Opinião
Editorial:
Safra, tecnologia e Credicoamo

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor presidente da Coamo

Dr. Aroldo Gallassini
O Encontro de Cooperados, realizado este ano na sua 15ª edição na Fazenda Experimental da Coamo, é um dos principais assuntos desta edição do Jornal Coamo. A cada ano, o encontro vem se consolidando como importante difusor de tecnologias e já se tornou tradição pela sua qualidade, organização e, principalmente, pelos resultados alcançados. Durante cinco dias, 3,5 mil cooperados aprenderam mais e ficaram sabendo das modernas tecnologias disponíveis no mercado, repassadas por dezenas de pesquisadores de importantes instituições da pesquisa e técnicos da Coamo. 

O Dia de Campo da Coamo na Fazenda Experimental é realmente um acontecimento muito importante e vem desde a sua primeira edição colaborando para o aumento de renda, tecnologia e sucesso dos nossos cooperados nas suas atividades, com a adoção e implantação correta das novas tecnologias. E como conseqüência deste relevante trabalho, temos observado que os níveis de produtividades das nossas lavouras estão maiores a cada nova safra. Entendemos que isto é perfeitamente possível e todos os produtores devem perseguir este objetivo, principalmente se levarmos em consideração que os custos das lavouras são elevados para todos. Porém, o que não existe é uma padronização das produtividades, fazendo com que tenhamos agricultores produzindo altas e médias produtividades. Essa padronização é muito importante para que tenhamos barateamento nos custos e melhores resultados na atividade. 

Estamos em plena safra e os números preliminares indicam que deveremos ter novamente uma safra bem significativa, igual, ou melhor, à colhida no ano passado. A comercialização vem tendo bons preços para satisfação dos nossos produtores, com o registro em plena safra de preços com variação de R$ 39,00 a R$ 43,50 por saca de soja e de R$ 17,00 a R$ 21,00 por saca de milho. Os preços estão sustentados tanto no mercado interno como externo, mas dependendo do comportamento da Bolsa de Chicago e do dólar, da Guerra no Iraque e outros fatores econômicos internos, eles poderão ser idênticos aos verificados nos últimos anos. O que todos nós produtores queremos é colher bem e ter uma boa safra com bons preços. Isso é muito bom para todos nós que poderemos ter uma melhor capitalização e bom também para a nossa agricultura brasileira. 

A Coamo já está preparada para a implantação das lavouras de inverno com o fornecimento dos insumos para o atendimento da demanda dos seus cooperados. Prevemos bons volumes no plantio de milho safrinha e no trigo a previsão é de que haja incremento de área em relação ao ano passado. Os financiamentos para o milho safrinha já estão disponíveis e brevemente serão liberados recursos para a cultura do trigo. Infelizmente não obtivemos sucesso com relação à reivindicação para criação de seguro agrícola para o milho safrinha, que ficará descoberto nesta safra. No trigo, os produtores terão a cobertura do Proagro. 

No dia 21 de março realizamos a Assembléia Geral Ordinária da Credicoamo com a participação de centenas de cooperados. Apesar das adversidades que o ano de 2002 apresentou, o dinamismo, a criatividade e a agilidade na gestão dos negócios da cooperativa, aliados à otimização das oportunidades de negócios, fizeram com que fechássemos o ano com um excelente resultado, nos credenciando para enfrentarmos o ano de 2003, com maior solidez e confiança, na busca de melhores resultados à cooperativa e aos associados.

A Credicoamo registrou no exercício de 2002 uma receita total de R$ 23,60 milhões, representando um crescimento de 56,1% em relação ao ano de 2001. A sobra apurada foi de R$ 7,10 milhões, perfazendo um acréscimo de 40,8% em relação ao ano anterior.O ativo total atingiu o valor de R$196,14 milhões, representando um crescimento de 58,3% em relação ao ano de 2001. O patrimônio líquido, no valor de R$29,50 milhões, apresentou um crescimento de 32,3%, em relação ao ano de 2001.

Indiscutivelmente o grau de solidez da Credicoamo vem concretizando-se a cada ano e a consciente política administrativa de capitalizar a cooperativa, desde a sua fundação, a fim de proporcionar o crescimento sustentado de suas atividades, tem propiciado condições favoráveis para o atendimento integral das necessidades dos associados.

 

 

Ponto de vista:
Marcha a Brasília contra o PIS/Cofins

A movimentação que mobilizou mais de 1,5 mil pessoas nos dias 18 e 19 de março na Câmara dos Deputados, contra os vetos da Medida Provisória 66, mostrou a força das cooperativas e das microempresas brasileiras e conseguiu obstruir a pauta de votação do Congresso Nacional.

A movimentação foi organizada pela OCB, pela Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) e pela Frente Parlamentar da Micro e Pequena Empresa. O PSDB, PMDB, PPB, PFL E PTB decidiram obstruir a pauta do Congresso caso o acordo para a derrubada dos vetos da MP 66 não seja cumprido. O acordo, firmado entre parlamentares e o governo, no final do ano passado, foi descumprido pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, que vetou artigos da MP 66 afetando diretamente cooperativas, micro e pequenos empresários. O acordo previa a isenção do PIS/Cofins para o ato cooperativo, a reabertura do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) e a inclusão de oito segmentos na categoria de Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples).

O presidente da OCB/Sescoop, Márcio Lopes de Freitas, disse que as negociações evoluíram porque os partidos aderiram ao processo de obstrução da pauta no Congresso Nacional enquanto não estiver resolvido o problema dos vetos da MP 66. Para Freitas, essa foi a vitória do movimento e com isso o Cooperativismo consolidou seu posicionamento. Cerca de 300 cooperativistas e dirigentes de todo país, entre os quais o presidente da Ocepar, João Paulo Koslowski e o diretor-secretário da Coamo, dr. Ricardo Accioly Calderari estiveram presentes ocupando a maioria do plenário no Auditório Nereu Ramos, na Câmara. O deputado da Frencoop Luiz Carlos Heinz (PMDB/RS), afirmou que com respaldo popular a negociação torna-se diferente e tende a avançar. Para o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB/PR), também membro da Frencoop, a intenção da manifestação não é afrontar o governo, mas sim buscar o entendimento para que possa haver a solução de um problema que classificou como econômico, e não fiscal. As lideranças cooperativistas defenderam a posição que o sistema não aceitará negociação parcial e que a conquista deve ser do Cooperativismo como um todo. A proposta sugerida na quarta-feira (19), pelo governo seria de isentar de PIS/Cofins apenas as cooperativas agropecuárias.

O presidente da OCB/Sescoop deixou clara sua posição: "não há como uma família entregar um dos filhos em benefício de outro. O Cooperativismo é uma família e nós não vamos abrir mão de nossa reivindicação", afirmou Márcio Lopes de Freitas. Os presidentes das Organizações de Cooperativas do Paraná e de Santa Catarina, João Paulo Koslovski e Luiz Hilton Temp compartilham da mesma opinião. Segundo eles, se o governo cometer o erro de tributar as cooperativas brasileiras com PIS/Cofins, estará sepultando o Cooperativismo brasileiro e não haverá sobreviventes. A tributação, segundo eles, impede o desenvolvimento do Cooperativismo no Brasil.