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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 383 | Maio de 2009 | Campo Mourão - Paraná

Cooperativismo

Ministros fazem imersão no cooperativismo da Coamo

No roteiro, Reinhold Stephanes, da Agricultura, e Roberto Mangabeira Unger, de Assuntos Estratégicos, conhecem a Coamo e elogiam ações do sistema para o desenvolvimento sustentável na cadeia produtiva rural

Pela primeira vez na história do cooperativismo paranaense, dois ministros visitaram, juntos, cinco cooperativas do Estado. O fato aconteceu nos dias 11 e 12 de maio e envolveu o ministro de Assuntos Estratégicos e coordenador do Programa Amazônia Sustentável, Roberto Mangabeira Unger, e o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes. Na oportunidade, eles elogiaram as ações do sistema para o desenvolvimento sustentável na cadeia produtiva rural.

Na Coamo, os ministros da República estiveram acompanhados do diretor-presidente do Sistema Ocepar/Sescoop, João Paulo Koslovski. A comitiva foi recepcionada pela diretoria da Coamo e autoridades regionais e, na ocasião, conheceu o trabalho realizado pela cooperativa em prol do desenvolvimento de mais de 21 mil associados nos estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

VISÃO GLOBAL DA COOPERATIVA – Os ministros, autoridades, cooperados da Coamo e convidados assistiram ao audiovisual da cooperativa e acompanharam a apresentação de uma palestra ministrada pelo diretor-presidente e idealizador da Coamo, José Aroldo Gallassini, como o tema “Visão global da Coamo. Gallassini mostrou a estrutura, os serviços e os benefícios que são fornecidos ao quadro social para uma agricultura sustentável e de qualidade no ambiente produtivo rural. “75% dos nossos associados possuem área de até 100 hectares e o nosso trabalho tem sido propiciar uma assistência técnica, educacional e social visando a diversificação e o incremento da atividade com produtividades, renda e qualidade de vida dos produtores e de seus familiares. Assim, somos uma cooperativa totalmente voltada para os nossos associados, atuando no desenvolvimento de um cooperativismo de resultados positivos”, disse Gallassini.

AVALIAÇÕES – O ministro Stephanes elogiou o trabalho da Coamo e a oportunidade de ver de perto os benefícios que ela oferece ao seu quadro social. “A Coamo é um exemplo extraordinário para o Brasil por toda a sua historia e construção, e o cooperativismo brasileiro é o melhor instrumento para ajudar o desenvolvimento da agricultura e do nosso país”.

Para Mangabeira Uber, a visita as cooperativas paranaenses tiveram duas motivações. Conhecer o exemplo que vem do cooperativismo e colher as recolher as lições dessa experiência para ver como podem ser disseminadas para o resto do país e compreender as dificuldades que as cooperativas enfrentam e ajudá-las a superá-las, já que o país tem um interesse estratégico na prosperidade das cooperativas agrícolas.

O presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini ficou satisfeito com o resultado da visita e a oportunidade concedida para apresentar reivindicações aos ministros em várias áreas, como por exemplo, na melhoria do seguro agrícola e do código florestal. “Foi uma grande satisfação receber dois ministros e mostrar o trabalho que estamos desenvolvemos para o sucesso dos nossos cooperados e ouvir deles a preocupação em elaborar um projeto de longo prazo para o desenvolvimento do nosso setor, que é muito importante para o país”.

A visita dos ministros as cooperativas paranaenses representa excelente oportunidade para apresentação de propostas que o cooperativismo tem para a implantação de uma política de desenvolvimento do agronegócio a longo prazo, de forma mais sólida, afirmou o presidente do Sistema Ocepar/Sescoop, João Paulo Koslovski, “Os ministros conheceram os projetos de interesse do cooperativismo que pode oferecer subsídios para a efetivação de uma política mais sustentável, com a garantia de renda e da produção. Eles viram no Paraná um cooperativismo sólido extremamente profissional com resultados positivos aos seus cooperados, sendo um modelo que pode ser utilizado em outras regiões”.

Mangabeira Unger: “Desenvolvimento social passa por três grandes aspirações”

O ministro de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Roberto Mangabeira Unger, é o ministro responsável pela elaboração de projetos de desenvolvimento do Brasil para os próximos anos. Na sua apresentação diante de cooperados e diretoria da Coamo, autoridades e convidados, Mangabeira, que foi professor durante muitos anos na Universidade de Harvard e até lecionou para Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, elogiou o cooperativismo afirmando que o sistema precisa de um aliado que é o Estado para continuar colaborando para o desenvolvimento do país. Também afirmou que o crescimento da agricultura passa por dois planos nas iniciativas setoriais e regionais e objetivos estrategicamente definidos.

As três grandes aspirações no projeto de longo prazo do Brasil, segundo Mangabeira, são os seguintes: “a primeira é começar a superar o contraste ideológico entre a agricultura familiar e a agricultura empresarial e assegurar características empresariais à agricultura familiar; a segunda é promover a industrialização rural, com agregação de valor no campo, já que não queremos o contraste entre a cidade cheia e o campo vazio. Queremos vida rural, variada e vibrante; e a terceira é construir uma classe média rural forte, como vanguarda de uma massa maior de agricultores que virá atrás dessa vanguarda. E o cumprimento destas aspirações está exemplificado no trabalho das cooperativas, aqui no coração agrícola do país”, acentuou.

Para Mangabeira, a agricultura é uma grande obra que possui uma parte física e outra institucional. “A física passa pela recuperação de áreas degradas de pastagens, pela nossa independência nacional em matéria de produção de fertilizantes e pela construção de um paradigma multimodal de transporte. Do lado institucional passa pela organização da ajuda técnica, pela organização da comercialização dos produtos e pela popularização do seguro agrícola e do seguro de renda, pela reorganização dos mercados agrícolas para fortalecer os produtores brasileiros”, destacou.

Stephanes: “Cooperativismo do Paraná é exemplo para o Brasil”

Durante a visita à Coamo o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, se mostrou impressionado com o dinamismo e o avanço do cooperativismo paranaense. “Cada vez que eu faço uma visita a uma cooperativa eu me surpreendo mais ao ver os exemplos que estão aí, como o da Coamo, para mostrar a força do sistema. E quando eu vejo uma apresentação dessas do Gallassini aprendo muito e conheço mais da realidade do Brasil”, salientou.

O ministro aproveitou a sua fala para lembrar que mais da metade da produção agrícola do Paraná vem das cooperativas e isso dimensiona a importância do cooperativismo como forma de desenvolvimento. “Com as cooperativas os associados podem enfrentar o mercado e ser mais eficientes na produção. O Paraná é o maior produtor agrícola do país e as cooperativas têm um papel relevante na cadeia produtiva”, afirmou.

UM TERÇO DO PIB – Segundo Stephanes, o setor agrícola é extremamente importante para a economia do país representando um terço do PIB do país. “A agricultura tem uma atuação extraordinária na exportação da produção para 180 países. O Brasil tem 5.600 municípios e quando a agricultura vai bem, vão bem também cerca de 4 mil municípios que dependem diretamente da agricultura, que é responsável por 100% das reservas da balança comercial brasileira”, considerou o ministro.

CÓDIGO FLORESTAL – O ministro da Agricultura defendeu as propostas dos agricultores para a preservação da mata ciliar e da viabilidade em continuar produzindo. Mas, alertou para o grave problema no setor se os produtores tiverem que continuar seguindo o código atual. “O Código Ambiental precisa mudar, ele tem muitos erros básicos que precisam ser corrigidos, caso contrário cerca de 1 milhão de agricultores perderão a condição de produzir. Quem entende de maio ambiente são os agricultores e não os ambientalistas”, informou.

Stephanes disse que a sociedade quer transferir somente aos agricultores a responsabilidade de preservação do meio ambiente e lembrou que esta é uma tarefa de todos, haja vista que quando os rios chegam às cidades são formados verdadeiros esgotos a céu aberto e não acontece nada para quem suja e polui os rios.

Segundo o ministro em nenhum país tem reserva legal na propriedade e o desejo dos produtores brasileiros é preservar os rios, suas margens e nascentes. “Ninguém tem mais consciência e interesse em preservar o meio ambiente do que o próprio agricultor, que para produzir precisa da terra e da água. Precisamos resolver este problema para que produtores não percam parte da sua renda e o setor tenha tranquilidade para continuar produzindo para o país”, finalizou Reihold Stephanes.

Números da produção nacional de grãos

Segundo informações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) o Brasil tem 851 milhões de hectares, dos quais apenas 25% passível de ocupação agrícola e outros 75% do território brasileiro não podem ser utilizado para atividades econômicas. “Toda a soja produzida no Brasil , num total de 57,6 milhões de toneladas ocupa apenas 3% do território nacional e a produção total de grãos, de 157,6 milhões de toneladas, ocupa apenas 7,0% do nosso território”, explica o ministro da Agricultura Reinhold Stephanes.