço pago pelo litro de leite é maior”, avaliam, destacando a alta qualidade que envolve o processo de produção na fazenda. “Através do controle leiteiro, que é feito mensalmente em um laboratório de Curitiba, analisamos a quantidade de células somáticas (que defendem as glândulas mamárias) no leite. Os índices da propriedade são sempre baixos, o que configura que o leite produzido aqui na fazenda possui alta qualidade e que os animais não estão doentes”, conclui dona Cleuza.

O fósforo na dieta dos bovinos leiteiros

O mineral mais importante na suplementação de bovinos em pastagens é o fósforo, sendo essencial como componente estrutural dos tecidos, fluidos e ativador de processos enzimáticos. Ele pode ser encontrado em diversas fontes como o fosfato bicálcico, fosfato de rocha, fosfato monoamônio e outros, sendo o fosfato bicálcico o mais utilizado e de maior biodisponibilidade.

A deficiência de fósforo é muito importante para bovinos, principal-mente em relação àqueles mantidos em regime de campo. Extensas áreas com deficiência de P nas pastagens ocorrem em todo mundo e não há dúvida que essa deficiência é o distúrbio mineral mais comum e, também economicamente, mais importante afetando os herbívoros em regime de campo no Brasil.

Diversos alimentos podem ser utilizados na dieta do animal para atender as exigências de fósforo. Os teores em gramíneas forrageiras tropicais variam de 0,8 a 3 g de P/kg de matéria seca. Certamente, em termos de fósforo, tais níveis não permitem elevados desempenhos na ausência de suplementação com outras fontes de fósforo, entretanto, tem-se observado que em pastagens tropicais bem manejadas os teores de fósforo tendem a ser mais elevados (2 a 3g de P/kg de MS), o que reduz, mas não elimina a necessidade de fornecimento suplementar de fósforo.

Os componentes fosfatados nos suplementos minerais e nos concentrados utilizados em rações para gado de leite apresentam de uma maneira geral uma elevada disponibilidade de fósforo. Quando alimentos concentrados são incorporados na dieta em níveis de 10-20%, eles tendem quase sempre a atender ou até mesmo a superar as exigências de fósforo dos animais. Este efeito obviamente está vinculado ao tipo de alimento e aos fatores inerentes ao próprio animal.

Para as vacas em início de lactação, a elevada demanda por fósforo aumenta a absorção deste elemento no trato digestivo, ao mesmo tempo em que as exigências de cálcio repercutem na maior mobilização de fósforo a partir dos ossos. Com o objetivo de assegurar um consumo adequado de fósforo no início da lactação (o pico no consumo de MS é posterior ao pico na produção de leite), as recomendações de fósforo são maiores nesta fase, o que pode gerar um excesso desse elemento no organismo do animal. Em outras palavras, é possível que no início da lactação os níveis de fósforo na dieta não precisem ser tão elevados, visto que o excedente não utilizado pelo animal seja excretado principalmente nas fezes e no leite e, em menor quantidade, na urina.

Solano Alex Oldoni – veterinário da Coamo em Toledo (Oeste do Paraná)

Workshop de pecuária em Pitanga

Duzentas pessoas participaram no dia 23 de abril do 1º Worshop de Pecuária em Pitanga, na região Centro do Paraná. O evento foi promovido pelo entreposto local da Coamo e abordou assuntos importantes para os pecuaristas, como a bovinocultura de corte e leite; o manejo preventivo da mastite; o uso correto de endectocidas; a nutrição e a mineralização do rebanho, além do controle de moscas em estábulos.

O médico veterinário Eucimar Palhano, doutor em reprodução animal, da Schering-Plough, foi um dos palestrantes convidados para o treinamento. Ele falou sobre a fisiologia da reprodução e manipulação do ciclo estral em bovinos de corte e leite e inseminação artificial em tempo fixo para gado corte e leite. Palhano destacou a fisiologia do aparelho reprodutivo de fêmeas bovinas. E conforme ele, “pequenos ajustes hormonais são capazes de melhorar a fertilidade de vacas de leite e de corte, viabilizando partos anuais para a vacada”. Com isso, diz o veterinário, é possível incrementar a produtividade da atividade, pois, com os animais mais férteis, a produção será de acordo com as potencialidades desenvolvidas.

Boa Ventura – No mesmo dia, à tarde, foi a vez dos cooperados de Boa Ventura de São Roque participarem do workshop. Centenas de criadores também compareceram o evento, que também teve como objetivo difundir ainda mais as tecnologias disponibilizadas para a pecuária na região.