O governo federal quer acelerar o processo de difusão de tecnologias dentro dos sistemas integrados de produção, como é o caso do consórcio agricultura-pecuária, buscando o uso efetivo destas ferramentas pelo agricultor na transformação de uma produção convencional em tecnológica, sustentável, rastreável e certificada, dentro do conceito de sustentabilidade. A afirmação foi feita recentemente pelo coordenador geral de Desenvolvimento Sustentável do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Adilson Reinaldo Kososki. Em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), Kososki participou recentemente de um encontro com lide-ranças e empresários do setor produtivo rural para a formação de um Comitê Técnico-Gestor para administrar projetos de capa-citação e reuniões técnicas com os envolvidos na cadeia produtiva. “Os comitês serão formados, inicialmente, em cinco estados brasileiros: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul”, informou Kososki. A Universidade Federal do Paraná (UFPR) está encarregada pela coordenação do programa.
“Cada estado terá autonomia para decidir sobre o modelo mais adequado para a sua região, em função da sua vocação. E nesse sentido, o comitê dará apoio técnico e financeiro difundindo o que será melhor para a região, além de possibilitar a geração de novos conhecimentos”, explica o professor Aníbal de Moraes, da UFPR. Ele disse que o mercado internacional está exigindo que a produção primária seja segura e não cause danos à saúde do consumidor. “Esta é a visão de sustentabilidade”, reforça.
Aceleração das tecnologias – As discussões em torno deste tema surgiram porque as tecnologias que foram desenvolvidas nos últimos anos já estão bem definidas e seguras para o produtor. “A maior dificuldade é o uso efetivo, no campo, destas tecnologias, principalmente por muitas vezes o produtor não tem acesso a elas. Então, por meio desse projeto é possível acelerar o uso dessas tecnologias no âmbito das microbacias, que é uma unidade básica de produção com todos os seus cuidados de preservação no conceito de sustentabilidade e gerando um produto mais barato para o produtor, ambientalmente mais correto e com maior confiança por parte do mercado”, destaca Moraes.
Mais força à produção – Na opinião de Kososki, o projeto dá mais força às atividades que o agricultor mantém dentro da porteira do sítio e também ajuda a organizar a produção. “Os comitês cuidarão das discussões para viabilizar o negócio do produtor rural. Pensamos em fazer esta transformação em três anos”, sustenta o agente do governo. Ele ressalta que esta é uma etapa decisiva na adoção das tecnologias existentes no país, “como aconteceu com o sistema de plantio direto, há 30 anos, quando, no início, houve uma adesão baixa dos produtores rurais, mas a medida que eles foram tendo consciência de que poderiam crescer ainda mais a tecnologia foi avançando e hoje é um dos grandes modelos de sustentabilidade”.