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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 383 | Maio de 2009 | Campo Mourão - Paraná

Bovinocultura

Uma paixão que venceu o tempo

Aos 78 anos de idade a cooperada Maria Anna Skottki, de Ivaiporã, conduz a propriedade com prazer e muito profissionalismo

A paixão pelo campo, sobretudo pela bovinocultura de leite e corte, é um sentimento bem evidente na vida da cooperada Maria Anna Skottki, de Ivaiporã, na região Centro do Paraná. Aos 78 anos de idade e solteira por opção, ela conduz a propriedade de 205 alqueires com prazer e muito profissionalismo.

NO CAMPO, COM PRAZER – Formada em odontologia e filosofia, desde que se aposentou, há 33 anos, ela vem se dedicando à agropecuária. “É um sonho de menina que consegui realizar”, conta, completando: “sou neta de fazendeiros e sempre passava as férias da escola, quando era adolescente, na fazenda dos meus avós. Foi nesta época que passei a gostar do campo e meu sonho era também ser fazendeira”, lembra.

BOVINOCULTURA – Maria Skottki faz questão de dizer que tudo que ganhou trabalhando como dentista investiu no campo e logo que se aposentou não teve dúvidas: passou a viver e trabalhar na propriedade. Entre as atividades diárias na fazenda, a co-operada tem na bovinocultura a sua preferida. Ela não esconde que a atividade é o carro chefe da propriedade. O sistema de cria, recria e engorda adotado pela cooperada é composto por 700 cabeças de gado nelore, divididos em 180 alqueires de pastagem, de onde são retirados, por ano, de 180 a 200 animais prontos para o abate.

O plantel de animais leiteiros é formado por 30 vacas em lactação, que produzem 300 litros de leite por dia, em média. O objetivo, segundo a produtora, é chegar mil litros por dia. “Gosto muito das coisas do campo, mas a lida com os animais é minha grande paixão”, diz.

APOSENTADA? – Apesar da idade, Maria Skottki ainda gosta de cavalgar e também ajuda na ordenha dos animais. Ela também é responsável por outras pequenas atividades na fazenda. “Sinto-me uma pessoa realizada porque consegui tudo que sonhei e hoje posso ajudar as pessoas. Penso que sou uma vitoriosa, porque mesmo em época de crise estou conseguindo desenvolvimento nas minhas atividades e ajudando a proporcionar mais qualidade de vida a diversas pessoas”, come-mora.

SOJA – Dentro da agricultura, a cooperada cultiva 25 alqueires de área, investindo, principalmente, na soja. O rendimento médio, na safra passada, foi de 115 sacas em cada alqueire. “Poderia ter sido melhor, não fosse a estiagem prolongada que afetou, também, a nossa região”, lamenta.

AMOR À TERRA – O veterinário Paulo Roberto Calderon, do Detec da Coamo em Ivaiporã, avalia o trabalho e a forma de conduzir a propriedade adotada pela cooperada como um grande exemplo. “O sucesso dela é, sem dúvida, a diversificação e, sobretudo, o amor com que ela conduz os seus negócios. Os animais têm uma boa genética, o que ajuda muito, e também são muito bem manejados e alimentados. E isso faz a diferença”, conclui.

VALORIZAÇÃO – Associada à Coamo há apenas quatro anos, Maria Skottki diz que a cooperativa passou a ser o alicerce da fazenda na construção dos resultados, seja na agricultura ou na pecuária. Segundo ela, a assistência fornecida pela Coamo é como o apoio que recebe do casal José Adermirso e Rosemilda Rodrigues. “Sinto como se estivesse em família, aqui e na cooperativa”, valoriza, agradecendo, sobretudo, a parceria de 15 anos com os Rodrigues. Sobre os dois ela é enfática: “Para mim eles são meu braço direito e esquerdo”, acentua a cooperada.

Silagem de milho em planta inteira e grão úmido

Cooperados da Coamo de municípios próximos à Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), participaram recentemente de uma palestra sobre a produção de silagem de milho em planta inteira e grão úmido. O evento foi promovido em parceria com a Pionner. O professor João Ricardo Alves Ribeiro, do setor de Ciências Agrárias e de Tecnologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), que é doutor em Nutrição de Ruminantes, revelou que o segredo de uma boa silagem é a instalação de uma boa lavoura. “Todo o investimento na lavoura, pensando em silagem, possui um efeito multiplicativo, inclusive, diluindo os custos operacionais com a preparação, em função dela ser mais produtiva”, destacou. O custo, segundo ele, é um fator determinante na produção. “No entanto, numa época de preços não muito bons a redução de custo não passa pela redução de insumos. Obrigatoriamente temos que lançar mão, sim, do aumento da eficiência”, afirmou. Para Pereira, o agricultor deve estabelecer como meta o uso do máximo de eficiência possível dos insumos que adquiriu. Ele apresentou como exemplo o seguinte fato: ao invés de fazer 10 hectares de silagem ruim o produtor deve investir em cinco hectares, bem feito.

PONTO DE CORTE – A silagem de qualidade, segundo informou o zootecnista, tem que ser colhida no ponto certo. Tem que ser picada de forma uniforme, sem descuidar da boa compactação no silo. “Estes cuidados farão com que haja uma boa fermentação da silagem. E o principal indicador é o animal. Quando o produto for para o cocho e os animais consumirem bem, não havendo sobras, é sinal de uma boa silagem. E o reflexo mais importante desta qualidade é o aumento na produção dos animais”, salientou.

De acordo com o pesquisador, para a silagem de planta inteira a colheita deve ser feita quando o grão estiver no ponto farináceo duro (a parte amarela do grão dura e a parte branca ainda farinácea). “Dependendo do ano, este ponto oscila entre 32% a 37% de matéria seca na planta toda”, apontou. E no caso da silagem de grão úmido, a colheita deve ser feita quando a lavoura der ponto de debulha, ou seja, quando o produtor conseguir entrar na lavoura com a colheitadeira e os grãos debulharem bem, sem que haja a presença de pedaços de sabugo. “Dependendo do híbrido, a recomendação é de uma umidade entre 32 e 35 de umidade no grão”, completou.