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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 383 | Maio de 2009 | Campo Mourão - Paraná

Editorial

Por uma agricultura de longo prazo

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, idealizador e diretor-presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa

Foi bastante positiva a visita realizada este mês na Coamo pelos ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes, e de Assuntos Estratégicos e Coordenador do Programa Amazônia Sustentável, Roberto Mangabeira Unger. Durante dois dias, eles conheceram o funcionamento, a estrutura e os benefícios do nosso cooperativismo, que é um modelo para o país.

O governo está discutindo um planejamento de longo prazo para o setor agropecuário e que esse trabalho passa necessariamente pelo contato e debate direto com os produtores e lideranças, para que o Brasil tenha uma política definida para os próximos anos. Os ministros ficaram impressionados e entusiasmados com a força, dinamismo e o avanço conquistado pelo cooperativismo paranaense. E como resultado concreto da visita ao Paraná, eles repassarão ao presidente Lula informações sobre o sistema cooperativistas que, segundo eles é a solução para os problemas do país.

Durante a visitação dos ministros, as lideranças do cooperativismo paranaense apresentaram diversas propostas e subsídios para a efetivação de uma política de desenvolvimento do agronegócio a longo prazo, de forma mais sólida, mediante ações mais sustentáveis, com a garantia de renda e da produção.

Esta preocupação por parte do governo é elogiável e foi bem aceita pelos produtores associados e lide-ranças do cooperativismo, com o firme propósito de estabelecer estratégias para a melhoria e o incremento da atividade agrícola que, seguramente, é muito importante para o desenvolvimento da economia do nosso país.

MEIO AMBIENTE – Uma das bandeiras defendidas pelo ministro Stephanes na sua imersão pelo Paraná é a questão relacionada ao meio ambiente. O posicionamento do ministro atende aos anseios da classe produtora na defesa da mata ciliar como reserva permanente, e que as demais questões sejam amplamente debatidas para o aperfeiçoamento deste, que é um tema muito importante, principalmente para quem produz alimentos para o Brasil e para o mundo.

Desta maneira, o setor agrícola através dos seus produtores, lide-ranças e entidades organizadas, como a Ocepar e a própria Coamo em nome de seus mais de 21 mil associados, estão juntos nesta mobilização para aprovar as alterações na legislação ambiental brasileira. Nesta edição, o Jornal Coamo publica as principais propostas apresentadas pelo cooperativismo do Paraná aos parlamentares e ao governo, pleiteando mudanças e melhorias na lei vigente.

Reiteramos que os produtores brasileiros não podem perder 20% do seu patrimônio e 20% da sua renda, o que convenhamos, é inaceitável, por isso, as mobilizações estão sendo intensificadas no sentido de que o Congresso Nacional e o Governo alterem a lei em benefício de milhares de produtores que plantam com modernas tecnologias, colhem boas produtividades e sabem, acima de tudo respeitar e preservar o meio ambiente.

Meio ambiente: todos estamos no mesmo barco

Por João Paulo Koslovski (*)

“Toda a sociedade tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, sendo imposto à coletividade o dever de preservá-lo”. (Constituição Brasileira, artigo 225).

Nos últimos meses, as discussões em torno do Código Flores-tal Brasileiro colocaram o tema meio ambiente de volta nas manchetes dos meios de comunicação. Diante da pressão que o tema exerce sobre os agricultores, principalmente em função da obrigatoriedade da averbação da reserva legal, o Estado de Santa Catarina resolveu estabelecer uma legislação própria, menos impactante na economia agrícola.

No Paraná, o sistema cooperativista realizou estudos para propor alterações na legislação que entende corretas face à responsabilidade da sociedade na preservação ambiental, conforme define a própria constituição federal.

O que as cooperativas reivindicam é bom senso e equilíbrio entre produção e preservação. E principalmente: a evolução na legislação só acontecerá se envolver a toda a sociedade. Preservar e cuidar da natureza não pode ser uma atribuição somente do homem do campo. A população urbana também deve participar, compartilhando a responsabilidade de conservar e os custos da recuperação de nossa biodiversidade.

No campo, as ações de desenvolvimento sustentável ganharam força com o plantio direto, recolhimento de embalagens de agroquímicos, plantio de mata ciliar e produção de combustíveis renováveis. A pergunta que se faz é quanto às contrapartidas urbanas, onde vivem 82% dos brasileiros. O que as cidades têm feito para recuperar e preservar o meio ambiente e quais as penalidades previstas? Essas penalidades ocorrem de fato e podem inviabilizar economicamente os cidadãos como está acontecendo no meio rural?

A degradação ambiental é gravíssima na maioria das cidades do país. Rios apodrecidos, esgoto sem tratamento, lixões a céu aberto, ocupações habitacionais em áreas de preservação e de mananciais, entre outros problemas, revelam o descaso com o assunto. E também há desinformação e má fé com a rejeição a qualquer tentativa de debater a lei de forma técnica, a partir de estudos e pesquisas de instituições respeitadas, como a Embrapa.

Quem tenta discutir o assunto com racionalidade é logo acusado de ser “destruidor da Amazônia”, uma retórica rasa que emperra o debate sério e desconsidera as diferenças regionais de um país continental como o Brasil. O que está em jogo no Congresso Nacional transcende o próprio Código Florestal e se configura entre um modelo de desenvolvimento equilibrado, associado à realidade, com direitos e deveres estendidos a toda a sociedade, ou um arcabouço de regras radicais para agradar à opinião pública internacional, mas sem viabilidade prática.

Portanto, o meio ambiente é um problema de quem vive nele e sobrevive dos seus recursos que já não são infinitos. Estamos todos no mesmo barco, todos somos causadores, diretos ou indiretos, dos danos ao meio ambiente. Por isso não se pode imputar a responsabilidade da sua preservação apenas àqueles que estão mais próximos dos recursos naturais palpáveis (as florestas, o solo, a água, o ar, os animais, os combustíveis fósseis e os minerais), e sim a todos os cidadãos brasileiros, pois a maior parte da poluição advem do setor urbano e não do rural.

Essa é nossa posição que estamos discutindo e apresentando propostas para ampliar a preservação ambiental, tornando-a mais exeqüível. Propostas para que os 82% da população brasileira que vivem nas cidades compartilhem a responsabilidade e os custos da preservação ambiental com os 18% que vivem no campo. O esforço cooperativo produz maior resultado. Basta ver o que o cooperativismo já vem fazendo em benefício do equilíbrio do meio ambiente. (*) Diretor-presidente do Sistema Ocepar