Nem corretivos de mais, nem de menos. Esta é a nova política de trabalho do cooperado Renécio Nadin, que possui propriedade na região do Sítio Barichello, em Abelardo Luz, no Extremo-Oeste catarinense. Quando se trata de equilibrar a fertilidade do solo, o produtor está investindo para ter informações precisas sobre as condições físicas e químicas do seu solo e, com isso, fazer um ajuste fino na correção dos nutrientes, economizando de forma eficiente. O trabalho está sendo possível através de uma parceria firmada entre a Coamo e a Bunge Fertilizantes, dentro de uma proposta de agricultura de precisão, e faz parte da segunda etapa do Programa Coamo de Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas, lançado pela cooperativa há dez anos. “É uma oportunidade de evitar o desperdício de produto e de, acima de tudo, não jogar dinheiro fora”, explica Nadin. Dentro de cada talhão, a correção, segundo ele, é feita apenas nos locais aonde há necessidade de nutrientes e, principalmente, na medida certa.
Por dentro das novidades – O cooperado conta que ficou sabendo da novidade em uma reunião promovida pelo entreposto da Coamo em Abelardo Luz. “No meu caso o projeto se encaixou perfeitamente, já que cultivo uma área pequena e tenho que fazer com que ela produza. Quanto mais, melhor”, argumenta. O intuito do trabalho de Nadin é corrigir 100% da sua área agriculltável. “Espero que o solo retorne esse investimento em produtividade”, salienta.
Para este inverno, no sítio de Renécio Nadin, a correção está sendo feita em 30 alqueires, correspondendo a 50% da área cultivada por ele. Até então, o resultado que o produtor tem é o valor que será gasto na correção do solo. “Vou perceber a maior parte do resultado desse investimento nas safras que vêm pela frente”, analisa o cooperado, informando que o trabalho vale para a correção de todos os nutrientes que, por ventura, estejam deficientes no solo, ou seja, calcário, fósforo, potássio, entre outros.
Trigo – A safra de trigo será a primeira a ser cultivada com a correção ajustada precisamente. Na seqüência, no próximo verão, o produtor vai dividir a área de cultivo entre a soja (14 alqueires) e o milho (16 alqueires) e espera obter o máximo de rendimento com as duas culturas. Se bem que ele já vem obtendo boas produtividades com suas lavouras, alcançando altos índices, bem acima da média na sua região. “A minha expectativa, com o ajuste fino da fertilidade, é alcançar entre 15% a 20% a mais de produtividade na área que venho cultivando”, contabiliza.
Neste último verão o cooperado Renécio Nadin fechou a colheita de milho com uma produtividade média de 430 sacas por alqueire. A soja rendeu uma média de 140 sacas por alqueire.
Na parceria com a Bunge, a Coamo propõe aos cooperados ampliar o rendimento das lavouras priorizando as áreas do solo com maior deficiência de nutrientes, evitando o desperdício de fertilizantes e de dinheiro em áreas aonde não precisa ser feita a correção. O agrônomo Marcelo Marochio, do Detec da Coamo em Abelardo Luz, alerta que os nutrientes utilizados pelo produtor no equilíbrio da fertilidade (calcário, fósforo e potássio), assim como os outros fertilizantes, se for demais acaba sendo pior do que de menos, principalmente no caso do calcário. “Se tiver muito calcário no solo é pior do que se faltar o produto. Então, que seja feita uma adubação melhor e mais concentrada”, orienta.
O técnico explica que o sistema começa com a retirada das amostras, como o produtor já está acostumado a fazer. No entanto, pela parceria, é utilizado um quadriciclo (veículo semelhante a uma motocicleta) para coletar as amostras. O equipamento colhe amostras selecionando talhões de um a cinco hectares e dentro de cada talhão são coletadas 20 sub-amostras que são convertidas e uma única amostra que será enviada para análise. “O resultado é muito mais apurado, se compararmos com a forma convencional, no qual as amostras são retiradas em talhões de 20 hectares. O resultado, com a precisão das amostras, possibilita uma visualização melhor das condições de cada parte do solo”, complementa Marochio.
Depois que todas as áreas são mapeadas utilizando GPS (navegador por satélite), os dados são inseridos no computador que está ligado ao caminhão que vai fazer a aplicação dos nutrientes. “Não há como errar. Conforme vai percorrendo os talhões o caminhão vai distribuindo o corretivo, aumentando ou reduzindo o volume do produto conforme a necessidade indicada na amostra”, finaliza o agrônomo.
Iniciado em 1998, o Projeto Coamo de Fertilidade do Solo já possibilitou a correção de 554.755 mil hectares de solo. A parceria com a Bunge para a precisão nas correções é a segunda etapa do projeto que ampliou para 130 sacas por alqueire a produtividade média da soja entre os cooperados da área de atuação. A novidade foi apresentada como destaque no 20º Encontro de Cooperados, realizado na Fazenda Experimental, de 7 a 14 de fevereiro.