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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 372 | Maio de 2008 | Campo Mourão - Paraná

Comercialização

Mercado atento a grande safrinha

Na análise da Gerência Comercial da Coamo, exportação é a paridade para os preços do trigo e da safrinha de milho

Nos últimos anos o milho safrinha vem ganhando espaço no mercado por conta do aumento do consumo mundial e dos preços do cereal, o que têm garantido uma boa remuneração ao produtor rural. Quando a produção ultrapassa os níveis normais, transformando a “safrinha” em um “safrão”, gera-se um excedente no mercado que acaba sendo exportado, fazendo do milho uma commoditie (produto com mercado o ano inteiro), como a soja, por exemplo. Uma situação bem diferente do que acontecia no passado, quando simplesmente não havia preços para pagar ao agricultor.

O gerente Comercial de Produtos da Coamo, Rogério Trannin de Mello, lembra que nesta safra de inverno a previsão é que haverá um excedente entre oito e nove milhões de toneladas de milho que terão de ser exportadas, uma vez que não há espaço no Brasil para armazenagem.

Para Mello, os contratos de milho, que começaram a ser feitos pela Coamo nas últimas safras, são uma boa alternativa, “mas o mercado de exportação (embarques futuros), bem como a oferta e demanda mundial, são quem irão determinar o valor e a vantagem de utilizar ou não esta ferramenta de comercialização disponível ao nosso cooperado”, alerta.

Outro fator determinante para a viabilidade ou não de vender milho através de contratos, segundo o gerente da Coamo, é a política de biocombustíveis, já que existe uma grande crítica de que os preços dos alimentos estão subindo motivados por essa nova tecnologia, o que está gerando aumento da inflação em vários paises. “Essa volatilidade do mercado pode acontecer com mais freqüência em relação aos contratos, principalmente por conta dessas notícias. O clima nos EUA também é um fator determinante para o aumento ou não dos preços”, observa Mello, lembrando que a vantagem do contrato é a garantia de preços. “Uma vez que o produtor já tenha seu custo de produção ele pode garantir o preço do seu produto evitando que lá na frente tenha surpresas desagradáveis. Travando a operação através dos contratos ele já está seguro, depois é só torcer para o preço continuar subindo”, explica.

Trigo – A falta de trigo no mercado internacional foi o principal motivador para o aumento do preço do produto. Por isso, o agricultor reagiu a nível mundial e aumentou a área plantada para esta safra. “Até o momento não há problemas de perdas. Se isto foi confirmado, haverá aumento dos estoques e consequentemente redução nos preços este ano. Mas, ainda assim, historicamente, esses preços podem ser bons”, diz o gerente da Coamo, observando que a surpresa com a cultura sempre vai estar relacionada as condições climáticas. Para a safra nova, Mello diz que os preços de contratos estão em torno de 10% menores que o mercado atual.

O fato é que o trigo é sempre uma cultura de risco, em razão do cooperado nunca saber exata-mente o quanto vai colher. É uma safra que corre risco de todos os lados, seja com geada ou com chuva na colheita. “O que o cooperado pode e deve fazer e ficar atento às mudanças do mercado, que oscila a cada dia de acordo com o dólar, clima e outros fatores”, orienta Mello.