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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 383 | Maio de 2009 | Campo Mourão - Paraná

Seguro Agrícola

Entrepostos repassam indenizações

Em Mamborê, o cooperado Edmilson Silva comemora e diz que usou o dinheiro para cobrir os custos de produção da sua lavoura de soja

A contratação do seguro rural pelos cooperados da Coamo e Credicoamo vem avançando a cada safra. Os produtores estão enxergando na opção uma ferramenta para assegurar o rendimento da lavoura, garantindo, sobretudo, os custos de produção. Em Mamborê, por exemplo, os cooperados que acionaram o seguro agrícola para cobertura dos danos causados pela estiagem e chuva de granizo na safra de verão na região atendida pela unidade (Centro-Oeste do Paraná) já começaram a receber as indenizações. As contratações foram efetuadas através da Credicoamo e Via Sollus Corretora para lavouras de soja e milho. Os valores recebidos pelos cooperados complementam o pagamento do custo de produção, evitando que os produtores rurais tenham prejuízos, diante da redução das produtividades das lavouras.

Nesta semana, os primeiros cheques foram entregues em Mamborê. O cooperado Edmilson Silva, da localidade Canjarana, foi um dos que receberam a indenização. Ele plantou sete alqueires de soja e contratou o seguro. Com a dificuldade climática, ele colheu apenas 22 sacas em cada alqueire. E para completar o custo da sua lavoura, o produtor recebeu da seguradora um valor de R$ 8.727,49, o que acabou cobrindo as despesas da produção, evitando que o cooperado prorrogasse os débitos para a safra seguinte e, consequentemente, uma descapitalização. “Para mim, este valor indenizado significa muito. Confesso que estava perdendo o sono, pensando em como fazer para pagar a diferença. A contratação do seguro foi um dos melhores negócios que já fiz, proporcionando a continuidade da qualidade de vida para minha família”, comemorou.

APÓLICES – Em toda a Coamo foram feitas 2,8 mil apólices de seguro agrícola nesta safra de verão, através da Credicoamo e em parceria com a Via Sollus, com uma cobertura de R$ 241 milhões em uma área de 245 mil hectares. Segundo Dilmar Peri, gerente de Produção da Credicoamo, o crescimento foi de 55%, na comparação com o ano anterior.

Na safrinha, conforme Peri, foram feitas 219 apólices, com um volume de R$ 15 milhões de segurada. “Para o trigo também há grandes expectativas de contratação. E para o verão a nossa meta é chegar a R$ 300 milhões de importância segurada”.

EM MAMBORÊ – “O entreposto de Mamborê responde por 10% do número de apólices, num total de R$ 19 milhões de importância segura”, comemora Celso Paggi, gerente do entreposto. Ele destaca que já foi realizado o pagamento das indenizações a 80% cooperados que acionaram o seguro. “Esta agilidade no atendimento aos cooperados dá maior credibilidade e confiança no seguro rural por parte do nosso cooperado”, completa Paggi.

Dr. Aroldo defende mudanças no seguro agrícola

O diretor-presidente da Coamo, José Aroldo Galassini, acredita que são necessárias mudanças no seguro agrícola para o país avançar nessa questão e tornar a agricultura mais profissional. Ele disse que o seguro agrícola ainda não está bem maduro porque as seguradoras estão utilizando uma produtividade muito baixa. “Na soja, por exemplo, foi de 72 sacos por alqueire. Para atingir isso, tem que ser uma frustração muito grande”, afirma Galassini.

O dirigente explica que dentro de uma propriedade se planta em diversas épocas. “Às vezes, por três ou quatro dias, se tem uma perda muito grande, mas, aí, o cálculo é feito pela média e, então, não se tem direito ao seguro e o produtor fica no prejuízo. A saída é mobilizar as seguradoras e ao governo no sentido de melhorar essas produtividades, cobrindo pela média do agricultor e não de uma região”, acrescenta.

CULTURA DO SEGURO – De acordo com Galassini, um projeto piloto implantado nesse ano em parceria com uma seguradora deu bons resultados, utilizando como parâmetro a média de produtividade alcançada pelos produtores individualmente em suas propriedades. “Hoje é importante criar uma cultura em relação ao seguro no setor agropecuário, como ocorre em outros segmentos, como saúde e veículos”, destaca, considerando que quando todos fizerem seguro as taxas certamente vão abaixar.

A corretora de Seguros Via Solos e a CrediCoamo, segundo Gallassini, foram responsáveis pelo repasse de 12% dos R$ 160 milhões disponibilizados para o Brasil para o seguro agrícola na safra 2008/2009.

CRISE - Na avaliação do presidente da Coamo, a crise financeira mundial ainda não atingiu o setor cooperativista. De acordo com Galassini, o que realmente vem trazendo preocupação são os prejuízos que os cooperados estão acumulando devido aos problemas climáticos. "A seca pegou, também, a região de milho safrinha. O milho apresenta uma grande quebra em toda a região da Coamo. Dessa forma, os cooperados vão ter problemas de liquidez e nós aguardamos que o governo tome realmente algumas providências", finaliza. (Com informações do PR Cooperativo)