Site Coamo
Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 372 | Maio de 2008 | Campo Mourão - Paraná

IMIN 100

Yatta! Os 100 anos do Japão no Brasil

As vésperas da celebração do centenário da imigração, a comunidade Nikkei, no Brasil, ainda cultiva tradições trazidas na bagagem pelos pioneiros e comemora a permanência e o desenvolvimento no país valorizando a terra e a família

“Doumo arigatou gozaimasu”! A expressão, para quem desconhece a língua japonesa, pode parecer estranha. Mas, numa tradução literal formal, ela indica um gentil “muito obrigado”. Na verdade, ela representa muito mais do que um simples agrade-cimento. Quando verbalizada com todos os kanjis (símbolos usados para representar a escrita japonesa), significa, também, gratidão de um povo acostumado ao trabalho e à vida simples em família. A cada “arigatou” pronunciado pelos japoneses fica a sensação de que eles carregam sobre os ombros as dificuldades de uma nação acostumada a recomeços, nunca cansada ou alheia a novos desafios, sejam eles no Oriente ou no Ocidente.

As vésperas da celebração do centenário da imigração a comunidade Nikkei, no Brasil, ainda cultiva tradições trazidas na bagagem e comemora a permanência e o desenvolvimento no país que os acolheu, sempre valorizando a terra e a família. Parte desta história é contada por cooperados da Coamo que também emigraram em busca de uma vida melhor em solo brasileiro. Caminho aberto em 18 de junho de 1908, quando chegou ao porto de Santos, o navio Kasato Maru, trazendo os primeiros imigrantes japoneses para o Brasil, e, assim, inaugurando uma nova era para os dois países, até então opostos, geográfica e culturalmente.

No Brasil e no Japão – O centenário da imigração é considerado importante no Brasil e no Japão por motivos diferentes. Enquanto por aqui se comemora a chegada de trabalhadores e a aliança com um povo distante, lá a celebração também serve para lembrar os anos difíceis que o Japão vivia na virada do século 19 para o 20. Na época, o país acabava de ser forçado, por tropas estrangeiras, a abrir seus portos para o mundo.

Álbum de família – A reportagem do Jornal Coamo percorreu diversas regiões da área de atuação da cooperativa para reviver um pouco da trajetória desses nipo-brasileiros com enfoque em aspectos distintivos, abrindo o álbum das famílias para tentar compreender os elementos orientais e brasileiros que estão presentes neste intercâmbio que não parou mais de crescer, seja nos aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais. “A idéia é valorizar toda a colônia japonesa no Brasil. E como temos muitas famílias que são parte desta história entre os nossos cooperados, decidimos homenagear estes pioneiros que também ajudaram a desenvolver o nosso país”, explica o diretor-secretário da Coamo, Ricardo Acciolly Calderari.

O primeiro japonês de Palmas

Ao receber a reportagem do Jornal Coamo em seu escritório, cuja arquitetura não poderia ser melhor tematizada, já que remete ao estilo japonês, o cooperado Teruto Shimosaka reabastece o seu cachimbo e, a princípio, fica meio intimidado pelo teor da entrevista em mais uma manhã típica na fria e neblinada Palmas, no Sul do Paraná. Mas aos poucos ele se solta e conta, em bom português, um pouco da sua trajetória de vida, entre a juventude sofrida em Iwate-Ken, no lado do Oceano Pacífico da região de Tohoku, e a plenitude no Brasil. Ao lado dos três filhos e depois de alguns goles do bom café servido à mesa, o segundo filho de uma família de dez irmãos reviveu os passos que o trouxeram a uma grande aventura no Ocidente.

O imigrante lembra bem dos momentos que antecederam a sua viagem de 40 dias dentro do navio África Maru, em 1956. “Estava no intervalo do trabalho quando reparei em um anúncio de jornal que indicava a emigração para o Brasil. Levei algum tempo para me acostumar com a idéia, mas resolvi me lançar neste desafio”, afirma. Na época que embarcou para o Brasil Shimosaka tinha 22 anos de idade. Ele diz que já saiu do Japão com a certeza de que faria do Brasil a sua nova pátria. “Ao contrário da maioria dos imigrantes, que pensavam em ganhar dinheiro e voltar para o Japão, eu vim para o Brasil para ficar. Algo me dizia que o meu futuro estaria aqui”, destaca o produtor.

Casamento Japão-Brasil – Três anos depois de chegar ao Brasil, Shimosaka receberia a futura esposa, dona Kinu, que desembarcou no porto de Santos com os papéis do casamento já preenchidos, faltando apenas à assinatura do ‘seo’ Teruto. “Na verdade, as famílias já haviam concordado com o casamento antes da minha viagem. Formalizamos a união aqui no Brasil”, conta o cooperado.

Bataticultura – O primeiro destino de Shimosaka em solo brasileiro, foi o interior do Estado de São Paulo. Lá ele trabalhou duro no cultivo de batatas. Atividade que levou para Palmas, em 1974. “Fui um dos primeiros japoneses a chegar nesta região. Não entendo por quê disso, já que o clima daqui é bem parecido com o do Japão, tirando a neve, é claro”, brinca.

Lavoura e pecuária – A agropecuária sempre foi a profissão dos Shimosaka. Além da batata, eles cultivaram soja, milho e também experimentaram a pecuária especializada, com a criação da raça Caracu. Há seis anos, a família não cultiva mais batatas. No entanto, a soja e o milho continuam fazendo parte do esquema de produção da fazenda. São 500 alqueires de área de cultivo, onde o milho entra em 30% do total plantado no verão. A pecuária de corte é outra atividade mantida pelos Shimosaka. Eles possuem 200 cabeças de animais e trabalham com cria e revenda de bezerros, através do cruzamento das raças Caracu e Red Angus. Anualmente, eles comercializam cerca de 80 bezerros produzidos na fazenda.

Família toda no navio

Um amontoado de folhas secas na calçada e o barulho calmo de um rastelo davam o tom daquela tarde vermelha de outono defronte a casa do patriarca da família Morishita, em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná). Sem pressa, ‘seo’ Sakae recolhia as folhas do pequeno gramado como se participasse de um ritual. Ao chegar, a reportagem do Jornal Coamo quebra a seqüência de vai-e-vem entre uma rastelada e outra e logo é recebida pelo cooperado Koichi Morishita, o filho mais velho da família que, conforme a tradição japonesa cuida dos pais, dos irmãos e mantém as atividades da família.

Também conduzidos pelo África Maru, os Morishita emigraram para o Brasil em agosto de 1958. A família inteira embarcou no navio. Até então, eles viviam em Kumamoto Ken, na região de Kyushu, próximo a Nagasaki, onde plantavam arroz. Com o pai e a mãe, dona Eike, vieram Koichi, então com cinco anos, e a irmã Shiguemi, com três anos de idade. A viagem dos Morishita também durou 40 dias no mar.

Pesadelo atômico – Hoje com 78 anos de idade, ‘seo’ Sakae, quando garoto, viu de longe o “grande cogumelo” formado pela bomba atômica lançada sobre Nagasaki. Ele estava a pouco mais de 30 quilômetros de distância do local de impacto da bomba na cidade atingida, mas lembra bem da tristeza daqueles dias.

Do arroz para o café – Com a experiência de agricultores que já eram no Japão, os Morishita não tiveram muitas dificuldades para encarar os desafios nos cultivos da época. “O mais difícil, principalmente para os meus pais, foi aprender a nova língua. Eles andavam com um pequeno dicionário no bolso para facilitar a comunicação durante a lida diária nas grandes lavouras de café, na região de Diamante do Norte”, revela Koichi. Depois, eles trabalharam em Atalaia e, de lá, foram para Floresta, na região de Maringá (ambas também no Paraná), onde permaneceram por 22 anos, para em seguida, se estabelecerem na região de Campo Mourão.

Na bagagem dos Morishita, além de um carrinho de mão, duas bicicletas, ferramentas de carpitaria e lonas, sementes de arroz, melancia e de uma variedade japonesa de soja, específica para a alimentação, chamavam a atenção. “Fomos a família que mais trouxe produtos, que não roupas, na mala”, destaca Koichi. O projeto dos Morishita, no início, era trabalhar no Brasil e depois voltar para o Japão. “Não foi fácil, porém, não sofremos tanto quanto os primeiros imigrantes”, ressaltam.

50 anos no Brasil – Desde a chegada dos Morishita ao Brasil já se passou quase meio século. Muitas mudanças aconteceram na vida da família neste tempo. A maioria delas para melhor. “Hoje somos brasileiros com uma cultura nipônica. O país soube nos respeitar e nós honramos esta pátria. Japão, agora, só a passeio, para rever a família. Parece que aquele país não é mais nosso”, enfatizam.

As lavouras da família Morishita estão localizadas na região de Peabiru (Centro-Oeste do Paraná). São, aproximadamente, 170 al-queires de área. O cultivo, no verão, é dividido entre a soja e o milho, em esquema de rotação. No inverno, eles plantam milho safrinha. Na última safra, as produtividades médias alcançadas pela família foram fechadas em 140 sacas de soja e 303 de milho por alqueire.

A bordo da penúltima viagem

Em dezembro de 1960 o navio Brazil Maru desembarcava no Porto de Santos, em São Paulo, com os penúltimos imigrantes japoneses. Dona Mutsuko, esposa do cooperado Tuioshi Isiri, estava entre os que emigravam naquela viagem. Com 15 anos de idade e junto com outros três irmãos, dona Mutsuko acompanhava o pai e a mãe na aventura de trabalho e dinheiro. Permaneceram 45 dias no mar, a bordo do navio. Eles vieram ao país convencidos por conhecidos que já trabalhavam no Brasil.

A primeira fazenda de café que a família trabalhou, em Bela Vista do Paraíso, na região de Londrina (Norte do Paraná), coincidentemente, pertencia ao pai do ‘seo’ Tuioshi, que havia chegado ao Brasil muitos anos antes e já se estabelecera, e bem, por aqui. O casamento dos dois aconteceu pouco tempo depois que a família de dona Mutsuko foi trabalhar em pomares de pêssego na região de Atibaia, ainda no Paraná, e a chegada dos três filhos do casal fez com que os Isiri ficassem de vez na região de Londrina.

Volta por cima – O começo, para os Isiri, foi muito difícil. As terras que pertenciam ao pai e aos irmãos do ‘seo’ Tuioshi tiveram que ser vendidas. O que restou para ele foi uma área de 25 alqueires em São Jorge do Ivaí, onde permaneceu por 31 anos com dona Mutsuko e os três filhos. Diante das dificuldades enfrentadas, o cooperado negociou as terras na região e adquiriu uma área de 45 alqueires em Barbosa Ferraz, também no Vale do Ivaí (Paraná). Foi o começo de uma nova vida. Ainda com dificuldades, mas com um horizonte.

Hortaliças – A família Isiri mantém, até hoje, a vocação japonesa para a produção de hortaliças e frutas. “Plantamos pelo hábito de consumir e também porque a horticultura é uma excelente fonte de renda na propriedade, aproveitando a nossa mão-de-obra”, explicam. O casal ainda ajuda os filhos na lida diária nos canteiros que ficam próximos à casa da família. Dona Mutsuko diz que se esquece de tudo quando está na horta. “É comum irmos chamá-la, até mesmo para encerrar o dia”, revela ‘seo’ Tuioshi.

O trabalho na hora é coordenado pelas duas filhas do casal Isiri, Mari e Mayumi, e os genros, Rogério e Amarildo. A base da produção é a couve-flor, mas a família também trabalha com alface, repolho, pepino, abobrinha, maracujá e melão. “Tudo o que colhemos é vendido aqui mesmo”, afirmam as filhas, que entregam a produção nos mercados da cidade e nas feiras do produtor rural.

A parte de lavoura é tocada pelo filho Marcos e a sua esposa Kátia. Ele também é cooperado da Coamo. A área cultivada é de 35 alqueires, entre terra própria e arrendamentos. Neste verão, o produtor plantou soja e milho e colheu uma produtividade média de 140 sacas de soja e 350 de milho, por alqueire.

Caminho inverso – Os três filhos do casal Isiri também já tiveram uma experiência de viver do outro lado do mundo. No caso deles, na terra dos ancestrais. Foram com o propósito de ganhar dinheiro e voltar, para investir no sítio. Juntos, somando o tempo de permanência no Japão, eles ficaram 20 anos no país. Mas hoje todos voltaram para Barbosa Ferraz. A própria dona Mutsuka fez a viagem de volta para o Japão, também com o objetivo de trabalhar no país de origem. No entanto, voltou depois de oito meses. “Nosso lugar, agora, é aqui. Já somos cidadãos brasileiros”, ressalta a imigrante, que também faz questão de manter as tradições nipônicas, na família, preservando os costumes, principalmente, na culinária.

O Brasil no caminho de Nishimura

Idealizador da Jacto, Shunji Nishimura se emociona ao relembrar dos seus sonhos que se transformou em realidade no Brasil

Nas comemorações do centenário da integração Brasil-Japão, um imigrante se emociona ao relembrar a sua história de vida e as conquistas registradas em solo brasileiro. De uma trajetória iniciada na emigração rumo ao desconhecido em busca da transformação de sonhos em realidade. Ele é Shunji Nishimura, idealizador da Jacto, uma das mais importantes empresas de máquinas agrícolas do Brasil e da América Latina, e que está comemorando 60 anos de existência.

Escolha pelo Brasil – Segundo filho do casal Shotaro e Toshi, Nishimura é uma pessoa de personalidade forte, bastante determinada e com idéias próprias. Em maio de 1929, em Kyoto, na região de Kinki, próxima ao Mar do Japão, ele conclui o curso de Técnico em Mecânica. Com 18 anos já trabalhava na fábrica de carvão da sua família. Na época, o Japão era um país desolado e em grande crise. Em 1931, Shunji passou a freqüentar a escola de Rikkokai para aprender noções básicas sobre língua, religião, hábitos e costumes do país escolhido para emigração. Sua escolha inicial era a Bolívia, mas ele não contava com uma situação indesejável: a viagem deveria ser custeada por ele mesmo. Nesse caso, Nishimura não teve dúvidas e escolheu o Brasil porque a viagem era gratuita.

Segundo historiadores e emigrantes, a coragem era apontada como a principal exigência para a emigração e o Brasil não era tão desconhecido assim dos japoneses. O apogeu da emigração aconteceu entre os anos de 1924 e 1932, com a chegada de mais de 10 mil pessoas por ano ao Brasil.

Hino contra o medo – Com a decisão tomada e uma determinação invejável, mesmo sem saber o que encontraria pela frente, Shunji Nishimura partiu do porto de Kobe, em meio a um inverno que marcaria para sempre a sua vida e a de seus familiares, de quem só voltaria a rever 23 anos mais tarde. A bordo do navio Buenos Aires Maru, estreitou amizade com outros colegas de escola e juntos, para espantar o medo cantavam o valente hino da sua escola que dizia: “Para onde vai nosso caminho, não sabemos. As dificuldades que virão, desconhecemos. Somente Deus pode nos guiar: confiaremos”.

Trajetória – No dia 29 de março de 1932, Shunji desembarcou no Porto de Santos, em São Paulo. Na sua trajetória em solo brasileiro, trabalhou em fazenda de café, na região de Botucatu, e como garçom em Petrópolis, no Rio de janeiro. Mas, disposto a utilizar seus conhecimentos em mecânica, voltou novamente para São Paulo onde conheceu Chieko, que dava aulas de japonês para filhos de diplomatas e também para outras crianças, com quem se casou na capital paulista. Em seguida, trabalhou como ajudante de torneador e soldador, sempre com o sonho de fabricar produtos.

Decidido a mudar de vida, Nishimura tomou o trem e foi até o fim da linha, chegando em Pompéia – distante a 470 quilômetros de São Paulo, na última parada da viagem. Com a convicção de que havia chegado no lugar certo, alugou uma casa e colocou a identificação: “Conserta-se tudo”.

O início da Jacto – A história de sucesso deste inventor e sonhador, registra em 1948 a fabricação da primeira polvilhadeira nacional, que deu início a linha de produtos com a marca Jacto, atualmente exportada para mais de 100 países. Em 1956, ele deixou de ter uma simples oficina para se tornar uma empresa, nascia então a Jacto. Em 1958 lançou no mercado o pulverizador montado em trator e no final da década de 50, fabricou o primeiro pulverizador costal, semelhante à polvilhadeira, que ganhariam novos mercados a partir da década seguinte, com exportações para Argentina, Costa Rica e Venezuela.

Na década de 70, a Jacto imprimiu um grande crescimento consolidando cada vez mais a sua participação no mercado. A empresa foi pioneira no emprego de plásticos para fabricar tanques de pulverizadores e ao longo das décadas vem desenvolvendo novas e modernas tecnologias que vem sendo utilizadas pelos agricultores do Brasil e de várias partes do mundo.

Em 1979, a empresa fabricou a primeira colhedora de café do mundo e em 1981 o primeiro pulverizador com barra totalmente hidráulico. Em seguida, três anos mais tarde, produziu o primeiro pulverizador automotriz, o Uniport 3000 4x4 com barra hidráulica e comando computadorizado. No final da década de 90, as atenções se voltaram para os equipamentos da agricultura de precisão e mais recentemente, investimentos em pesquisa resultaram no desenvolvimento da primeira colhedora de laranja do Brasil.

Fundação tecnológica e escola profissionalizante – Como forma de retribuir o que o Brasil lhe proporcionou, Nishimura criou, através da Jacto, em 1979, uma fundação tecnológica; em 1982, um colégio técnico e, em 2005, uma escola profissionalizante e ainda um museu, onde registra toda a sua trajetória, da Jacto e da própria fundação.

60 anos de Jacto – Desta maneira, a história da Jacto é a história de Shunji Nishumira e vice-versa. Uma trajetória vitoriosa de uma empresa que chega aos 60 anos de existência. Uma caminhada de sucesso de um batalhador visionário e inventor: uma pessoa simples e de princípios, empreendedora, honesta, criativa e persistente, um exemplo a ser seguido. Uma história de um emigrante que adotou o Brasil para morar e prosperar, e transformou seus sonhos em realidade, contribuindo para o progresso da agricultura brasileira.

Com informações do livro “Shunji Nishimura”, relatório “Jacto 60 Anos” e Departamento de Marketing da Jacto)

 

 

Saiba mais sobre a imigração

QUESTÃO SOCIAL – A emigração era uma questão social no Japão. Os primogênitos tinham o direito de toda a herança da família. E os segundos e terceiros filhos decidiam emigrar para buscar uma qualidade de vida melhor.

280 MIL PESSOAS – Durante os 100 anos de imigração, imagina-se que 280 mil pessoas tenham feito o trajeto, que começava em Kobe ou no porto de Yokohama, nas redondezas de Tóquio, até Santos. Um caminho que, de navio, levava, em média, 40 dias para ser percorrido.

ATÉ OS ANOS 90 – Pouca gente sabe, mas a política de subsídio à emigração, por parte do governo japonês, durou até os anos 90, quando quem vinha para o Brasil já havia abandonado os navios e adotado o avião como meio de transporte.

CULINÁRIA – A presença da cultura japonesa no Brasil se faz sentir na culinária, pelo consumo de pratos como sukyaki, sushi e sashimi; na utilização do shoyu (molho à base de soja); ou no hábito do consumo cotidiano de frutas e verduras.

1% DA POPULÇAO BRASILEIRA – Os japoneses representam cerca de 1% da população brasileira (1,5 milhão). O Paraná é o segundo no ranking dos estados brasileiros em número de descendentes japoneses com cerca de 150 mil. A colônia é grande o suficiente para mexer com a vida do próprio Japão. (Os dados são da Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD).